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Força da Natureza
A Força depois do fogo
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A Vigararia de Cascais pôs mãos à obra. Após os trágicos incêndios de outubro de 2017, mais de 200 voluntários já estiveram em zonas afetadas pelos fogos para “dar a mão” a quem perdeu muito. No regresso, todos garantem ter trazido para casa muito mais do que levaram.

O desejo de acudir quem estava a braços com o fogo surgiu logo após as chamas terem varrido Oliveira do Hospital, no fatídico dia 15 de outubro. Com familiares a viverem na região, Michela Vaz Patto não conseguiu ficar em casa, indiferente, e fez-se à estrada para levar a pouca ajuda que conseguira reunir, algumas roupas e alimentos. Logo se apercebeu da dimensão da tragédia e da urgência em levar mais braços para ajudar no tanto que havia para fazer. Falou com uma amiga, essa passou palavra a outra, dali formou-se um pequeno grupo da Paróquia de Cascais e do Estoril e, em poucos dias, Michela regressava ao terreno com mais duas pessoas, Catarina e Andreia, para, reunirem com as entidades locais e, em conjunto, identificarem as principais necessidades e estruturarem uma resposta conjunta.

Assim nasceu a Força da Natureza, uma missão de apoio às populações afetadas pelos incêndios, cujo principal objetivo é enviar voluntários para as zonas ardidas para colaborarem nas ações de reconstrução. O repto é deixado a todos os que sentem interpelados pelo drama que viveram tantas famílias, sejam católicos ou não: “Dás uma mão a quem esteve a braços com o fogo?”, desafia a organização.

 

Missão dos leigos

O primeiro grupo de voluntários (a que se dá o nome de expedição) foi para Oliveira do Hospital nos dias 17, 18 e 19 de novembro, de novo com Michela a encabeçar um pequeno grupo de jovens, todos regressados a casa “com a certeza de ter trazido mais do que levaram”. Nesse mesmo fim de semana em que a Igreja assinalou pela primeira vez o Dia Mundial dos Pobres, a missão da Força da Natureza foi apresentada publicamente na Vigararia de Cascais, aproveitando o repto deixado pelo Papa Francisco para este dia simbólico - “amemos mais com obras do que com palavras”. O pároco de Cascais, Padre Nuno Coelho, apoiou de imediato esta ideia dos leigos, e, sendo vigário da Vigararia de Cascais, achou por bem estendê-la às restantes paróquias, de forma a garantir uma missão mais estruturada e prolongada no tempo. “Esta é uma missão dos leigos”, gosta de sublinhar, acrescentando que as únicas exigências que fez aos organizadores deste projeto foi que garantissem a transparência e facilidade do processo, de modo a que qualquer um se pudesse voluntariar. E, claro está, de que toda a ação no terreno pudesse refletir uma dimensão espiritual e pastoral.

Da segunda expedição, que se dividiu entre Oliveira do Hospital e Seia, Catarina Pereira de Melo, outra voluntária que está no projeto desde a primeira hora, sublinha o retorno em muito quando se dá algo de forma genuína e gratuita. “Quando escolhemos entregarmo-nos, dar a mão, partilhar o pouco que temos, o pouco que somos, tornamo-nos maiores, muito maiores, a dimensão da vida agiganta-se e passa a ter outro sentido, darmo-nos ao outro dá-nos vida, dá-nos o sentido da verdadeira VIDA”, afirma, destacando a forma como os próprios habitantes locais acolhem os voluntários que chegam.

 

Mais de 200 voluntários

Dois meses e meio depois do arranque da Força da Natureza, já foram enviados para o terreno mais de 200 voluntários, num total de 16 expedições, e apesar de a zona de intervenção se focar em Oliveira do Hospital, o concelho mais afetado pelos fogos do ano passado, já foram realizadas expedições noutros locais de Pedrógão Grande, Seia e Pampilhosa da Serra. “Os voluntários têm colaborado na organização, logística e distribuição de bens às populações, como alimentos, roupas, artigos de higiene ou para a casa, plantas, etc, em ações de limpeza de habitações e terrenos e em pequenas reconstruções”, explica Diogo Palhinha, um dos membros desta organização. Montagem de cercas para o gado, reconstrução de galinheiros, limpezas de espaços públicos obstruídos têm sido algumas das tarefas desenvolvidas nas freguesias de Oliveira do Hospital e Pampilhosa. Em Seia, os voluntários colaboraram em ações de contenção da erosão do solo, nas zonas declivosas da Serra da Estrela, onde a colocação de palha ajuda a prevenir o arrastamento de terras.

Diogo, também escuteiro do Agrupamento de Cascais do Corpo Nacional de Escutas, explica que a adesão à Força da Natureza de muitos grupos de escuteiros da região de Cascais e Oeiras permitiu desenvolver uma missão específica para estes jovens: a reabilitação dos trilhos pedestres de Oliveira do Hospital, uma zona nobre para o turismo de natureza. “Os escuteiros têm ajudado a limpar, desobstruir e sinalizar estes trilhos, em ações coordenadas com a autarquia. O objetivo é que estes percursos possam ficar transitáveis para que as pessoas voltem a usufruir deles, independentemente do negro da paisagem”.

