Lisboa |
Encontro com os catequistas da Vigararia de Torres Vedras
“A catequese serve para transmitir que Jesus está no meio de nós”
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No encontro que reuniu os catequistas das 20 paróquias da Vigararia de Torres Vedras, no passado dia 2 de fevereiro, em Penafirme, D. Manuel Clemente sublinhou a importância de fazer eco das palavras e gestos de Jesus e agradeceu o trabalho “imensurável” feito pelos catequistas – “a primeira linha de evangelização”.

Os primeiros anos de catequese, nos claustros da Igreja da Graça, em Torres Vedras, o ambiente familiar e a simplicidade com que lhe apresentaram Jesus. Foi assim – com o relato da própria catequese, na década de 1950 – que o Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente começou por se dirigir aos catequistas da Vigararia de Torres Vedras. Num encontro que decorreu na sexta-feira, dia 2 de fevereiro, no auditório do Externato de Penafirme, inserido na Visita Pastoral à Vigararia de Torres Vedras, o Cardeal-Patriarca sublinhou a proximidade com que, ainda muito novo, foi ouvindo falar de Jesus. “A catequese não era um conjunto de fórmulas, embora tivesse doutrina, claro. Também não era um conjunto de ‘aulas’ - uma palavra que não se aplica nada à catequese. Era uma transmissão completa da vida da Igreja, de onde sobressaía uma Pessoa: a Pessoa de Jesus Cristo”, apontou.

Perante uma assembleia maioritariamente feminina, D. Manuel Clemente reiterou o que deve ser a essência da catequese. “A catequese serve para isto: para transmitir que Jesus está no meio de nós. Sabendo isto, tudo muda de aspeto: a saúde, a doença, a morte”. E clarifica: “A palavra ‘catequese’ significa fazer eco: eco do que Jesus disse e do que Jesus fez. Quem sabe que Jesus está no meio de nós é cristão” – referiu várias vezes –, e é essa a mensagem que os catequistas devem transmitir aos mais novos. A utilização de meios audiovisuais, a realização de atividades e de outros métodos pedagógicos podem ajudar – diz – , mas são sempre instrumentos, com um papel secundário.

 

Envolvimento

Numa Vigararia com 20 paróquias e 60 centros de catequese, onde se contabilizam 506 catequistas e 3.132 crianças e jovens, a responsável vicarial pela catequese, Esmeralda Arsénio, partilhou a sua preocupação em relação ao envolvimento das famílias na educação cristã das crianças. Citando o Papa Francisco e o seu desejo de que a igreja seja “uma família de famílias”, pediu a todos que refletissem sobre o envolvimento dos pais na Igreja e lamentou a existência de catequese familiar em apenas quatro paróquias da Vigararia. “Num concelho com 80 mil habitantes, há ainda 5000 crianças a quem não chegámos”. E frisou: ”Estamos felizes pelo trabalho feito, mas queremos fazer chegar Jesus ao coração de mais.”

 

O exemplo de São Paulo

Ao longo de uma intervenção de mais de meia hora, D. Manuel Clemente debruçou-se sobre a conversão de São Paulo, que descreve como “um óptimo catequista”. O homem, que antes perseguia cristãos, muda de vida a caminho de Damasco quando se encontra com Jesus. “A presença de Cristo Ressuscitado tomou conta dele”, sublinhou o Cardeal-Patriarca. E explicou: “A catequese de Paulo vai ser esta: chega a uma localidade, vai ter com os judeus, quer seja na sinagoga, ou noutro sítio, e anuncia Jesus. E assim se vão formando comunidades cristãs.”

Nas cartas de São Paulo e nos Atos dos Apóstolos – referiu D. Manuel Clemente – conseguimos perceber o que é a catequese. São Paulo vai mostrando como o encontro com Jesus mudou a sua vida, ao mesmo tempo que vai deixando algumas dicas: como é, por exemplo, tão importante captar a atenção do ouvinte para fazer passar a mensagem. D. Manuel Clemente alertou ainda para a necessidade de olhar para o atual contexto social – hoje há muitas crianças que crescem sem referências cristãs. “Antes fazia-se missão Ad gentes (lá fora). Agora, a missão também tem de ser feita cá”, sublinhou.

A catequese não pode esquecer o papel da família, “como modelo da comunidade cristã”. Referindo a Exortação Apostólica pós sinodal Amoris Laetitia, do Papa Francisco, D. Manuel Clemente descreveu o ambiente familiar em que Jesus cresceu e a sua importância na relação com Deus e com os irmãos. “Certamente na relação que teve com José, Jesus foi-se apercebendo da relação absoluta com o Pai”, afirma. E conclui: “A experiência familiar de Jesus é a base da experiência total que Jesus nos propõe como família de Deus, na construção do reino”.

Durante o encontro, o Cardeal-Patriarca também elogiou o papel dos catequistas nas comunidades cristãs. “Pelos 7 mil catequistas que conheci em Lisboa e pelos 10 mil do Porto, estamos a falar de homens e mulheres que todas as semanas se dedicam a este serviço, quer tenham ou não problemas em casa. Isto tem um valor imensurável. Prezo muito os catequistas, que são a primeira linha de evangelização”, destacou.

texto por Ana Catarina André; fotos por Jornal Badaladas
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