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Papa apela à unidade e à não-violência
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O Papa Francisco está de visita ao Chile e ao Peru. Encontrou-se, rezou e chorou com vítimas de abusos sexuais, celebrou a Eucaristia para mais de 400 mil pessoas, disse temer uma guerra nuclear e, ainda em Roma, celebrou o Dia Mundial do Migrante e Refugiado.

 

1. O Papa Francisco fez esta quarta-feira, 17 de janeiro, um apelo à não-violência e à unidade nacional chilena, durante a visita a uma região problemática e conflituosa no Chile. Em Temuco, terra marcada por uma luta armada de autonomia, levada a cabo pelos indígenas locais, do povo Mapuche, Francisco denunciou tanto a frustração causada por promessas e acordos feitos pelo Governo mas que nunca são cumpridos, como a violência armada dos insurretos. “Há duas formas de violência que, em vez de fomentar os processos de unidade e reconciliação, acabam por os ameaçar. Em primeiro lugar, devemos estar atentos à elaboração de acordos «lindos», que nunca se concretizam”, disse Francisco. De seguida o Papa dirigiu as suas palavras aos insurretos. “É imprescindível defender que uma cultura do reconhecimento mútuo não se pode construir com base na violência e destruição, que acaba por ceifar vidas humanas. Não se pode pedir reconhecimento, aniquilando o outro, porque a única coisa que isso gera é maior violência e divisão. A violência clama violência, a destruição aumenta a fratura e a separação”, lembrou, concluindo: “Estas atitudes são como lava de vulcão que tudo destrói, tudo queima, deixando atrás de si apenas esterilidade e desolação. Em vez disso, procuremos o caminho da não-violência ativa, ‘como estilo de uma política de paz’. Nunca nos cansemos de procurar o diálogo para a unidade”.

Depois desta Missa, Francisco almoçou com alguns representantes da comunidade local e depois regressou a Santiago, capital do Chile. Ainda esta quarta-feira, em Santiago, houve um encontro com jovens e depois uma visita à Universidade Católica. Quinta-feira, após o fecho desta edição, Francisco iria visitar Iquique, antes de partir para o Peru, na quinta-feira, dia 18, onde ficaria durante o resto desta sua 22ª viagem apostólica internacional, regressando a Roma esta segunda-feira, dia 22 de janeiro.

 

2. O Papa Francisco encontrou-se na terça-feira, dia 16, em Santiago do Chile, com vítimas de abusos sexuais cometidos por padres, anunciou o Vaticano. De acordo com o porta-voz da Santa Sé, Greg Burke, o encontro decorreu na Nunciatura Apostólica Chilena. “O Santo Padre reuniu-se na Nunciatura Apostólica de Santiago do Chile, após o almoço, com um pequeno grupo de vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes. O encontro decorreu de forma estritamente privada e não havia mais ninguém presente: apenas o Papa e as vítimas. Deste modo, puderam contar os seus sofrimentos ao Papa Francisco, que os escutou, rezou e chorou com eles”, disse o porta-voz aos jornalistas.

 

3. Este segundo dia da visita do Papa ao Chile, na terça-feira, iniciou-se com o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, além da visita de cortesia à presidente. “Tendes pela frente um desafio grande e apaixonante: continuar a trabalhar para que a democracia, o sonho dos vossos pais, não se limite aos aspetos formais, mas seja verdadeiramente um lugar de encontro para todos”, desejou. Seguiu-se a Missa campal em Santiago, no Chile, onde participaram cerca de 400 mil pessoas, com Francisco a evocar os que trabalham pela unidade e que “são capazes de sujar as mãos e trabalhar para que outros vivam em paz”. O Papa elogiou ainda o povo chileno e a sua tenacidade e capacidade para fazer frente a situações difíceis. Num país muito dado a instabilidade sísmica, tendo sofrido 11 sismos nos últimos quatro anos, sete dos quais acompanhados de tsunamis, Francisco recorreu a esse exemplo para ilustrar o seu ponto. “Como é perito o coração chileno em reconstruções e novos inícios! Como vós sois peritos em levantar-vos depois de tantas derrocadas! A este coração, faz apelo Jesus; para este coração são as bem-aventuranças”, disse.

Após esta celebração, o Papa visitou um estabelecimento prisional de mulheres. Diante de Francisco, uma reclusa, Janeth Zurita, reconheceu que ela e as suas companheiras fizeram mal. “Papa Francisco, pedimos perdão aos que ferimos com os nossos delitos. Sabemos que Deus nos perdoa, mas pedimos à sociedade que nos perdoe também”. Em resposta, o Papa disse que “ser privadas de liberdade não é o mesmo que ser privadas de dignidade. Por isso, é necessário lutar contra todo o tipo de clichés, de rótulos que digam que não se pode mudar, ou que não vale a pena, ou que o resultado é sempre o mesmo. Não, queridas irmãs! Não é verdade que o resultado é sempre o mesmo. Todo o esforço que se fizer lutando por um amanhã melhor – embora muitas vezes pareça que cai em saco roto –, sempre dará fruto e será recompensado”, assegurou Francisco.

Num encontro com os religiosos, o Papa garantiu ainda que os fiéis não precisam que eles sejam perfeitos: “O povo de Deus não espera nem precisa de super-heróis, espera pastores, pessoas consagradas, que conheçam a compaixão, que saibam estender uma mão, que saibam parar junto de quem está caído”.

 

4. O Papa chegou ao Chile na noite de segunda-feira, 15 de janeiro, sendo saudado por milhares de pessoas nas ruas de Santiago. Francisco foi recebido no aeroporto pela presidente chilena cessante, Michelle Bachelet, e recebeu um ramo de flores oferecido por três crianças. Depois viajou num papamóvel aberto pelas ruas da cidade de Santiago do Chile. Ao longo do caminho foram muitas as pessoas que acenaram ao Romano Pontífice ao longo da estrada. À chegada ao edifício da Nunciatura, onde iria descansar após a longa viagem, o Papa saudou um grupo de crianças que o aguardava.

Na viagem de avião até ao continente americano, o Papa disse temer uma guerra nuclear. Questionado pelos jornalistas se temia a possibilidade de uma guerra nuclear, Francisco respondeu: “Penso que estamos num limite. Tenho muito medo disso. Um incidente apenas pode ser suficiente para precipitar as coisas. É preciso eliminar as armas nucleares, trabalhar pelo desarmamento”.

 

5. Ainda em Roma, o Papa Francisco lançou, no Domingo, 14 de janeiro, mais um apelo à hospitalidade para com os refugiados, acreditando que “pecar é desistir do encontro com o outro”. “Todo o imigrante que bate à nossa porta é uma oportunidade para conhecer Jesus Cristo, que se identifica com o estrangeiro de qualquer época, acolhido ou rejeitado”, disse o Papa, na Missa solene celebrada na Basílica de São Pedro em Roma, na comemoração do 104º Dia Mundial dos Migrantes e dos Refugiados.

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