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Tiago Timóteo Fernandes, Missão País e Leigos para o Desenvolvimento
“Vai e faz o mesmo!”
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Tiago Timóteo Fernandes nasceu a 9 de maio de 1992, em Lisboa. Viveu a maior parte da sua vida no Bairro de São Domingos de Benfica e a sua Paróquia é o Calhariz de Benfica. Em 2010 entrou na Faculdade de Engenharia Biomédica e em 2015 terminou o seu curso. Fez parte da Missão País e em 2016 esteve em missão em S. Tomé e Príncipe com os Leigos para o Desenvolvimento.

 

Deixando-se motivar pela vida

“Em 2010 entrei na Faculdade em Engenharia Biomédica, e foi ao longo deste percurso, que me comecei a inquietar. Aquelas perguntas clássicas de um jovem adulto. De onde venho, para onde vou? Qual é o propósito da vida? Algo que me foi muito presente quando estive, no verão de 2013, a estagiar na Alemanha (Würzburg). Nessas interrogações a minha fé foi-se aprofundando, e coincidiu com o tempo em que encontrei o Centro Universitário Padre António Vieira, em Lisboa. A minha vida deixou de ser, apenas, mais uma matéria de estudo, mais uma aptidão técnica ou mais um livro, passando a ser desafiada a algo mais que ainda não sabia bem o que era. Deus conhece-nos, sabe quem somos, sabe como reagimos e como interpretamos os seus sinais, portanto os próximos passos não são mais que a sequência de um trabalho muito bem feito por Ele, sempre orquestrado para me ir apaixonando e deixando motivar pela vida, percebendo que ela não é só minha mas cabe-me a mim também dá-la”, partilha. Em 2014 participou na Missão País que “tinha o lema de Vai e Faz o Mesmo – algo que eu nunca mais vou esquecer para a vida. A experiência foi fortíssima, uma semana em missão, a proximidade às pessoas, a comunidade, a força da partilha fraterna, o amor ao próximo que rompe barreiras. Enfim… tanta coisa, tantos desafios me foram lançados e todos assentavam no mesmo – vai e faz … o mesmo (que Jesus). Esta vivência passa a ter um peso muito carismático, pois ela passa a ser o mote de motivação. Motivação para uma fé concreta, prática e aplicada. Algo que nunca antes tinha experimentado. E passa a ser uma resposta que me satisfaz quando me perguntava, para onde vou? Não sei, mas sei que vou e vou fazer … o mesmo.”

 

“Servir com o propósito de tornar o dia do outro um bocadinho melhor”

A meio do ano foi “de Erasmus para Copenhaga, Dinamarca” para fazer a sua tese de mestrado, na área das Neurociências. “E o tal desafio que me tinha sido lançado - vai e faz o mesmo - tem o seu primeiro teste de fogo. Com as suas naturais dores de crescimento, percebo que o serviço passa pelos mais próximos. Foi a servir no dia-a-dia, no ambiente onde trabalhava, que procurei muito estar em paz e experienciar esse desafio. Mas o ano escolar acaba, e com ele novos apelos vêm. Já tinha feito o caminho de Santiago (de Toulouse a Compostela) de bicicleta, com o meu irmão, uns anos antes. Adoro viajar e adoro pedalar, sendo uma pessoa com um gosto especial pela aventura, e daí nasceu o sonho de fazer uma grande viagem de bicicleta, mas na qual pudesse acrescentar algo mais valioso. Procurando seguir uma frase carismática de Santa Teresa de Calcutá, “Servir com o propósito de tornar o dia do outro um bocadinho melhor”, em jeito de peregrinação e de descoberta pessoal, concretizou-se o projeto ‘Capitães do Mundo’. Este procurava apoiar a ‘Associação Academia do Johnson’ (do bairro do Zambujal, Amadora) através da divulgação do seu trabalho, ao longo da viagem, levando um pouco da Academia a cada sítio por onde ia passando. A aventura, de Berlim a Lisboa, cruzou seis países com os Alpes pelo meio, percorreu 4000 km durante um mês, dando tempo para a solidariedade e angariando fundos para uma causa muito concreta.”

