Missão |
Antonieta Pessoa, Equipa d’África
Viver todos os dias com o coração aberto e voltado para os outros
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Antonieta Pessoa nasceu a 31 de julho de 1992 na Maternidade Bissaya Barreto em Coimbra. É licenciada em Reabilitação Psicomotora pela Faculdade de Motricidade Humana. No final de 2014 conheceu a Equipa d’África. Já esteve em missão em Moçambique, por duas vezes, e também em Portugal.

Um espaço de partilha, de oração, de segurança e sobretudo de amor

Considera que teve uma infância e adolescência “feliz e tranquila” com os pais e irmão que considera “essenciais” na sua caminhada, “pelos valores e prioridades que transmitiram enquanto crescia, e pela forma como foram aceitando as decisões e sendo apoio, após ter vindo para Lisboa”. Diz-nos que existiram alguns marcos que foram determinantes para a pessoa que é hoje: “desde que me lembro, e muito por influência do meu pai, tive a vontade de sair de casa cedo, de ter outras experiências fora daquilo que era a minha zona de conforto e do que me era familiar. Então, em 2011, vim viver para Lisboa, depois de ter entrado na faculdade. Nos anos de faculdade fui encontrando outras famílias, nas pessoas com quem partilhei casa, nos colegas de turma que também estavam deslocados. Durante os anos de faculdade, a minha mãe teve um problema de saúde, o que de alguma forma também foi impulsionador da minha entrada na ‘Equipa d’África’. Não foi fácil estar afastada da família numa altura em que precisavam da minha presença, e na Equipa tinha um espaço de partilha, de oração (da qual estava afastada), de segurança e, sobretudo, de amor”.
Todo o seu percurso académico foi realizado em Coimbra até entrar na Faculdade de Motricidade Humana em 2011, na licenciatura em Reabilitação Psicomotora que terminou em 2014. “Aqui, entre outras coisas, encontrei e experimentei uma visão de cuidar, de nos apaixonarmos pelas diferenças e pelas fragilidades, não as ignorando. Por outro lado percebi que estas podem ser fomentadoras da relação, tornando-nos mais tolerantes, capazes de aceitar e trabalhar com a dificuldade, e estar disponíveis para os outros, com todas as suas caraterísticas, amando-as por e apesar delas”, partilha. Foi batizada em Cantanhede, em 1993,  e aos 8 anos fez a Primeira Comunhão. “A partir daqui fiz um caminho mais afastado, deixei de procurar conhecer mais e de estar disponível para O sentir. Até chegar à Equipa d’África e perceber que um caminho acompanhado pela Sua presença é um caminho tão mais agradecido, tão mais iluminado”, partilha.

 

“É um ciclo de bondade e transformação!”

Após terminar a licenciatura, no final de 2014, conheceu a Equipa d’África através de uma amiga. Conta-nos que procurava uma experiência que lhe oferecesse um desafio e onde pudesse crescer “e encontrar propósito num futuro que ainda parecia muito incerto”. No seu primeiro ano “intenso de formação” na Equipa d’África, diz-nos que foi “extremamente bem acolhida” e que recebeu “testemunhos de entrega à equipa mas, sobretudo, à missão”. No fim desse ano tinha “uma imensa vontade de partir em missão, de viver todos os dias com o coração aberto e voltado para os outros”. Esteve então um mês e meio em Entrelagos, no Niassa, Moçambique. “Aí pude experimentar uma plenitude como ainda não tinha sentido. O regresso não foi fácil, de tal forma que me afastei da Equipa durante uns meses, pois apesar de ter regressado fisicamente, ainda continuava na missão. Voltei à Equipa, agarrada pelas pessoas, que levam o ‘tamos juntos’ muito a sério”, conta Antonieta.

No final do segundo ano, depois de testemunhar a sua missão, a jovem de Coimbra voltou a propor-se para partir. “Fui para Maúa, Moçambique, com a Marta, Tomás e Joana. Voltou aquele sentimento de completa sintonia, entre o que o coração pedia e o que estava a viver. Ter o foco só e apenas na missão, viver em entrega, em oração, para o serviço e uma vida em comunidade voltou a deixar-me em comunhão com Deus, que estava presente no mais pequeno pormenor, com um sentimento de propósito e de estar no sítio certo. Num terceiro ano, continuei a sentir que ainda tinha lugar para crescer, tinha ainda que aprender a ver missão no meu dia-a-dia, nas minhas atitudes, nas minhas vontades, deixando de ver a missão como um fim a chegar, depois de um ano de formação, mas sim uma missão na forma como estou com Deus, na forma em como me relaciono com quem partilho os meus dias e no amor que ponho naquilo que faço, pois se em missão é transformador, porque não passar a sê-lo todos os dias?”, questiona a jovem Antonieta Pessoa, recordando a sua terceira partida em missão, mas, desta vez, em Portugal. “No final desse ano parti em missão, durante 2 semanas, para Vale de Água e São Domingos em Santiago do Cacém, Portugal, com o Diogo, a Inês e a Patrícia. E aqui foi mais uma lição gigante de como ser feliz na simplicidade dos dias. De como há pessoas que dão tanto de si pelos outros, abdicam das suas necessidades para ajudar a que outros não as tenham, abrem-nos as portas de suas casas e recebem-nos em alegria e festa. Foram duas semanas em que de manhã ajudávamos no Centro de Dia e na Casa do Povo de Vale de Água e em São Domingos, e à tarde estávamos com as crianças e jovens em dinâmicas de grupo. Esta é a missão em Portugal em que mais vezes estivemos presentes e isso é notório na forma como nos acolhem. Sentimo-nos em casa desde o primeiro momento. Mas o desafio também é elevado já que a camisola que levamos vestida ali representam anos de memórias, quase ‘tradições’”, recorda Antonieta.

Depois de sublinhar a experiência apreendida ao contemplar a “beleza em viver apenas com o que é fundamental”, Antonieta reconhece que existe uma pessoa “antes” e “depois” de conhecer a Equipa d’África. “Apesar de me ser difícil perspetivar um fim para a minha caminhada na Equipa, sei que ela não terminará em mim, muito pelo propósito que me trouxe, pelos pilares em que agora assento as minhas opções, pelo poder transformador que tem na vida de quem por cá passa, e depois nas vidas que essa pessoa tem consigo, logo é um ciclo de bondade e transformação! Em maior ou menor escala, na minha opinião, ninguém passa pela Equipa e fica igual”, frisa.

 

 

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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