Perfil |
Rita Ribeiro Alves
“Fazer voluntariado exige compromisso e um compromisso possível!”
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Rita Ribeiro Alves nasceu a 16 de Maio de 1983, em Castelo Branco. É licenciada em Gestão pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Pós-graduada em Desenvolvimento, diversidades locais e desafios mundiais e Mestre em Gestão de Recursos Humanos. Em 2007 foi voluntária por dois meses em São Tomé e Príncipe integrada num projeto universitário de voluntariado internacional.

 

Nasceu numa família católica, é batizada e crismada. “Fiz todo o percurso ‘tradicional’ da catequese, sem questionar muito. Foi fundamental no meu percurso os 10 anos de campos de férias ‘À Descoberta’, onde participei como animadora. Eram campos de férias para alunos das aulas de Educação Moral e religiosa Católica da diocese de Portalegre e Castelo Branco. Foram 10 anos de crescimento pessoal, de bons amigos e grandes aventuras, que ajudaram na transição, difícil, de sair da casa dos pais para a faculdade. Ainda durante a faculdade fiz parte das Equipas dos Convívios Fraternos na diocese de Portalegre e Castelo Branco. Estes dois grupos de voluntariado foram pilar de continuidade na minha vida numa altura em que mudou muita coisa: Sair de casa dos pais, morar sozinha, numa cidade nova, sem amigos, sem conhecer nada”, partilha. Diz-nos, por isso, que um dos principais marcos da sua vida foi a saída de casa dos pais com 18 anos para estudar em Coimbra. “Já em Coimbra, no terceiro ano do curso, apresentada por amigos de Castelo Branco, conheci o CUMN – Centro universitário Manuel da Nóbrega, centro universitário de Padres Jesuítas. Este foi outro marco na minha vida pessoal e cristã. Primeiro porque, numa altura em que começava a questionar a minha fé, encontrei na espiritualidade inaciana uma base sólida de continuação Cristã, que mantenho até hoje, depois, porque sem estar à espera, integrei um grupo de voluntariado internacional. Nunca sonhei fazer voluntariado internacional. Venho de uma família com algumas dificuldades financeiras, muito pequena, e que sempre foi grande apoio. Durante muitos anos, nunca tive necessidade de ‘deixar os meus’ para fazer voluntariado fora. Na mesma altura, durante a faculdade, os meus pais tiveram alguns problemas graves de saúde, que me levaram a perceber a importância de estar por perto (mesmo que só aos fins de semana). Não tinha necessidade de voar para o outro lado do mundo sabendo que fazia falta em Portugal”, diz-nos.

 

“Não me posso dar ao outro se não escutar o que eu sou”

Sobre a sua experiência de missão, conta-nos: “Um dia, no quarto ano de faculdade, fui acompanhar uma amiga a uma reunião de apresentação do projeto Bússola. A Bússola era um projeto universitário de voluntariado internacional, iniciado por um grupo de jovens de Coimbra, que esteve presente durante quatro anos em São Tomé e Príncipe (STP) e dois anos na Guiné Bissau. A minha amiga não queria ir sozinha e eu fui com ela: foi isto. Agora, olhando para trás, consigo perceber que Deus me escolheu. Da primeira reunião ficou o ‘bichinho’ da formação e depois o ‘bichinho’ de querer ir. Não resisti a esta força maior que eu, e com o apoio da família, parti no verão de 2017 para STP, para uma missão de dois meses. Alguém me disse neste percurso, que quem vai para fora de Portugal nestas missões, mesmo que não desenvolva nada no país que acolhe, pelo menos vem mais desenvolvido. E fui isto que me aconteceu. Em STP percebi que a menina que nasceu no interior de Portugal era chamada (e era capaz) de fazer Mais e Maior pelo mundo que a acolhe. Todos falam de STP como o país dos sorrisos, da natureza bruta e bonita, o país de sonho. Eu recordo a pobreza, a falta de cuidados básicos, o hospital sem condições, a criança que fugiu quando lhe tentei fazer uma ‘festinha’ com medo que lhe batesse, as marcas nos rostos maltratados das mulheres, os idosos sem lugar na sociedade… Regressei com vontade de fazer mais mas não consegui de imediato. Tinha terminado o curso antes da viagem e era preciso encontrar trabalho. Foi um tempo de vazio, onde não tinha lugar, onde não tinha o que fazer. Estive um ano a trabalhar em Castelo Branco e depois abracei a capital para poder trabalhar e continuar a estudar. Foram anos difíceis. Pode ser difícil encontrar Deus no dia-a-dia (ou deixar que Ele nos encontre a nós). A persistência foi continuando, nunca quis ser mais uma, no sentido que não queria deixar-me ir nesta corrente da sociedade que vive cada dia sem sentido. Para mim tem de valer a pena, os Dons que nos são dados por Deus têm de ser postos a render, a Missão tem de ser cumprida. Deus quer-me feliz, e não triste ou deprimida, todos os dias do ano e para isso eu tenho de pôr os meios. Contra o ‘socialmente aceite’ deixei para trás um emprego onde tinha um contrato de trabalho sem termo, mas onde me sentia vazia e sem objetivos, para algo que fosse ‘mais meu’. Trabalho agora como gestora financeira de projetos na FEC - Fundação Fé e Cooperação. A missão do dia-a-dia é, para mim, a mais difícil. Sair dois meses para fazer voluntariado fora do Pais é uma oportunidade única de te dedicares aos outros a 100%, sem mais nada! Dedicares-te a ti e aos outros, na rotina do dia-a-dia, é muito mais difícil. É fundamental partilhá-lo com outros, que te ajudam, que te sustêm quando te sentes sozinha. Para quem sempre morou em casa dos pais, teve o mesmo grupo de amigos e morou na mesma cidade isto pode ser relativamente fácil. Eu já mudei de cidade três vezes. Nos primeiros anos em Lisboa, comecei a sentir necessidade de fazer voluntariado, de estar para os outros. Não estava a ser fácil decidir, porque o meu compromisso não podia ir além dos dois dias por mês (trabalha e estudava). Fazer voluntariado exige compromisso e um compromisso possível. Nesta partilha do que precisava, fui convidada para integrar o grupo de voluntários ‘Atravessados’, voluntários que se reúnem uma vez por mês na Associação Casa Velha, em Vale travesso, Ourém, Fátima. O grupo reúne-se uma vez por mês, um fim-de-semana, e te como pilares: voluntariado, oração, comunidade e a Casa Velha. É um todo integrado, que me ensinou que não me posso dar ao outro se não escutar o que eu sou, como estou, com as minhas qualidades e debilidades. Atualmente, sou coordenadora do grupo de voluntários ‘não permanentes’ da Associação Casa Velha. É um desafio! É sentir que sou chamada a trabalhar para algo maior do que eu, tentando gerir voluntários de uma forma única. Cada pessoa é única. Cada voluntário está num período diferente da vida. Queremos acolher o que cada um pode dar, ao mesmo tempo que a Casa Velha quer ser ‘casa de reparação’ para os seus, para os que a ajudam a crescer. É gerir disponibilidades e necessidades consciente que cada um é único, que quer fazer voluntariado e ser Mais a cada dia. É sentir-me pequenina e ‘torcer’ para que o Espírito Santo me dê sensatez e Graça nesta missão.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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