Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Cristãos no tempo

Facilmente idealizamos o passado, como facilmente o diabolizamos.

Uns dizem que no passado tudo funcionava na perfeição: seja porque enfrentam dificuldades no presente e se recordam de um qualquer momento feliz que viveram e tendem a generalizá-lo; seja porque lhes falaram desse tempo passado como idílico; seja, muito simplesmente, porque as dificuldades já passaram e foram esquecidas, enquanto que as do presente não podemos deixar de as enfrentar.

Outros, ao contrário, pensam que tudo está tão mal que, no futuro, nada mais pode existir senão melhoras. Como se estivéssemos condenados ao progresso. Como se o mundo tivesse, necessária e automaticamente, que melhorar em cada dia que passa. No passado, ao invés, tudo é pensado como dificuldades, injustiças, sujeições, opressões.

Outros, ainda, navegam pela vida como se o mundo começasse com o seu nascimento e antes nada mais existisse senão trevas e ignorância – ou, simplesmente, nada. Nem sequer se colocam a questão do “de onde vimos?”, de tal modo se encontram ofuscados pelas novidades que aí estão, e enamorados pelo que começa agora.

Não creio que qualquer destas opções seja saudável.

Não é verdade que o passado tenha sido perfeito. Não é verdade que tudo se resolvesse bem. Nem sequer (tenho a certeza), gostariam estes idealizadores do mundo passado de por lá viver. Também não é verdade que no passado tudo tenha sido tão mau que apenas nos reste passar uma borracha, esquecê-lo ou fazê-lo desaparecer como se não tivesse existido. Tal como é desastroso não sabermos de onde vimos e como o mundo daqueles que viveram antes de nós influenciou o nosso modo de existir.

Não podemos ignorar o passado, o seu modo de viver e a forma como tanto daquilo que hoje nos rodeia se explica a partir de acontecimentos já sucedidos. Do mesmo modo, também não podemos esperar tudo, simplesmente, do futuro, como se nada mais nos restasse que esperar uma qualquer “manhã de nevoeiro”.

Deus oferece-nos o presente para que o vivamos com responsabilidade. Confia em nós para enfrentar os problemas que hoje se nos colocam, com a consciência de que, ao fazê-lo estaremos também a escrever o tempo que aí vem.

Certamente, nós, cristãos, não podemos deixar de olhar para o acontecimento histórico da morte e ressurreição do Senhor e encontrar nele tudo quanto Deus nos tem a dizer, o definitivo de Deus no tempo que passa. E, da mesma forma, não podemos deixar de olhar para o futuro e esperar dele o regresso do Salvador e com Ele (apenas com Ele) os novos céus e a nova terra. Mas é hoje que o Senhor nos confia a realidade em que vivemos. É desta realidade que somos responsáveis. É desta realidade – da salvação nossa e dos nossos contemporâneos – que havemos de responder diante do Senhor.

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