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“Não é possível dar bem com Deus e com o diabo”
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O Papa Francisco lembrou que “o diabo divide”, mas “Deus une sempre”. Na semana em que presidiu a uma oração pela paz na Síria e no mundo, o Papa sublinhou que a dignidade humana está “vinculada” ao trabalho, saudou a cimeira entre as Coreias e manifestou que a ciência “tem limites a respeitar”.

 

1. O Papa prosseguiu a catequese sobre o Batismo, explicando porque “a renúncia e o ato de fé” são feitos juntos. “Dando continuidade às catequeses sobre o Batismo, hoje nos ocuparemos dos ritos centrais deste sacramento. A água, fonte natural de vida, mas também possível causa de morte e elemento purificador, possui um grande simbolismo na Bíblia para falar das intervenções de Deus, como por exemplo as águas do dilúvio, a passagem pelas águas do Mar Vermelho ou o sangue e água que correram do lado de Cristo crucificado. Por isso, quando se invoca o Espírito Santo sobre a água no Batismo, esta torna-se o instrumento que permite a quem recebe este sacramento ser sepultado com Cristo e, com Ele, ressuscitar para uma vida imortal. Após a santificação da água, quem se prepara para receber o sacramento deve renunciar a Satanás e fazer a sua profissão de fé. De facto, trata-se de um compromisso pessoal que deve ser traduzido em gestos concretos de luta contra o pecado e de esforço, contando com a graça de Deus, para configurar a própria vida aos ensinamentos de Jesus”, sublinhou o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 2 de maio, na Praça de São Pedro. “O diabo divide. Deus une sempre num só povo. Não é possível aderir a Cristo colocando condições. De algumas pessoas dizemos que se dão bem com Deus e com o diabo. Isso não é possível. Ou você está bem com Deus ou com o diabo. Por isso, a renúncia e o ato de fé vão juntos”, alertou.

Na saudação em português, Francisco salientou ainda que “a graça do batismo deve frutificar num caminho de santidade feito de pequenos, mas profundos, gestos concretos de confiança em Deus e de amor ao próximo”.

 

2. O Papa iniciou o mês de maio com uma peregrinação a um santuário mariano, em Roma. Francisco presidiu, no dia 1 de maio, terça-feira, a uma celebração de oração pela paz no Santuário do Divino Amor, a cerca de 20 quilómetros a sul do Vaticano e particularmente dedicado à recitação do Rosário, tendo evocado em particular a situação na Síria. O Papa esteve em oração diante da imagem de Nossa Senhora dos Milagres, enquanto uma leitora repetia o seu apelo pela paz na “amada Síria”, proferido na Páscoa, na tradicional mensagem ‘Urbi et Orbi’: “A luz de Cristo Ressuscitado ilumine as consciências de todos os responsáveis políticos e militares, para que se ponha imediatamente termo ao extermínio em curso, respeite o direito humanitário e proveja a facilitar o acesso às ajudas de que têm urgente necessidade estes nossos irmãos e irmãs, assegurando ao mesmo tempo condições adequadas para o regresso de quantos foram desalojados”.

O Papa presidiu à recitação dos cinco mistérios dolorosos do Rosário e, no final da oração, recebeu um quadro com a imagem de Nossa Senhora do Divino Amor, antes de rezar uma Ave-Maria com os fiéis que estavam do lado de fora do santuário.

 

3. Ao assinalar a festa litúrgica de São José Operário, o Papa defendeu que a dignidade de cada pessoa está “estreitamente vinculada” ao trabalho. “A dignidade da pessoa está estritamente vinculada, precisamente, ao trabalho: não ao dinheiro, à visibilidade ou ao poder, mas ao trabalho”, declarou, numa audiência aos profissionais do jornal católico italiano ‘Avvenire’, no passado dia 1 de maio. Francisco falou na necessidade de um trabalho que “dá lugar a todos, seja qual for o seu papel”, no qual “a pessoa e a sua família são mais importantes do que a eficiência como um fim em si mesma”.

O Papa Francisco sublinhou que cultura digital pediu uma “reorganização do trabalho”, que no setor da Comunicação procura responder à maior “convergência e interatividade permitidas pelas plataformas digitais”. “Que ninguém dite a vossa agenda, além dos pobres, dos últimos e dos sofredores. Não aumenteis a fila daqueles que correm para contar a parte da realidade já iluminada pelos refletores do mundo. Começai pelas periferias, conscientes de que não são o fim, mas o início da cidade”, convidou.

 

4. O Papa Francisco saudou, no passado Domingo, 29 de abril, o “resultado positivo” da cimeira entre os líderes das Coreiras do Norte e do Sul e reforçou o apelo ao diálogo e à paz. “Acompanho com a oração o resultado positivo da Cimeira Intercoreana da última sexta-feira e o corajoso compromisso assumido pelos líderes das duas partes para realizar um percurso de diálogo sincero, com vista a uma península coreana livre das armas nucleares”, declarou, após a recitação da oração do Regina Coeli. Falando aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa disse ainda que reza para que esta “esperança de um futuro de paz e de mais fraterna amizade” não seja desiludida. “Que a colaboração possa prosseguir, trazendo frutos de bem para o amado povo coreano e para o mundo inteiro”, desejou.

Francisco deixou ainda um apelo à oração pela paz na Síria, durante o mês de maio, que é dedicado à oração do Terço, e deixou uma palavra de solidariedade aos católicos da Nigéria, uma comunidade “novamente atingida pelo assassinato de um grupo de fiéis”, entre os quais dois sacerdotes, num ataque que aconteceu na última terça-feira. “Vamos recitar o Rosário, rezando em particular pela paz na Síria e em todo o mundo. Convido-os a unirem-se espiritualmente e a prolongar por todo o mês de maio a oração do Rosário pela paz”, apelou.

 

5. O Papa considera que a ciência “tem limites a respeitar” para bem da própria humanidade e que nem tudo é “aceitável eticamente”. Francisco recebeu, no sábado, dia 28 de abril, os participantes numa conferência internacional sobre medicina regenerativa, que decorreu no Vaticano. Perante os especialistas, defendeu que a ciência é “um meio potente para compreender melhor a natureza e a saúde humana”. “A ciência, como qualquer outra atividade humana, sabe que tem limites a respeitar para bem da própria humanidade e necessita de um sentido de responsabilidade ética”, afirmou o Papa, defendendo a necessidade de basear os cuidados de saúde “na exigência de pensar em todos, especialmente em quem vive com problemas sociais e culturais que tornam mais precária a sua saúde e o seu acesso a tratamento”.

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