Domingo |
À procura da Palavra
Encontros e desencontros
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DOMINGO III QUARESMA Ano B

“Foram precisos quarenta e seis anos

para se construir este templo

e Tu vais levantá-lo em três dias?”

Jo 2, 20

 

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Nesta frase de Vinícius de Moraes “encontro” o fio condutor para esta “procura” que vos ofereço. Pois de encontros e desencontros estão tão cheios os nossos dias. E se há mais e melhores vias de comunicação, nem sempre é fácil o encontro entre as pessoas. Mas esse é um dos nossos maiores desejos: encontrar e ser encontrado, como se estivéssemos a dizer: “amar e ser amado”!

A Bíblia mostra-nos Deus a tomar a iniciativa de vir ao nosso encontro. Vem passear com Adão e Eva ao entardecer, procura-os depois da desobediência, pergunta a Caim pelo seu irmão Abel, chama Abraão e faz aliança com um povo, escolhe Moisés e oferece as dez palavras de vida, consolida David e envia os profetas preparando a vinda de Jesus. Vem ao encontro para fazer festa, para perdoar as infidelidades, para responsabilizar nas escolhas, revelando um amor e uma esperança inesgotáveis. E o encontro ultrapassa tudo o que seria de esperar em Jesus encarnado, morto e ressuscitado.

Certamente o sinal mais visível da ligação de Israel a Deus, o lugar mais santo para se encontrar com Ele, era o Templo de Jerusalém. Edificado por Salomão, destruído por Nabucodonosor, reconstruído no regresso do Exílio: albergava as tábuas da Lei, ali se centralizava o culto e se faziam os sacrifícios, e era “a menina dos olhos da religião judaica”. Todo o judeu adulto devia ir, pelo menos uma vez na vida, ao Templo, e multidões afluíam a Jerusalém na altura da Páscoa. Também nele existia um átrio dos gentios, adoradores de Deus não submetidos às leis do judaísmo. Foi daí que Jesus expulsou vendedores e cambistas, recusando a transformação da “casa de oração do Pai” em “casa de comércio”. Não se pode encontrar o Pai em nenhum lugar onde o dinheiro é adorado; em nenhum coração que a ele se vende, em nenhuma vida escravizada pela ganância. A felicidade que o dinheiro promete tem o sabor amargo da tentação da serpente: “desencontra-nos” de Deus, de nós próprios, dos outros, e da própria vida!

As palavras de Jesus que acompanham o gesto profético indicam um novo “templo” e um novo culto. O encontro com Deus deixa de se fazer no “lugar sagrado” decorado com belas ofertas, passa pela “casa” dos filhos de Deus, o espaço familiar e fraterno da intimidade e da partilha, “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome” (Mt 18, 20), e torna-se pleno no “santuário” do seu Corpo, na comunhão de vida e de amor com Cristo. É o culto “em espírito e em verdade” (Jo 4, 24) anunciado à samaritana; encontro sem desencontros, com Deus e com os irmãos, dentro da vida toda em que nos damos totalmente. Recusando os falsos cultos de adoração do poder, do dinheiro e da fama, é possível o encontro filial com o Pai, fraterno e comprometido com os irmãos, responsável pelo mundo. De que amor estão cheios os nossos encontros?

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