O envolvimento dos grupos de escuteiros nesta causa foi crucial na primeira fase do projeto, uma vez que são grupos autónomos, com dinâmicas e modos de proceder próprios e ajustam-se com facilidade ao que lhes é pedido, mesmo que com pouca antecedência. As férias escolares do Natal foram, assim, um momento forte em que muitos jovens aderiram às ações.

 

Expedição em família

Mais recentemente, têm sido as famílias a juntar-se para irem ajudar. Andrea Consciência, o marido e os três filhos, dois rapazes de 16 e 14 anos, e uma rapariga de 10, estiveram em Oliveira do Hospital no mês de janeiro, integrando uma expedição que contou ainda com mais uma família (um casal e um filho), e dois senhores voluntários, que apenas se conheceram na véspera da partida. No fim de semana, colaboraram nos armazéns logísticos, na organização do banco alimentar, compondo os kits alimentares para distribuir nos dias seguintes e acompanharam o presidente da junta local na entrega de uma máquina de lavar roupa a um casal de idosos realojado e de uma bicicleta a uma família carenciada. Equipamento que foi financiado pela Força da Natureza.

No domingo, estiveram com Paulo Rogério, um dos pastores e produtores de queijo Serra da Estrela que mais prejuízos teve com o fogo, e ajudaram-no a erguer uma cerca para vedar o espaço onde as ovelhas pastam. “Almoçamos em casa do produtor (que serviu uma feijoada aos seus ajudantes), onde tivemos uma pequena noção da devastação do terreno, da enorme área afetada pelo fogo e do desespero em salvar vidas e animais”, conta Andrea, acrescentando que o pastor ainda lhes mostrou a queijaria, as ovelhas que tinham conseguido salvar e como decorre habitualmente todo o processo.

Já no regresso, de “coração cheio”, pais e filhos sublinham a importância da experiência em família e reconhecem que trouxeram para casa muito mais do que levaram. “A dedicação, e o espírito de entrega de quem nos recebeu vai ficar sempre na nossa memória”, acrescenta Andrea. A prova desta alegria é que, no próximo fim de semana, esta família já estará de volta ao terreno, desta vez trazendo amigos e mais familiares.

 

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Perguntas e respostas

 

1. Como colaborar na Força da Natureza?

Pode colaborar financeiramente, apoiando as angariações de fundos em curso (ver caixa ao lado), ou inscrever-se como voluntário e ir para o terreno trabalhar. Pode ainda apoiar esta missão com a sua oração.

 

2. O que é necessário para ajudar no terreno?

Basta inscrever-se no site http://forcadanatureza.paroquiadecascais.org, individualmente ou em grupo, escolhendo a data em que quer participar. A FN elaborará o plano de trabalho da expedição, tendo em conta as especificidades do grupo (idade, apetências, capacidades) e as necessidades locais. Cada expedição tem um chefe de missão, que não é ninguém da organização, uma vez que as expedições são autónomas. No local, há um interlocutor que orienta as ações, a quem as equipas de voluntários são confiadas.

 

3. Como é o alojamento, transporte e alimentação dos voluntários?

O alojamento é assegurado pela organização, gratuitamente, em regime de acantonamento em instituições locais, como bombeiros, casas paroquiais, etc.

As expedições deverão assegurar os custos com o transporte, havendo a possibilidade de os grupos com mais de 20 elementos usufruírem de um autocarro da Câmara de Cascais, que é parceira neste projeto. A alimentação também fica a cargo de cada voluntário.

 

4. Como contactar a Força da Natureza?

A FN é um grupo informal de voluntários que organiza as expedições, recebe as inscrições dos voluntários e orienta as ações no terreno. Tem um site (forcadanatureza.paroquiadecascais.org), página de facebook e email (forcadanatureza@paroquiadecascais.org).

 

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Campanha adote uma ovelha

Adote uma ovelha e ajude as famílias produtoras do queijo Serra da Estrela. É o desafio lançado pela Força da Natureza para minimizar os danos causados pelos incêndios que mataram mais de cinco mil animais na zona centro do país. “O objetivo desta campanha é adquirir 200 borregas da raça Serra da Estrela, que serão depois entregues à Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela. Durante dois a três meses serão alimentadas e engordadas e posteriormente entregues aos produtores mais atingidos”, explica Pedro Parente João. Com esta ajuda, os criadores poderão minimizar os danos e aumentar a sustentabilidade das suas empresas. Até ao momento, já foram "adotadas" 70 ovelhas.

Cada ovelha custa 70 euros e os doadores podem dar-lhe um nome. O donativo poderá ser entregue na Paróquia de Cascais em dinheiro, ou através do NIB 0018 0000 0737 2218 0016 4.

texto por Paróquia de Cascais; fotos por Força da Natureza
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