Missão |
Caetana Batista, Equipa d’África
“A missão acontece dentro de nós, fora de nós e connosco!”
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Caetana Batista nasceu a 28 de dezembro de 1996, em Lisboa, e cresceu em Beja. Fez parte do Grupo de Jovens Shemá e, em 2016, conheceu a Equipa d’África com quem partiu algum tempo depois para Moçambique, durante um mês e meio.

Dar os primeiros passos na fé

Os seus pais sempre foram católicos. A 6 de abril de 1997 foi batizada e, atualmente, quem a “acompanha neste caminho” é principalmente a sua irmã Carminho. Entrou na catequese no 1º ano e fez todo o seu percurso na Paróquia do Carmo, em Beja, mas diz-nos que sempre sentiu que “conhecia apenas um Jesus teórico, alguém bondoso das histórias do catecismo e que, segundo o que diziam, era o nosso melhor amigo”. “Mal sabia eu, que este Jesus era tão humano e tão próximo”, conta Caetana Batista. Considera que o primeiro ponto de viragem na sua vida foi quando fez o Convívio Fraterno nº 1194, em Setembro de 2012, na Diocese de Beja. “Foi neste retiro, considerado por muitos um mistério, que eu, pela primeira vez, ao comungar, descobri quem era o verdadeiro Jesus, Aquele que é alimento e que se faz Vivo dentro de nós… Deixei de ser eu, deixou de ser o pão, e passou a ser Jesus em mim. Logo de seguida fiz o Crisma, dando o meu ‘sim’ na confirmação do Batismo (6 de abril de 2013). comecei a dar catequese e entrei no meu primeiro Grupo de Jovens, os Jovens Shemá. Foi neste grupo, ligado à Fraternidade dos Irmãozinhos de São Francisco de Assis, que dei os primeiros passos na fé e onde me surgiu e surge cada vez mais, uma vontade de imitar a Cristo pobre e crucificado assim como Francisco e Clara”, recorda.

Quando terminou o 12º ano Caetana Batista foi estudar para Lisboa. “Entrei no curso de Ciências da Arte e do Património na Faculdade de Belas-Artes mas, passado um ano, Jesus voltou a falar comigo. Mostrou-me que mudar de cidade não era o mesmo que abandoná-l’O e que eu precisava de me encontrar verdadeiramente com Ele. Foi nesse momento que fiquei doente, tive de voltar para Beja e deixar os meus estudos em ‘stand by’. Naquele momento em que o meu corpo estava frágil, a oração entrou numa entrega tão grande que, quando dei conta, via que era o Espírito Santo que me movia e agia em mim”, lembra. Nesse momento foi reaberto, na sua paróquia, um grupo de jovens que há muito tempo estava ‘adormecido’, os Jopaca. Em 2016, quando voltou para Lisboa trazia uma certeza. “Em tudo aquilo que fizesse no meu caminho tinha de colocar, em primeiro lugar, Jesus e que precisava de algo, em Lisboa, que me desse sentido e onde eu derramasse o desejo e a vontade de servir… Só isso bastava”. Numa das suas idas ao CUPAV conheceu uma amiga que lhe falou “apaixonadamente” das suas missões em África. “Passado 1 mês desse dia, estava eu na reunião de apresentação da Equipa d’África (EA), e no mês de agosto seguinte, a fazer missão em Metoro, na Província de Cabo Delgado em Moçambique. Hoje em dia, ao contrário do ano passado, onde me sentia chamada ao silêncio e à oração neste grupo, fui desafiada a entregar aos novos voluntários um bocadinho daquilo que a EA me ensinou e continua a ensinar todos os dias”, partilha.

