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Arcebispo de Lahore, Paquistão, denuncia em Lisboa perseguição aos cristãos
Vidas ameaçadas
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D. Sebastian Shaw esteve em Lisboa e participou numa vigília de oração, em Missas e até em eventos culturais, como a apresentação do livro “A Cruz Escondida”. Em todas as ocasiões denunciou a situação extremamente precária e perigosa em que vivem os cristãos no seu país. No Paquistão, disse o Arcebispo de Lahore, os cristãos estão na mira de grupos fundamentalistas. A ameaça é real e constante.

Quase todos os padres no Paquistão já foram ameaçados. Ou por telefone, ou através de cartas anónimas, ou directamente, cara a cara. Muitos já foram mesmo agredidos. Querem obrigá-los a renunciarem ao cristianismo, querem convertê-los ao islão. A ameaça é real e constante. Nos últimos dias, D. Sebastian Shaw, Arcebispo de Lahore, no Paquistão, esteve em Lisboa tendo participado em eventos culturais, celebrações religiosas, concedeu várias entrevistas a meios de comunicação social e participou até numa vigília de oração. Em todas as ocasiões denunciou a situação extremamente crítica em que se encontram os cristãos no seu país. Uma situação crítica que é o resultado não só da violência exercida por grupos extremistas como pela crescente islamização do poder que se reflecte, por exemplo, na forma tantas vezes arbitrária como é invocada a ‘Lei da Blasfémia’.

 

A mordaça legal

Esta lei tem permitido prender ou condenar elementos da comunidade cristã e de outras minorias religiosas no Paquistão por, alegadamente, terem insultado o profeta Maomé ou o Corão. O caso de Ásia Bibi – a cristã paquistanesa, mãe de cinco filhos, que foi condenada à morte por ter bebido um copo de água de um poço, situação que a Fundação AIS tem denunciado ao longo dos últimos anos – é exemplo flagrante da iniquidade desta legislação. Em muitas aldeias no Paquistão, especialmente nas zonas rurais, a ‘Lei da Blasfémia’ é invocada por vezes para resolver disputas pessoais, questões de terras ou mesmo desavenças entre vizinhança. A minoritária comunidade cristã, que se confunde normalmente com os mais pobres dos pobres da sociedade paquistanesa, tem sofrido constantemente por causa desta lei, situação que se tem agravado nos últimos tempos com o governo do Paquistão a depender de partidos islâmicos que transportam consigo uma linguagem cada vez mais radical. Como sublinhou D. Sebastian Shaw, os cristãos são, muitas vezes, vistos como “cidadãos de segunda” neste país asiático, o que se reflecte por exemplo na dificuldade em acederem ao mundo do trabalho em condições de igualdade com os muçulmanos.

 

“Procura-se varredor…”

“A maior parte dos cristãos paquistaneses”, afirmou o prelado, “são agricultores muito pobres, ou trabalhadores fabris ou empregados nos serviços de limpeza”. Sendo uma minoria religiosa sem poder económico, são naturalmente discriminados e estão por isso relegados para os lugares mais baixos da estrutura social. Em março do ano passado, um jornal paquistanês publicava um anúncio onde se procurava – com toda a ‘naturalidade’ – “um varredor, de preferência cristão ou hindu”… Por tudo isto, e como sublinhou o Arcebispo de Lahore, “a vida dos cristãos no Paquistão é muito desafiadora” nos dias que correm, por se tratar de uma comunidade extremamente pequena – apenas cerca de 2 por cento da população – muito pobre, inculta e indefesa. Na Vigília de Oração pelos cristãos perseguidos, a que presidiu na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, no passado sábado, 27 de janeiro, o prelado lembrou os exemplos recentes da violência que se abateu contra a comunidade cristã no seu país. Uma violência que demonstra, só por si, que os cristãos “são um alvo de grupos fundamentalistas”. Em dezembro do ano passado, por exemplo, um atentado contra uma igreja cristã metodista, em Quetta, saldou-se em 9 mortos e mais de meia centena de feridos. Alguns meses antes, em fevereiro, uma dezena de ataques terroristas provocaram mais de 130 mortos e quase quatro centenas de feridos.

