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“Que a homilia seja breve e bem preparada”
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O Papa Francisco pediu homilias “breves” e “bem preparadas” e saudou a participação das duas coreias nos Jogos Olímpicos de Inverno. No Vaticano foi apresentada a Mensagem para a Quaresma e, no passado Domingo, o Papa convocou uma jornada mundial de oração e jejum pela paz.

1. Nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, o Papa saudou a participação conjunta das Coreias nos Jogos Olímpicos de Inverno. Durante a audiência geral, Francisco sublinhou que "a tradicional trégua olímpica adquire este ano especial importância", porque “as delegações das duas Coreias vão desfilar juntas, sob uma só bandeira e vão competir como uma só equipa". "Isto traz-nos esperança num mundo em que os conflitos se resolvem pacificamente com diálogo e respeito recíproco, tal como o desporto nos ensina a fazer”, acrescentou. Na mesma ocasião, o Papa fez também um apelo relacionado com o Dia Mundial de Oração e Reflexão Contra o Tráfico de Pessoas, cujo tema deste ano é: “Migrações sem tráfico. Sim à liberdade! Não ao tráfico!”. Francisco recordou as poucas possibilidades de canais regulares de migração, facto que leva muitos migrantes a “aventurar-se por outras vias, onde os esperam abusos de todos os tipos, exploração e redução à escravidão”.

Em jeito de improviso, o Papa Francisco realçou a importância de se preparar a homilia. “Quantas vezes vemos que, durante a homilia, alguns adormecem, outros conversam ou saem para fumar um cigarro… Por isso, por favor, que a homilia seja breve e bem preparada”, pediu o Papa aos sacerdotes, diáconos e bispos.

 

2. “Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos”. Este é o título da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2018, divulgada pelo Vaticano, no passado dia 6 de fevereiro. No documento, o Papa deixa votos de que os seus apelos ultrapassassem as fronteiras da Igreja Católica, dirigindo-se a todos os que se preocupam com a “iniquidade no mundo” e o “gelo que paralisa os corações”, com a perda do sentido da humanidade comum. “Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão! Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes”, escreve o Papa. Neste contexto, “cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas”. Explica o Papa que “o que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro”; depois dela, “vem a recusa de Deus e, consequentemente, a violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expectativas”. O resfriamento do amor também atinge a terra, “envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte”.

Francisco aponta como remédio para estes males “o remédio doce da oração, da esmola e do jejum”. Porque a oração, ajuda o coração a “descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos”, a prática da esmola “liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão” e o jejum “tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento.

Neste caminho da Quaresma, Francisco volta a propor para os dias 9 e 10 de março, a iniciativa «24 horas para o Senhor», “que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística”.

 

3.  Após a recitação da oração do ângelus, no passado Domingo, o Papa Francisco convocou uma jornada mundial de oração e jejum pela paz, a 23 de fevereiro, a primeira sexta-feira da quaresma. Lembrando o trágico arrastar de situações de conflito em diversas partes do mundo, o Papa evocou em particular as vítimas dos conflitos na República Democrática do Congo e Sudão do Sul. "Dirijo um premente apelo para que também nós escutemos este grito e cada um, na sua consciência perante Deus, se interrogue: 'O que posso eu fazer pela paz?'. Seguramente, podemos rezar, mas não só: cada um pode, naquilo que depende de si, dizer concretamente 'não' à violência", exortou o Sumo Pontífice. Na mesma ocasião, o Papa voltou a alertar para a “cultura do descarte”. “Todos os dias se fazem mais leis contra a vida, todos os dias avança esta cultura do descarte, de deitar fora o que não serve, o que incomoda”, declarou o Papa, exortando todos a terem “cada vez mais consciência da defesa da vida, neste momento de destruição e descarte da humanidade”.

 

4. Durante uma homilia numa Missa que assinalou o Dia do Consagrado, no passado dia 2 de fevereiro, Francisco sublinhou como são paradoxais os votos dos consagrados, nomeadamente pobreza castidade e obediência. “Enquanto a vida do mundo procura acumular, a vida consagrada deixa as riquezas que passam, para abraçar Aquele que permanece. A vida do mundo corre atrás dos prazeres e ambições pessoais, a vida consagrada deixa o afeto livre de qualquer propriedade para amar plenamente a Deus e aos outros. A vida do mundo aposta em poder fazer o que se quer, a vida consagrada escolhe a obediência humilde como liberdade maior”, referiu Francisco. “E, enquanto a vida do mundo depressa deixa vazias as mãos e o coração, a vida segundo Jesus enche de paz até ao fim, como no Evangelho, onde os anciãos chegam felizes ao ocaso da vida, com o Senhor nos seus braços e a alegria no coração”, concluiu o Papa. Antes, Francisco já tinha insistido na necessidade de os consagrados não esquecerem os seus irmãos e irmãs nem alimentarem conflitos dentro da comunidade. “Convém lembrar-nos que não se pode renovar o encontro com o Senhor sem o outro: nunca o deixes para trás, nunca faças descartes geracionais, mas diariamente caminhai lado a lado, com o Senhor no centro. Porque, se os jovens são chamados a abrir novas portas, os anciãos têm as chaves”. “Não há futuro sem este encontro entre anciãos e jovens; não há crescimento sem raízes, e não há florescimento sem novos rebentos. Jamais profecia sem memória, jamais memória sem profecia; mas que sempre se encontrem”, pediu Francisco.

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