 

 

“Missão não é servir apenas segundo as nossas capacidades”

Sobre a sua experiência de missão, conta-nos na primeira pessoa: “voltar de Moçambique fez-me estar ainda mais grata pelas oportunidades que Deus me dá de ser amor. Sinto que foi um presente que Ele nos deu, a mim, à Marta, à Catarina, à Constança e à Filipa, para cuidar, durante 1 mês e meio, e para mostrar à comunidade de Metoro o brilho que eles têm, e que há alguém maior que os ama individualmente e que acredita verdadeiramente nos seus sonhos. Ao falar de sonhos, lembro-me dos jovens com quem eu passava mais tempo, e das qualidades que lhes tinham sido entregues. Penso nisto porque, por mais alegria que eles tivessem e que contagiassem, não acreditavam que fossem mais longe. E termos incentivado aqueles miúdos a colocarem os seus dons a render já valeu a pena, se fosse apenas a um, teria sempre valido a pena”. Um deles, o Agostinho, dizia: “Gosto tanto de pintar, que quando pinto até me esqueço que tenho fome”. “Aprendi, segundo Pe. Daniel, que na vida temos de descobrir os ‘ventos orera’ (bonito em macua), e que missão não é servir apenas segundo as nossas capacidades, é fazermo-nos instrumentos em tudo aquilo que é preciso e nos é mais difícil. Não fazê-lo como um sacrifício a Jesus, mas fazê-lo verdadeiramente gratos por ter a oportunidade de crescer, de quebrar os nossos receios, e de nos depararmos com o nosso ‘eu’ nu; fazê-lo com amor. No fundo, tudo se resume a uma passagem, a uma peregrinação na Terra. O segredo está em como passar, que rasto deixar. Não pode ser o nosso, tem de ser o rasto de quem permanecerá sempre aqui sem nos abandonar. E foi este o pensamento e aquilo que eu tive presente em Moçambique, que seja o rasto da Equipa d’África, que se lembrem da Equipa d’África e da alegria do que é tê-la presente, e principalmente a Equipa d’África que vem em nome de Deus. E descobri também, que não nos devemos preocupar com os frutos, e estarmos focados apenas em ver brotar flores daquilo que fazemos. Nada é nosso, e os frutos pertencem somente a Deus e ao seu tempo. Se deixarmos que seja o Espírito Santo a agir em nós, e a oração a fortalecer os nossos passos, basta-nos confiar e ter esperança n’Aquele que tudo faz, tudo constrói, tudo fortalece”, partilha a jovem Caetana, referindo que foi “fácil” chegar a Moçambique e ter vontade de fazer e mudar muita coisa. “Mas nada mudamos, apenas estamos, conhecemos e nos colocamos ao dispor para os motivar, e se for preciso ensinar. E isso vale mais que qualquer outra coisa, isso é ser Equipa d´África e faz toda a diferença numa comunidade como Metoro. Isso fá-los ir para casa mais confiantes e felizes, e fá-los acreditar que quando vamos embora, podem e sabem fazê-lo sozinhos. Contudo, seria muito vaidoso afirmar que esse foi o motivo de felicidade para aqueles que para mim, são o maior exemplo de alegria no simples do mais simples. Este simples e alegre só porque sim, leva-nos a tentar perceber quem é mais feliz? Quem se deita e acorda mais leve? Quem aproveita de facto a vida na sua integridade…? E estes pensamentos se desvanecem como uma das tantas viagens na caixa aberta, a observar o pôr-do-sol e os embondeiros, a ouvir os “salama” (olá), a apreciar a fusão de todas as cores numa só capulana, e principalmente, sem qualquer preocupação em cumprir horários ou abafar a nossa vida de atividades. O momento pleno sem tempo!”, partilha Caetana, assegurando que a “grande missão” da sua vida não é estar em Moçambique ou em Portugal. “É amar e viver plenamente entregue nas mãos do Senhor. A minha missão diária é descobrir lentamente, não onde eu quero ir missionar e até onde quero levar Jesus, mas aonde é que Jesus quer ir comigo. Na certeza que estarei sempre disposta a percorrer quilómetros, continentes, e oceanos para semear amor e ser luz. Ainda não sei o que é a missão, talvez não tenha uma definição… Deus age e, se nós deixarmos, a missão acontece. Dentro de nós, fora de nós e connosco. Talvez seja só uma ‘troca de corações’: Eu ofereço o amor que tenho, como o vejo e Vivo no meu dia-a-dia, e recebo o amor das pessoas que o têm na simplicidade, no pouco que é tanto. Pois é este pouco que é tão forte, que une, e que prevalece no meio de todas as diferenças culturais, que são respeitadas, equilibradas e fundidas num só. Entreguemo-nos plenamente a esta vida e ao único propósito que ela nos pede diariamente: amar e ser amado!”, desafia Caetana Batista.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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