Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Novidade ou reciclagem?

O cristianismo é novidade ou é antes uma reciclagem, uma “lavagem de cara” do que já existe? Esta questão perpassa toda a história cristã e, estou certo, permanecerá sempre como uma tensão, nunca resolvida.

É claro, desde o começo do anúncio do Evangelho, que em Jesus algo de novo tem o seu início. E isso mostra-se de uma forma evidente na ressurreição. É um mundo novo. Uma ruptura com o passado. Uma “nova ordem” nas relações com Deus e com os demais seres humanos. “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” — é deste modo que S. Paulo fala aos cristãos de Corinto sobre a novidade de Jesus ressuscitado (2Cor 5,17).

E, no entanto, atrás de Jesus encontra-se toda a história do povo de Deus do Antigo Testamento. Sem ela não seríamos capazes de entender Jesus. O homem novo surgido da ressurreição – o Ressuscitado – é o mesmo Jesus que antes estava com os seus. E o discípulo que vive a vida nova do Espírito (Aquele Espírito de Jesus ressuscitado que Ele derrama sobre os seus na tarde do primeiro dia de Páscoa) é o discípulo que antes tinha dificuldade em entender e viver a proposta do Evangelho. O mundo novo surge de uma transformação radical (radical porque tem outras raízes: não aquelas que o pecador egoísta coloca na sua vida, mas as raízes que Deus lhe oferece). É como arrancar as raízes a uma planta e oferecer-lhe uma nova realidade onde ela possa viver. Fomos “enxertados” em Cristo (cf. Jo 15,4). E S. Paulo não hesita em dizer que os cristãos vindo do mundo pagão (que ele compara a uma oliveira silvestre) foram enxertados na oliveira cultivada do povo de Israel (Rom 11,24).

Mas é claro também que tudo isto é bem diferente daquilo a que chamamos um “lavadela de cara” – aquela tentação de mudar alguma coisa (pouco) para que nada possa efectivamente mudar; aquela tendência pecadora de nos darmos bem com Deus e com o Diabo. A ressurreição (e todo o anúncio, o agir, o viver e toda a pessoa de Jesus) aí está, em cada ano, a oferecer-nos esse mundo novo que nos foi dado por Deus no mistério pascal, o mesmo é dizer: na morte de Jesus, na Sua ressurreição e no envio do Espírito Santo que Ele faz sobre os discípulos.

É a partir e por causa desta oferta, desta graça, que não podemos voltar as costas à verdadeira conversão. É bom demais para passarmos ao lado!

A OPINIÃO DE
Pedro Vaz Patto
No documento de reflexão dos bispos portugueses Recomeçar e Reconstruir, sobre a sociedade a reconstruir...
ver [+]

P. Manuel Barbosa, scj
D. António de Sousa Braga, dehoniano, Bispo emérito de Angra, celebrou 50 anos de Sacerdócio a 17 de...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES