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À procura da Palavra
Subir para descer
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DOMINGO II QUARESMA Ano B

“Este é o meu Filho muito amado:

escutai-O.” Mc 9, 7

Quem não gosta de ver a paisagem num miradoiro ou do alto de um monte? Tanto os olhos como a alma se extasiam quando se espraiam por um horizonte imenso, por um além que faz sonhar, pela descoberta do que era desconhecido. Os lugares altos foram sempre os preferidos para sinalizar as experiências religiosas, pois não é neles que quase se toca o céu? Ver de cima ou ver mais longe é tão necessário que até um amigo meu diz de um modo gracioso: “quando tenho a ‘casa’ cheia de problemas, subo um bocadinho ao sótão”!

Um lugar alto não só alarga o campo de visão, mas também desperta os ouvidos para a escuta, e liberta do bulício que enche de ruídos o quotidiano. E não é possível também a altura interior do pensamento e do espírito, concretizada pelo desejo de ver e escutar melhor? Altura de espírito que se alcança como o alpinista, que contava assim a sua conquista das montanhas mais altas: “primeiro lanço o coração para o pico da montanha, e depois é só o trabalho de levar o corpo ao seu encontro!” A intimidade e o recolhimento propiciam as grandes comunicações, os segredos revelados ao coração. Recordamos onde e quando recebemos uma declaração de amor, ou palavras que abriram futuros quando tudo parecia ruir, ou revelações que fizeram crescer amizades e compromissos.

Na Bíblia, do monte do dilúvio onde a arca de Noé repousou, ao monte do calvário onde o amor de Deus pela humanidade se manifestou plenamente, são numerosos os “montes” de revelação. Depois de Jesus passar pelo deserto, a quaresma conduz-nos ao monte da glória antecipada. Também Moisés e Elias tinham “visto Deus” no alto de outros montes. Tem sabor a Páscoa este “presente” de Jesus a Pedro, Tiago e João. Sem saber o que dizer, Pedro traduz o desejo de ficarem já ali, e nem precisavam de tendas! A palavra do Pai revela o amor pelo Filho e convida a escutá-l’O. Descendo do monte, descobrem que a fé não se vive “nas alturas”, nem com vestes luminosas, em “condomínios” aprazíveis, mas nas planícies das lutas quotidianas.

Se é preciso “subir” para ver e escutar melhor, também é fundamental “descer” para viver “novo”. Nenhuma revelação acontece para que tudo fique na mesma. Abre caminhos onde abismos ou muros pareciam intransponíveis, oferece meios para novos passos, sacia e desperta novas sedes. Não desistamos de subir aos montes onde se vê, respira e ouve melhor. Mas não esqueçamos que a vida acontece na renovação dos caminhos da planície, na conversão das escolhas e nas batalhas quotidianas. Não vemos como Deus faz resplandecer tudo quando descemos ao encontro dos outros?

            

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