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“Recomendo vivamente aos sacerdotes que observem estes momentos de silêncio”
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O Papa Francisco sublinhou a importância do silêncio na celebração da Missa. Na semana em que fez o balanço de 2017, o Papa batizou 34 bebés, recordou que a estrela de Deus está “sempre presente” e realizou visita surpresa a um hospital pediátrico.

 

1. O Papa Francisco destacou a importância do silêncio antes da oração «coleta», nas Eucaristias. “Podemos dizer que o «Glória» é uma abertura da terra para o Céu, que se inclinara sobre a terra. E o último elemento dos «Ritos de Introdução» à Missa é a oração, chamada «coleta», variável segundo os dias e os tempos do ano. Como preparação para ela, o celebrante dirige este convite à Assembleia: «Oremos», seguindo-se alguns momentos de silêncio. O silêncio não é mera ausência de palavras, mas predisposição para ouvir outras vozes: a do nosso coração e sobretudo a voz do Espírito Santo. Antes da oração «coleta», o silêncio ajuda a recolhermo-nos em nós próprios e a pensar nos motivos que nos trouxeram à presença de Deus. Talvez tenhamos vivido dias de grande fadiga, de alegria ou de sofrimento e queremos dizê-lo ao Senhor, implorando a sua ajuda e pedindo que não nos abandone. Talvez tenhamos familiares ou amigos doentes, atribulados, e queremos confiar ao Senhor as necessidades deles, da Igreja e do mundo. Para isto, servem os breves momentos de silêncio antes do sacerdote recolher – daí chamar-se «coleta» – as intenções de cada um, expressando-as a Deus, em voz alta e em nome de todos, na oração comum. Recomendo vivamente aos sacerdotes que observem estes momentos de silêncio”, apelou Francisco, durante a audiência-geral de quarta-feira, 10 de janeiro.

Neste dia, o Vaticano anunciou que o Papa Francisco convidou mais de duas mil pessoas, entre sem-abrigo, presos, refugiados e famílias necessitadas, a irem ao circo em Roma, no dia seguinte, quinta-feira, 11 de janeiro. O comunicado recorda as palavras que o Papa dirigiu recentemente a um grupo de artistas de circo, considerando-os “criadores de beleza”. No final do espetáculo, os mais necessitados iriam também receber um “saco refeição” para o jantar.

 

2. O Papa recordou a visita a Fátima, em maio passado. “A Portugal, desloquei-me como peregrino, no centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, para celebrar a canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto. Pude constatar a fé, cheia de entusiasmo e alegria, que a Virgem Maria suscitou na multidão de peregrinos que então lá se reuniu”, lembrou Francisco, no habitual discurso de Ano Novo ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, no passado dia 8 de janeiro. Num longo discurso aos embaixadores, Francisco alertou para os perigos que determinados conflitos representam para a paz no mundo, nomeadamente a Coreia do Norte. “É de suma importância que se sustente toda a tentativa de diálogo na península coreana, a fim de se encontrar novos caminhos para superar as contraposições atuais, aumentar a confiança mútua e garantir um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro”, ressalvou, lamentando depois a recente escalada de tensão na Terra Santa, considerando que “70 anos de confrontos tornam extremamente urgente encontrar uma solução política que permita a presença na região de dois Estados independentes dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas”.

Francisco pediu também à comunidade internacional que “não esqueça o sofrimento em muitas partes do continente africano, especialmente no Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e República Centro-Africana, onde o direito à vida está ameaçado pela exploração indiscriminada dos recursos, pelo terrorismo, pela proliferação de grupos armados e por prolongados conflitos”.

 

3. Na Capela Sistina, o Papa presidiu ao batismo de 34 crianças (18 meninas e 16 meninos), na maioria filhos de funcionários do Vaticano, e pediu que pais e padrinhos lhes ensinem o “dialeto” do amor. “A transmissão da fé só se pode fazer em dialeto, no dialeto da família, no dialeto do papá e da mamã, do avô e da avó”, declarou, no passado Domingo, 7 de janeiro. Francisco, que improvisou a sua homilia, sublinhou que no crescimento da fé destas crianças chegará um tempo para a catequese, com “ideias e explicações”, mas só será possível um verdadeiro desenvolvimento se em casa “os pais falarem o dialeto do amor” e o transmitirem.

Depois da Missa, o Papa rezou o Angelus, no Vaticano, e refletiu novamente sobre a importância do batismo, perguntando aos presentes se conheciam a data do seu batismo e encorajando os que não sabem a informar-se. “Graças ao batismo somos capazes de perdoar e de amar quem nos ofende e quem nos faz mal; conseguimos reconhecer nos mais pequenos e nos pobres a face do Senhor que nos visita e se aproxima de nós”, afirmou o Papa.

 

4. Na Missa da Epifania, o Papa lembrou a importância de viver com os olhos postos no céu. “Por que foi que só os Magos viram a estrela? Porque talvez poucos levantaram o olhar para o céu. De facto, na vida, muitas vezes, contentamo-nos com olhar para a terra: basta a saúde, algum dinheiro e um pouco de divertimento. E pergunto-me: sabemos ainda levantar os olhos para o céu? Sabemos sonhar, ansiar por Deus, esperar a sua novidade, ou deixamo-nos levar pela vida como um ramo seco pelo vento?”, questionou, no passado sábado, 6 de janeiro, sublinhando: “Os Magos não se contentaram com deixar correr, flutuando. Intuíram que, para viver de verdade, é preciso uma meta alta e, por isso, é preciso manter alto o olhar”. Francisco deixou ainda a garantia: “A estrela do Senhor nem sempre é fulgurante, mas está sempre presente: guia-te pela mão na vida, acompanha-te”.

 

5. O Papa fez uma visita surpresa, na tarde de sexta-feira, 5 de janeiro, ao hospital Bambino Gesú de Palidoro, a cerca de 30 quilómetros de Roma, tendo estado com crianças internadas e suas famílias, com quem conversou animadamente.

De manhã, Francisco recebeu em audiência a Associação Italiana dos Professores Primários, tendo pedido a estes docentes para estimularem nos mais pequenos a cultura do encontro e “a abertura ao outro como rosto, como pessoa e irmão a conhecer e a respeitar”. O desafio, diz o Papa, passa por “formar miúdos abertos e interessados pela realidade que os rodeia” e “livres dos preconceitos” que hoje alimentam a competitividade e a agressividade “de uns contra os outros”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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