Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Ganharíamos todo o mundo

“Querido filho, a gente não é má. Aquilo que se passa é que não somos capazes de amar. E como se pode ensinar a amar? Somente amando. É por isto que quando vimos ao mundo o Senhor nos dá uma família. Uma família que ama gera uma pessoa que ama. Estou certo que isto Vossa Eminência [Cardeal S. Wyszynski] o sabe muitíssimo bem. Quando estive em Czestochowa para rezar à Senhora, impressionou-me muito que Ela, a Senhora, deseja ser sobretudo nossa Mãe. Eu creio, caríssimo, que deveríamos fazer a mesma coisa: amar todos com amor materno. Se fosse assim, lentamente, sem pressa, ganharíamos todo o mundo” (S. João XXIII).

Esta texto que o Papa S. João XXIII escreveu para o Cardeal Stefan Wyszynski, Arcebispo de Varsóvia (Polónia), foi-me enviado por um amigo no passado dia 8 de dezembro. Para além de lhe agradecer e de o partilhar com todos, não posso deixar de chamar a atenção para alguns dos seus pontos.

Em primeiro lugar, a nossa incapacidade de amar verdadeiramente e como isso nos marca ao longo de toda a vida. O nosso problema é mesmo sobre o amor – é acerca das suas reduções, a sua instrumentalização, a nossa auto-justificação para a falta de amor. O pecado é uma falta de amor, mesmo quando vem revestido de um bonito papel de embrulho com boas intenções.

Depois o único modo de ensinar a amar: amando. Não há outro modo. Não bastam dissertações teóricas sobre o amor, nem palavras ou frases bonitas. Aprendemos a amar apenas com quem ama, vivendo com quem ama, deixando que a sua vida seja também a nossa. E ensinamos a amar amando. Aquele que ama deixa um rasto de amor à sua volta.

E isso, para os seres humanos, aprende-se habitualmente numa família. Para além de transmitir a vida, a família é o lugar onde se aprende a amar. Que bom é poder agradecer a Deus uma família assim. E que triste é ver tantos que, por não terem uma família que ame, também não são capazes de amar!

Finalmente, nós cristãos temos uma Mãe que nos ama. Que nos ama sempre. Que está sempre disponível para nos acolher e ensinar a amar.

Com a Virgem Maria, sem pressa, ganharíamos todo o mundo, porque ninguém consegue resistir ao amor.

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