 

“Verdadeiras prisões”

A situação é tão complexa e a ameaça tão presente que D. Sebastian comparou atualmente as igrejas e as escolas do Paquistão a “verdadeiras prisões” pela necessidade de se protegerem das ameaças constantes que se fazem sentir sobre a comunidade cristã. “Hoje em dia, temos de fazer muros muito altos e com arame farpado e câmaras de vigilância nas nossas igrejas e escolas. E temos de ter, também, guardas de dia e de noite. Não temos qualquer alternativa.” Segundo o Arcebispo de Lahore, “as ameaças de ataques terroristas” obrigaram até a colocar, em muitas igrejas, “detectores de metais”. Esta situação, esta ameaça permanente, tem colocado também à prova a coragem desta comunidade. No entanto, nada parece intimidar os cristãos. Nem as ameaças, nem a ‘Lei da Blasfémia’, nem os ataques terroristas. Neste país asiático, a questão da fidelidade religiosa é levada mesmo muito a sério. Sem vacilações. “Não temos opção”, disse D. Sebastian. Referindo-se expressamente aos terroristas, aos radicais islâmicos que têm semeado o terror entre a comunidade cristã nos últimos anos, o Arcebispo de Lahore afirmou que “Deus quer que os cristãos sejam a luz do mundo também no Paquistão para com as pessoas que vivem na escuridão e não têm misericórdia”.

 

“Muito obrigado…”

Os atentados de fevereiro e de dezembro do ano passado são como que um aviso. Uma lembrança do que aconteceu e do que estará para vir. A ameaça é concreta e ninguém está a salvo. Todos sabem disso. Mas os cristãos, apesar de todos os riscos que correm, continuam a encher as igrejas aos domingos, continuam a rezar em público, continuam a dar um exemplo de coragem absolutamente comovente. Atacados, os cristãos paquistaneses respondem apenas com as suas orações. São exemplo para o mundo, são exemplo para nós. Agradecendo o apoio que a Igreja do Paquistão tem recebido a nível internacional da Fundação AIS, e muito especialmente a ajuda que resulta da generosidade dos benfeitores portugueses, o Arcebispo de Lahore reafirmou que os cristãos têm um papel essencial na construção de uma sociedade melhor. No Paquistão, em Portugal e em todos os países do mundo. “Nós, os Cristãos, somos fazedores de paz, somos sementes de paz”, afirmou, sábado passado, perante cerca de duas centenas de pessoas que se juntaram na vigília de oração na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, promovida pela Fundação AIS. “No Paquistão somos confrontados com grupos radicais que querem islamizar o nosso país e o mundo inteiro. Nós, cristãos, não temos medo. Não queremos guerra, não reagimos. Somos fazedores de paz.”

 

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Lançamento do livro “A Cruz Escondida”

Mais de uma centena de pessoas participaram na passada segunda-feira no Salão Paroquial da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, na sessão de lançamento do livro “A Cruz Escondida”, que reúne textos publicados pela Fundação AIS ao longo dos últimos anos no Jornal VOZ DA VERDADE, do Patriarcado de Lisboa. O livro foi apresentado por D. Sebastian Shaw, Bispo de  Lahore, no Paquistão, numa sessão que contou ainda com a presença da diretora da Fundação AIS, Catarina Martins, do diretor do semanário diocesano, Padre Nuno Rosário Fernandes, e do autor, Paulo Aido.

 

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A Cruz Escondida

70 ANOS, 70 ROSTOS, 70 HISTÓRIAS

Este livro é uma compilação de artigos da Fundação AIS publicados ao longo dos últimos anos no jornal “Voz da Verdade”, o semanário oficial do Patriarcado de Lisboa. “A Cruz Escondida” leva-nos ao encontro de 70 rostos, de 70 histórias de homens, mulheres e crianças que representam, em tantos lugares do mundo, o drama dos Cristãos  perseguidos, da Igreja que sofre. “A Cruz Escondida” retrata as lágrimas e o sofrimento, mas também a alegria e a esperança destes Cristãos. É por eles, é por causa deles que existe a Fundação AIS.

 

Autor: Paulo Aido; Preço: 15 ¤

O livro pode ser encomendado à Fundação AIS (217 544 000 | www.fundacao-ais.pt).

Brevemente, o livro estará disponível também na Livraria Nova Terra, no Patriarcado de Lisboa, e na Paróquia de Benfica.

 

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que sofre; fotos por Fundação Ajud
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