Editorial |
P. NUNO ROSÁRIO FERNANDES
‘Jornalismo de paz’
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No dia em que fechámos a última edição deste jornal, foi publicada a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Com o tema «"A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz», o Santo Padre reflete  sobre a questão da alteração da verdade, ou as denominadas ‘fake news’.

Explicando que estas geralmente dizem respeito “à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais” e aludem a “informações infundadas baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário”, Francisco aponta que a sua divulgação “pode visar objectivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros económicos”, e que a sua difusão pode contar com “um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento”.

Assim, numa tentativa de ajudar o consumidor de notícias a reconhecer as ‘fake news’, o Papa argentino lembra, em primeiro lugar, que “nenhum de nós se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades”. Por isso, exalta as “iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento”, e apela ao desmascarar de “uma lógica, que se poderia definir como a «lógica da serpente», capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estratégia utilizada pela serpente – «o mais astuto de todos os animais», como diz o livro do Génesis”, explica. Justificando esta curiosa aproximação o Papa Francisco acentua: “nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos”.

Perfeitamente conhecedor desta realidade, o Papa Francisco lembra que as ‘fake news’ tornam-se virais e propagam-se “com grande rapidez e de forma dificilmente controlável”, e salienta a necessidade de “educar para a verdade”, o que significa “ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem «mordendo a isca» em cada tentação”.

Na opinião do Papa, para fazer face a esta realidade, o antídoto mais radical ao vírus da falsidade “é deixar-se purificar pela verdade”, o que passa pela “vida inteira”.  “A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único «verdadeiro» é o Deus vivo”, afirma. Neste sentido, o Pontífice suporta ainda que, “para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor”.

Neste contexto, o Papa Francisco, dirigindo-se aos que diariamente trabalham as notícias, deixa um apelo: “Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias. No mundo atual, ele não desempenha apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. No meio do frenesim das notícias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audience, mas as pessoas. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz”. “Por isso desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos. Pelo contrário, penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos”.

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