Missão |
Pedro Carvalheiro, Equipa d’África
“Tínhamos como objetivo de missão levar amor e felicidade”
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Pedro Carvalheiro nasceu em Lisboa, a 26 de Julho de 1993. É licenciado em Engenharia Aeroespacial, pelo Instituto Superior Técnico, e fez um ano de intercâmbio na Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis (Brasil). Em 2017 entrou na Equipa d’África e, em agosto do mesmo ano, esteve em missão no projeto de Almeida em Portugal.

 

Crescer na fé

Pedro foi batizado a 28 de agosto de 1994, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Lisboa. Aos 6 anos, entrou para o Corpo Nacional de Escutas (CNE) no Agrupamento 1224 em Marinha das Ondas. Entrou também para o 1º ano de catequese na mesma Paróquia onde realizou todo o seu “caminho de crescimento na fé”. “Nos últimos anos, tenho sentido o desejo de querer aprofundar este olhar, este amor que é tão bom. Sinto-O na simplicidade, num simples sorriso, numa pequena lágrima, nas ações do dia-a-dia. Acredito que Ele nos acompanha e nos orienta, mesmo quando nos desleixamos. Felizmente, vejo-O nas pessoas que me rodeiam, pessoas essas que me desafiam, inspiram, motivam e que tantas graças dou por elas”, partilha. Considera a sua família como um dos pilares da sua vida. “Vivo com a minha mãe, com a minha irmã (quatro anos mais velha) e com o nosso pai, que apesar de não estar fisicamente, é uma força que nos une. Partiu cedo (quando eu tinha 14 anos), mas acreditamos que continua a olhar por nós, que nos protege e nos orienta. Rezamos muito por ele. Apesar de ter nascido e viver em Lisboa, considero-me com dupla municipalidade (se é que existe). Metade de mim sempre esteve em Lisboa, mas a outra metade sempre esteve na Marinha das Ondas, uma pequena vila perto da Figueira da Foz. Em Lisboa realizei todo o meu percurso escolar, mas é para a MDO (como nós chamamos) que me desloco quase todos os fins-de-semana e onde passo a maioria das minhas férias. Há uns tempos calculei quanto tempo da minha vida já passei em deslocações entre cá e lá e já vão em mais de 5 meses dentro de um carro em viagem. Não me canso”, diz-nos.

 

“Recebi muito mais do que aquilo que dei!”

Ao olhar para o seu percurso no CNE partilha: “Olho para esta caminhada e vejo o quanto aprendi e o quão feliz sou nesta outra família. Sem dúvida uma escola de vida que me ajudou a transformar numa pessoa melhor. Hoje, sinto o dever de ensinar aquilo que aprendi aos mais pequenos e sinto um grande orgulho neles e naquilo que, enquanto agrupamento, conseguimos fazer para eles e para a comunidade. Acredito que a educação começa em casa, e dou graças por me sentir um privilegiado nesse aspeto. Sempre me foi incutido o espírito de ser útil, estar disponível para o outro, partilhar e muito do que ambiciono hoje deve-se a isso. Ao mesmo tempo, através dos princípios, das promessas e das leis do escutismo, que também acompanharam o meu crescimento, fazem de mim a pessoa que sou hoje.” Em 2015, depois de um ano de intercâmbio no Brasil conta que fez uma mochila e decidiu “viajar pela América do Sul durante um mês e meio”. “Comecei por fazer uma missão de duas semanas através do Movimento de Schoenstatt na localidade de Vivoratá, Argentina. Relembro as pessoas com quem estive, os mates (bebida típica argentina) tomados em casa das pessoas da comunidade, as tardes passadas com os niños, os momentos de oração em grupo, as missas e os terços rezados… na verdade, conheci uma cultura nova, aprendi espanhol… não temos noção do quanto recebemos quando queremos dar e sinto que recebi muito mais do que aquilo que dei. A viagem continuou. Mais tarde, já em Lisboa, quando comecei a tese de mestrado, em 2016, senti que tinha algum tempo livre. Não me sentia confortável, parecia que havia muita inércia à minha volta e queria sentir-me útil. Comecei a procurar vários projectos de voluntariado. Passei pelo Just-a-Change, entrei na Refood e conheci tantos outros projectos que felizmente existem”, conta.

 

“Sinto-me abençoado por todas as pessoas que já conheci!”

Em 2017, entrou na Equipa d’África (EA). “Lembro-me de chegar a casa à noite, depois das nossas reuniões, dos nossos campos de trabalho e sentar-me na cama da minha mãe com ela e com a minha irmã e contar tudo aquilo que estava a viver. Chegava sempre a casa com aquele brilho nos olhos, motivado e com uma vontade de fazer mais e ajudar. Um mês depois tinha a minha irmã a ir comigo para a EA, rendeu-se. Relativamente à formação, acredito que é aquilo que a EA tem de melhor. Uma formação assente na entrega, na oração, no serviço e na vida em comunidade que nos desafia constantemente tanto pessoalmente como em grupo. Alguns campos de trabalho ao longo do ano, testemunhos de pessoas incríveis, um lugar de partilha, um lugar de amor. Depois, o facto de existir um grande propósito de missão cria um espírito de grupo espetacular, uma equipa unida, mais uma família e que dá muito gosto fazer parte dela. Em Agosto começam as missões, para mim a cereja no topo do bolo, aquele sentimento de ‘após este ano de formação, tudo o que vier é bónus’. Tive a oportunidade de partir em missão com o Gonçalo, a Diana e a Maria para o projecto de Almeida, Portugal, e fomos enviados como instrumentos de Deus, desapegados do quotidiano, entregues à missão. Diariamente, ajudávamos numa Unidade de Cuidados Continuados e num Lar da Terceira Idade, organizávamos ainda algumas actividades com os escuteiros do Agrupamento de Almeida, que tão bem nos acolheram, e assim passaram duas semanas. Tínhamos como objetivo de missão levar amor e felicidade. A moeda de troca: sorrisos! Recordo as pessoas, as histórias incríveis e esses mesmos sorrisos que cada utente, que cada funcionário esboçava e que estão gravados na memória. Como o saber ouvir e o simplesmente estar com aquelas pessoas é tão enriquecedor. Olhava para cada um como uma enciclopédia gigante, cheia de vida… sou pequeno! Hoje, agradeço e sinto-me abençoado por todas as pessoas que já conheci, que conheço e que ainda vou ter oportunidade de conhecer ao longo da minha vida. Obrigado Senhor”, partilha.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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