Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Ser santo é para todos
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Na passada quarta-feira, 7 de março, foi anunciado pela Santa Sé que o Papa Francisco autorizou os Decretos que reconhecem os milagres atribuídos à intercessão dos Beatos Paulo VI e D. Óscar Romero. Segundo a Sala de Imprensa do Vaticano, o Papa Francisco já tinha anunciado, no passado mês de fevereiro, num encontro com os párocos de Roma, que “o Papa Paulo VI seria canonizado até ao final do ano” e, esta semana, surgiu então a confirmação oficial dessa notícia, com o acréscimo de outros nomes de novos santos para a Igreja.

É o caso de D. Óscar Romero, Arcebispo de São Salvador, nascido em 15 de agosto de 1917, tido como o Bispo dos Pobres e que foi assassinado na capital do seu país, em 24 de março de 1980. D. Óscar Romero foi beatificado apenas há três anos atrás, em 23 de maio de 2015 e, nessa altura, o Papa Francisco recordava-o como alguém que “em tempos de convivência difícil soube guiar, defender e proteger o seu rebanho, permanecendo fiel ao Evangelho e em comunhão com a Igreja inteira”.

O Papa Paulo VI, de nome Giovanni Battista Montini, originário do norte de Itália, foi colaborador direto do Papa Pio XII, depois nomeado Arcebispo de Milão, criado cardeal pelo Papa João XXIII e participou nos trabalhos preparatórios do Concílio Vaticano II. É depois eleito Papa, em 1963, e escreveu sete encíclicas. Foi também o primeiro Papa a fazer viagens internacionais, entre as quais Portugal. Paulo VI foi beatificado pelo Papa Francisco, em 19 de outubro de 2014. Nesse dia, afirmava Francisco: “Enquanto se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, ele soube reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor”.

Juntamente com estes nomes, que serão canonizados, isto é, que se tornam modelos públicos de santidade para Igreja, foram também apresentados outros nomes, aos quais são reconhecidos milagres e virtudes heróicas, que conduzem seja à beatificação seja à canonização.

Chamou-me à atenção o facto de que entre estes nomes, na maioria de sacerdotes e irmãs religiosas, fundadores de Congregações religiosas, surgem também duas mulheres leigas. Uma (Anna Kolesárová) a quem é reconhecido o martírio, por ter sido assassinada por ódio à fé, em 1944, na Eslováquia; e outra (Alessandra Sabattini), uma jovem italiana, falecida aos 23 anos (1961-1984), vítima de um atropelamento por um carro, a quem lhe são reconhecidas virtudes heróicas. As vidas destas mulheres têm histórias diferentes, e depois de pesquisar um pouco percebi que esta jovem italiana se destacava pelo amor que colocava naquilo que fazia, sobretudo na forma como se dedicava a ajudar as pessoas com deficiências, os toxicodependentes e os pobres.

Viver a santidade não é apenas para alguns que se possam considerar privilegiados. É para todos e é possível, hoje, dependendo da forma como nos colocamos diante das coisas e aceitamos a vida, também, como missão, sabendo agradecer tudo. Quando celebramos a Eucaristia, que é ação de graças, ao rezar a Oração Eucarística, esta ensina-nos a cultivar três atitudes que, diz o Papa Francisco, “não devem nunca faltar nos discípulos de Jesus”. “Primeiro é preciso aprender a dar graças, sempre e em qualquer lugar e não só em certas ocasiões, quando tudo vai bem; segundo, fazer da nossa vida um dom de amor, livre e gratuito; terceiro, construir a comunhão concreta, na Igreja e com todos”.

Que este caminho quaresmal que vamos percorrendo, e os exemplos de santidade que a Igreja nos oferece, nos ajudem, a todos, a querer ser santos.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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