Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
A verdadeira comunicação
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No próximo dia 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, é publicada a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, este ano subordinada às ‘fake news’, ou seja, as falsas notícias. É neste sentido que me surgem algumas questões sobre a comunicação.

Pela comunicação comunicamos verdades, mas também sabemos que a verdade comunicada, muitas vezes depende do meu olhar. Por isso mesmo, há uma verdade que vai sendo construída e torna-se verdade aquilo que eu vejo, o que a informação me dá, mesmo que não o seja efetivamente. Por outro lado, muitas vezes há uma verdade de um acontecimento que, porque não é conhecido, não chega a ser verdade. Isto é, uma verdade que não se conhece porque não é notícia. Pode parecer estranho, mas se um determinado acontecimento não é notícia, não tem divulgação, é como se não existisse, porque não chega a atingir o seu objetivo e não se torna notícia. E assim vamos vendo que há uma força nos meios de comunicação social, um poder, que leva à construção de um pensamento, à manipulação de ideias e ideais, à construção de uma opinião e, tantas vezes, de uma sociedade, a sociedade em que vivemos.

Deste modo, vamos percebendo que os meios de comunicação acabam por configurar um pensamento e a ação das sociedades, pela força e pelo poder que têm em si mesmos, construindo, também, uma opinião pública, muitas vezes contrária a determinados valores humanos e da dignificação humana. É, também por isso, que se vai percebendo que a Igreja em Portugal precisa de estar mais organizada no que diz respeito ao seu papel na comunicação e à forma de comunicar hoje, diante dos desafios que diariamente se colocam. Esta é uma preocupação que tem estado em cima da mesa, há muito tempo, e que foi agora claramente manifestada pela Conferência Episcopal Portuguesa como tema de reflexão para a sua próxima Assembleia Plenária, a realizar em Abril, em Fátima.

Por vezes, questiono-me sobre este poder e a força da comunicação. Nos dias que correm, com a evolução tecnológica, é muito mais fácil comunicar. Mas haverá verdadeira comunicação? Com todos os instrumentos de que dispomos podemos chegar mais facilmente onde queremos e até onde não queremos, porque a comunicação deixou de ter fronteiras e já não somos, sequer, capazes de controlar o processo comunicativo nem, tão pouco, os lugares onde é possível chegar.

Com a evolução tecnológica, temos vindo a assistir, também, a uma transformação no modo de fazer informação, de fazer notícias, de construir uma verdade, isto é, de interpretar a realidade à nossa volta. Contudo, recordemo-nos sempre que, a primeira verdade a comunicar é Jesus Cristo, e essa já se fez comunicação para nós e é a verdadeira comunicação. 

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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