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“Queridos jovens, cabe a vós não ficar calados”
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O Papa Francisco desafiou os jovens. Na semana em que o Vaticano apresentou o documento para o Sínodo dos Bispos, o Papa condenou a “violência indiscriminada” no sul de França, lamentou o incêndio na Sibéria e manifestou vontade de visitar o Sudão do Sul.

 

1. O Papa Francisco deixou um desafio aos jovens: façam barulho. “Queridos jovens, que estais aqui, a alegria que Jesus suscita em vós é, para alguns, motivo de aborrecimento e irritação, porque um jovem alegre é difícil de manipular”, assinalou, evocando o relato da Paixão de Jesus, lido na celebração. “Queridos jovens, cabe a vós a decisão de gritar, cabe a vós decidir-vos pelo Hossana do domingo para não cair no «crucifica-O» de sexta-feira... E cabe a vós não ficar calados. Se os outros calam, se nós, idosos e responsáveis, silenciamos, se o mundo se cala e perde a alegria, pergunto-vos: vós gritareis?”, terminou Francisco.

Nesta Missa de Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, no passado Domingo, 25 de março, Francisco denunciou ainda as forças que querem silenciar as novas gerações. “Há muitas maneiras de tornar os jovens silenciosos e invisíveis. Muitas maneiras de os anestesiar e adormecer para que não façam ‘barulho’, para que não se interroguem nem ponham em discussão”, alertou, durante a homilia, perante milhares de jovens, alguns dos quais participantes da reunião pré-sinodal.

 

2. As diferenças culturais dos 305 jovens que participaram fisicamente na reunião pré-sinodal, que terminou dia 24 de março, no Vaticano, ajudaram a mostrar que as suas preocupações e sentimentos são “muito semelhantes”. “Tendo diferentes bagagens culturais, quase todos temos as mesmas ideias e pensamos sobre os mesmos temas”, afirmou a jovem Laphidil Twumasi, de origem ganesa a viver em Itália, que integrou a equipa de redação do documento final que apelidou de “revolucionário”. “Isso reforça minha opinião de que temos o mesmo objetivo e necessidade. Preocupamo-nos com o progresso da Igreja e da sociedade em geral. E isto mostra que, como disse o Papa Francisco, nós, jovens, não somos estúpidos e que a nossa voz deve ser ouvida e levada em consideração”, sublinhou, durante a conferência de imprensa do documento final.

Respeitar e sintetizar as preocupações que surgiram no pré-sínodo parecida uma tarefa “hercúlea”, sublinhou o jovem indiano Percival Holt, mas cujo processo resultou num documento “apelativo”. A maioria dos jovens enfrenta uma “tremenda crise de personalidade”, indicou Holt, maioritariamente devido a pressões externas e a falta de introspeção, de relação com o divino e com os outros. “A espiritualidade é importante para muitos de nós, mas é ambígua para outros”, sublinhou. A sua experiência diz-lhe que os jovens são hoje “mais sensíveis, práticos e objetivos e partilham sem problemas os seus sentimentos e expetativas”. “Os jovens querem quem os guie e acompanhe na sua vida, por isso o documento é um grito dos jovens para que sejam escutados e lhes seja indicado o caminho neste mundo caótico”.

Briana Santiago, uma jovem de 26 anos do Texas, nos EUA, que estuda filosofia em Roma, integrou o grupo das redes sociais, e destacou a qualidade da participação dos que não estiveram no Vaticano, mas puderam contribuir via mundo digital. “Os jovens que participaram através das redes sociais manifestaram desejo de criar famílias unidas e fortes, desejo de participação nas suas igrejas locais, honrar a beleza da liturgia, mergulhar na tradição dos nossos predecessores, encontrar guias que ajudem a discernir e a tomar decisões importantes”.

O documento resulta do material recolhido dos 20 grupos divididos por idiomas: nove de língua inglesa, quatro de língua espanhola, quatro de língua italiana e três de língua francesa, e ainda de seis grupos que apresentaram sugestões de jovens que não estavam fisicamente na reunião pré-sinodal. “Trabalhamos três dias até à meia noite no documento”, precisou Laphidil Twumasi com o objetivo de inscrever as ideias de modo “direto, preciso, claro, fazendo com que todos os jovens, sem excluir ninguém, se reconhecessem no documento”. “Passámos mais horas em frente ao computador do que imaginávamos, mas sentimo-nos maravilhados e com sentido de humildade perante a profundidade da reflexão, o desejo de partilha, a vulnerabilidade e a grande sinceridade que as respostas claramente demonstraram”, acrescentou Briana Santiago.

 

3. O Papa enviou uma mensagem ao Bispo da Diocese de Carcassonne e Trèbes, em França, manifestando tristeza pelos atentados ocorridos na sexta-feira, 23 de março. Na mensagem, Francisco elogiou o gesto “generoso e heróico” do polícia que se ofereceu para ser trocado por uma refém, dando, assim, “a sua vida para proteger as pessoas”. No texto, divulgado esta segunda-feira, dia 26, pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa confia à “misericórdia de Deus as pessoas que perderam a vida” e associa-se à “oração e à dor dos seus familiares”. Manifestou ainda a sua “solidariedade para com os feridos e seus familiares, assim como a todas as pessoas afetadas por este drama, pedindo ao Senhor que lhes dê conforto e consolação”.

 

4. Também neste dia, o Papa enviou uma mensagem ao saber do incêndio que atingiu, na véspera, um centro comercial da cidade russa de Kemerovo, na Sibéria. “Profundamente entristecido pela notícia do incêndio que atingiu o centro comercial ‘Kemerovo’, na Sibéria, o Papa Francisco expressa o seu mais profundo pesar por todas as pessoas que foram atingidas com a tragédia. Confiando os falecidos, especialmente as diversas crianças que perderam a vida, ao amor misericordioso de Deus todo-poderoso, o Papa assegura suas orações a todos os que choram suas perdas. Assegurando sua proximidade espiritual às autoridades e aos socorredores que ajudam os feridos e prosseguem a busca dos dispersos, o Papa invoca a bênção de Deus de paz e de consolo”, refere o telegrama.

 

5. O Papa Francisco quer visitar o Sudão do Sul, país em conflito desde 2013, após dois anos de pacificação, e manifestou a sua vontade de que a viagem seja ecuménica. O desejo foi revelado aos membros do Conselho de Igrejas do Sudão do Sul que, na manhã de sexta-feira, 23 de março, foram recebidos pelo Papa Francisco. “Enquanto houver uma parte que seja do corpo da Igreja que sofre, não consegue repousar em paz”, disse o Papa aos nove membros da delegação a quem exprimiu a vontade de visitar o país.

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