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“Ser batizado significa ser chamado à santidade”
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O Papa Francisco falou do Batismo. Na semana em que se encontrou com os missionários da Misericórdia, o Papa condenou o ataque com armas químicas na Síria e denunciou a economia que não valoriza as pessoas. Nas celebrações de Páscoa, Francisco lamentou os conflitos que estão a causar sofrimento a milhões de pessoas em todo o mundo.

 

1. O Papa Francisco considera que o Batismo deve ser acolhido com o coração aberto à fé. “O tempo litúrgico da Páscoa é apropriado para refletir sobre o fundamento da vida cristã, que tem a sua origem no Batismo. Este é o sacramento que une a nossa vida à de Cristo. Batizar significa imergir; esse gesto, no sacramento, faz referência ao banho de água que, pela ação do Espírito Santo, nos imerge na morte e ressurreição de Jesus. Por isso, o Batismo nos regenera, num novo nascimento que nos torna membros do Corpo de Cristo que é a Igreja, fazendo com que participemos também da sua missão no mundo. Trata-se de um dom absolutamente gratuito. Porém, apesar de que ninguém mereça receber esse dom, é necessário acolhê-lo com o coração aberto à fé, de tal modo que o sacramento realize em nós uma ‘cristificação’, ou seja, que nos converta em um outro Cristo”, referiu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 11 de abril, na Praça de São Pedro.

Na saudação em português, Francisco lembrou o chamamento à santidade: “Queridos amigos, ser batizado significa ser chamado à santidade. Imploremos a graça de poder viver os nossos compromissos batismais como verdadeiros imitadores de Jesus, nossa esperança e nossa paz”.

 

2. O Papa pediu aos padres para serem pessoas “simples”, capazes de levar uma mensagem de misericórdia à Igreja e à sociedade, seguindo a “lógica de Deus”. “Padres normais, simples, mansos, equilibrados, mas capazes de se deixarem regenerar constantemente pelo Espírito, dóceis à sua força, livres interiormente – em primeiro lugar, de si mesmos –, porque movidos pelo vento do Espírito, que sopra onde quer”, salientou, na homilia da Missa a que presidiu na Basílica de São Pedro, no passado dia 10 de abril, com um grupo de 500 missionários da Misericórdia, sacerdotes dos cinco continentes no seu segundo encontro mundial. “Tanto a Igreja como o mundo de hoje têm necessidade particular da misericórdia”, assinalou Francisco.

Além da celebração, o Papa encontrou-se também com os missionários da Misericórdia, destacando que “a Igreja não pode, não quer e não deve criar qualquer barreira ou dificuldade que impeça o acesso ao perdão do Pai”. “O filho pródigo não teve de passar pela alfândega: foi acolhido pelo Pai, sem obstáculos”, salientou, no discurso que proferiu na sala régia do Palácio Apostólico.

Os missionários da Misericórdia, com faculdades especiais para perdão de pecados no sacramento da Confissão, foram instituídos pelo Papa por ocasião do último ano santo extraordinário, o Jubileu da Misericórdia, que decorreu entre finais de 2015 e de 2016. “Os missionários da Misericórdia são chamados a ser intérpretes e testemunhas numa comunidade que acolhe todos e sempre, sem qualquer distinção; que apoia quem quer que esteja em necessidade e dificuldade; que vive a comunhão como fonte de vida”, afirmou o Papa, explicando que julgou “oportuno” que o mandato destes sacerdotes fosse prolongado, evocando “testemunhos de conversão” que chegaram até si, por causa do serviço destes missionários. “Temos de reconhecer que a misericórdia de Deus não tem limites”, declarou.

 

3. O Papa condenou a utilização de armas químicas na Síria, lamentando a morte de dezenas de civis no último ataque das forças do regime. “Não há guerras boas e guerras más. Nada, mesmo nada, pode justificar o uso de tais instrumentos de extermínio contra pessoas e populações indefesas”, afirmou, no Vaticano, no passado Domingo, 8 de abril, após a oração do Regina Coeli. “Rezemos para que os líderes políticos e militares escolham outra via: a da negociação, a única que pode conduzir à paz que não seja a da morte e da destruição”, pediu ainda o Papa.

 

4. Garantir oportunidades de trabalho digno e evitar a eliminação de postos de trabalho. Este é o desafio que o Papa Francisco faz aos responsáveis pela economia, na edição de abril de ‘O Vídeo do Papa’. O Santo Padre pede que sejam rejeitados os sistemas económicos que excluem as pessoas e valorizam apenas os resultados e a rentabilidade, destaca a importância de pôr em primeiro lugar a pessoa humana e enfatiza a responsabilidade de empresários e políticos.

 

5. Na mensagem de Páscoa, o Papa lamentou os conflitos que estão a causar sofrimento a milhões de pessoas em todo o mundo, destacando em particular o “extermínio” na Síria. “Pedimos frutos de paz para o mundo inteiro, a começar pela amada e martirizada Síria, cuja população se encontra exausta por uma guerra sem um fim à vista. Nesta Páscoa, a luz de Cristo Ressuscitado ilumine as consciências de todos os responsáveis políticos e militares, para que se ponha imediatamente termo ao extermínio em curso, respeite o direito humanitário e se garanta o acesso às ajudas de que têm urgente necessidade estes nossos irmãos e irmãs, assegurando ao mesmo tempo condições adequadas para o regresso de quantos foram desalojados”, pediu o Papa, na varanda central da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Francisco implorou também que fossem semeados os “frutos de reconciliação” na Terra Santa, “ferida, também nestes dias, por conflitos abertos que não poupam os indefesos, para o Iémen e para todo o Médio Oriente, a fim de que o diálogo e o respeito mútuo prevaleçam sobre as divisões e a violência”. O Papa lembrou também as vítimas dos conflitos no continente africano, em particular, as crianças. “A paz do Ressuscitado cure as feridas no Sudão do Sul e da mortificada República Democrática do Congo: abra os corações ao diálogo e à compreensão mútua. Não esqueçamos as vítimas daquele conflito, sobretudo as crianças! Não falte a solidariedade em prol das inúmeras pessoas forçadas a abandonar as suas terras e privadas do mínimo necessário para viver”, acrescentou. Na Bênção ‘Urbi et Orbi’, o Santo Padre pediu também paz e ajuda humanitária para a Ucrânia e a Venezuela, e diálogo para promover a paz entre as Coreias. “Imploramos para a península coreana, para que as conversações em curso promovam a harmonia e a pacificação da região. Aqueles que têm responsabilidades diretas ajam com sabedoria e discernimento para promover o bem do povo coreano e construir relações de confiança no âmbito da comunidade internacional”, afirmou.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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