 

“Dar um bocadinho mais de mim em cada momento”

Em novembro de 2015, após finalizar o seu curso, com a especialidade em neurociências conheceu a formação de missionários nos Leigos para o Desenvolvimento (LD), “e em pouco tempo começo a sentir o meu coração a arder”. Durante dez meses fez a formação e diz-nos que foi um período onde experimentou “a liberdade, onde me fui focando no essencial e percebi o equilíbrio da nossa relação diária com Deus, nas minhas rotinas, na minha profissão e tempos-livres. No fundo, senti que quem passa pela formação fortalece eternamente esta vontade de crescer na fé, dando e servindo no dia-a-dia a sua comunidade, a sua família, os seus irmãos e Deus. Foi também um tempo de autoconhecimento, partilhado com um conjunto magnífico de pessoas, desafiando-me sempre a dar um bocadinho mais de mim em cada momento. Tudo isto se tornou muito concreto no momento de decidir que queria partir em missão, levando-me a experimentar um estado puro de paz e alegria, que não consigo descrever. E Deus tinha esse plano para mim.” Sobre a sua missão partilha, na primeira pessoa: “O caminho da fé é cheio de surpresas, tão imprevisíveis que ao virar de cada esquina nos surpreende com momentos e experiências únicas, por vezes difíceis e indefinidas, mas onde Ele nos dá, sempre, a força para avançar. E, em setembro de 2016, aqui estava alguém, que primeiro sonhou ser cientista, prestes a ser enviado em missão para São Tomé e Príncipe. E como eu disfrutava desse momento! Pela frente sentia ter dois grandes objetivos, um o de ser fiel à missão, sendo útil nos projetos, na comunidade e na pastoral. Nessa tarefa estava mais focado nas vertentes da formação profissional e do empreendedorismo, no bairro da Boa Morte (Cidade de São Tomé). Um projeto que já tinha 5 anos de trabalho de outros voluntários e que incidia numa colaboração facilitadora com a comunidade local, mais especificamente com o grupo de comerciantes, na qual tive funções de dinamização, estabelecimento de parcerias e organização de ações de formação. O segundo objetivo era saber utilizar esta aprendizagem de missão para multiplicar os seus frutos na construção da minha vida. No fundo, Jesus dizia-me ‘Vai e faz o mesmo, nesta missão (em São Tomé)! E no final desta, lembra-te Tiago: agora vai e faz o mesmo (de volta a Portugal)!’. Assim parti em missão com os LD e para mim esta foi uma oportunidade de aproveitar os ‘acasos’ de Deus e dar o melhor de mim na construção de um projeto e de um futuro mais sustentável para aquelas comunidades; de saber que sou chamado por Deus a servir; e de ajudar e acompanhar o meu irmão. Um envolvimento desprendido de interesses pessoais, mas seguindo o mandamento de Jesus ‘Amarás o teu próximo como eu te amei’. Uma experiência de ‘céu’ onde senti dar a vida! Em suma a missão LD foi para mim um espaço para desenvolver e desenvolver-me, para envolver e envolver-me, para surpreender e surpreender-me e para construir e construir-me, nas vertentes comunitária, social, cultural e espiritual. Termina dizendo que se sente “disponível para muito mais, pronto a voltar a fazer o mesmo, pronto a tornar o dia de alguém algo melhor, pronto a dar a vida. Já tendo uma pequena ideia de onde venho e para onde vou. Neste momento sei que quero continuar a formar-me como pessoa, profissionalmente, espiritualmente, crescendo no serviço e no testemunho. É isso que quero, sabendo que muitos projetos me chamam e muitos desafios e acasos Deus ainda vai guardando para mim.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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