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50 anos do Caminho Neocatecumenal em Roma
“Alegria pela perseverança e fidelidade do Senhor”
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Mais de 1100 membros do Caminho Neocatecumenal do Patriarcado de Lisboa estiveram com o Papa Francisco, em Roma, para a comemoração dos 50 anos da primeira comunidade naquela cidade. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, um dos membros da equipa responsável pelo Caminho Neocatecumenal em Portugal, Fernando Álvarez, salienta a “alegria” daquele momento e destaca a pertinência desta “proposta de iniciação cristã” para a Igreja atual.

 

O Papa Francisco encontrou-se, em Roma, com cerca de 150 mil membros do Caminho Neocatecumenal, de todo o mundo, para comemorar meio século da criação das primeiras comunidades neocatecumenais naquela cidade italiana. Para este acontecimento, que se tornou internacional, rumaram, do Patriarcado de Lisboa, cerca de 1100 membros, acompanhados pelo Bispo Auxiliar D. Nuno Brás. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, um dos membros da equipa responsável pelo Caminho Neocatecumenal em Portugal, Fernando Álvarez, sublinha a “alegria” daquele momento e constata a “fidelidade do Senhor” ao manter pequenas comunidades de fiéis, ao longo dos anos. “Durante 50 anos não é fácil que uma comunidade permaneça. Isso é uma ação do Espírito Santo”, atesta.

Na celebração que decorreu no passado sábado, 5 de maio, o Papa Francisco começou por agradecer a todos os que disseram ‘sim’ à evangelização e enviou 34 missões ad gentes, compostas por famílias e sacerdotes que vão para vários locais, em todo o mundo, com a missão de fazer crescer a Igreja onde ela corre o risco de desaparecer ou, onde já não existe, de todo. Segundo Fernando, “trata-se de fazer uma implementação da Igreja, com a novidade e surpresa de que esta obra não parte do templo – até porque o templo, para muita gente, já não diz nada –, mas parte da comunidade cristã”. “As pessoas aproximam-se porque veem sinais que chamam a atenção: o amor e a unidade. Há muitos relatos destas famílias que recebem as pessoas locais em suas casas e que estas não se querem ir embora. Ficam surpreendidos da relação, de como se amam e sentem amados”, frisa.

 

Dom de Deus

Fernando Álvarez esteve em Roma nas comemorações e destaca também as palavras do Papa Francisco, ao considerar este caminho de iniciação cristã como “um grande dom de Deus para a Igreja do nosso tempo”. Este missionário classifica a pertinência do Caminho como uma proposta de redescoberta do batismo, para os dias de hoje. “Quem podia imaginar que a nossa sociedade ia decompor-se? Era impensável. Mas é verdade, porque a família, no mundo ocidental, está quase destruída. Portugal é o país da Europa com mais divórcios: 69 em cada 100 casamentos [Dados: Pordata, referentes ao ano 2016]. É uma barbaridade de pessoas que, pouco a pouco, vivem sós”, aponta Fernando, natural de Madrid e a viver em Portugal há cerca de 20 anos.

 

Espiritualidade para todos

No encontro que reuniu os membros do Caminho Neocatecumenal na esplanada da Universidade de Tor Vergata, em Roma, o Papa Francisco apontou como “ADN” das comunidades neocatecumenais a “vocação para anunciar a vida em família, seguindo o exemplo da Sagrada Família”. Para Fernando Álvarez este é o ponto central: “O anúncio do Evangelho, nas paróquias e não só”. “O que este caminho de iniciação cristã faz é despertar a nossa fé. Estamos habituados a ver a fé como algo que já está garantido. E hoje, não é assim. A depositária da fé é a Igreja. É a Igreja quem dá a fé. Como? Através do catecumenado. O Caminho desenvolve uma coisa que não existia: uma espiritualidade para todos, quer sejam jovens ou velhos. É uma novidade na Igreja”, aponta.

 

50 anos em Lisboa

A comemoração dos 50 anos do Caminho Neocatecumenal, neste ano de 2018, não é um exclusivo da Diocese de Roma. Também, em 1968, chegou à Paróquia da Penha de França, em Lisboa, a primeira catequização, de onde resultou uma comunidade neocatecumenal. Dessa comunidade, catequizada então pelos iniciadores Kiko Argüello e Cármen Hernandez, falecida em 2016, já são poucas as recordações. No entanto, em várias paróquias de Portugal, essa “semente”, segundo revela Fernando Álvarez, “está a converter-se numa árvore de onde nascem vocações ao presbiterado, vida em clausura, a reconstrução da família, os filhos ou a transmissão da fé aos filhos”. “Há também várias famílias portuguesas em missão, nos cinco continentes, em países como Vietname, China, Luxemburgo, Alemanha, Angola, Irlanda, Estados Unidos e Brasil”, descreve.

Para assinalar, a nível local, esta efeméride dos 50 anos da chegada do Caminho Neocatecumenal a Lisboa, vai acontecer, em dezembro, um encontro com o Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, onde é esperada a presença das mais de 120 comunidades neocatecumenais existentes na diocese. Sem avançar, ainda, a data do encontro, Fernando Álvarez afasta a possibilidade de contar com a presença da equipa internacional responsável pelo Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello, María Ascención Romero e o padre Mario Pezzi. “É difícil. Antes de se celebrarem os 50 anos em Roma, já houve comemorações em Madrid e vão continuar a haver noutros locais. O Kiko está muito solicitado e não pode ir a todos os aniversários, em todas as partes do mundo”, justifica.

 

Pela evangelização

Tiago Oliveira foi um dos membros do Caminho Neocatecumenal que viajaram, na última semana, até Roma. Para este jovem de 19 anos, participar no encontro com o Papa Francisco foi uma verdadeira “surpresa”. “Sou doente oncológico e era suposto ter feito o transplante de medula óssea nos dias em que decorreu a peregrinação. Mas foi adiado. Só o facto de ter ido a Roma foi espetacular”, conta, ao Jornal VOZ DA VERDADE, este jovem que faz parte da 3ª comunidade da Paróquia de Casal de Cambra. Tiago faz este itinerário de iniciação cristã há sete anos e revela que tem sido “uma maravilha”. “Vejo Jesus Cristo nesta doença e se não fosse esta doença eu não sabia que Deus existia”, assume este jovem, que participou neste encontro com mais três dos seus irmãos.

Tiago retém ainda as palavras do Papa sobre a importância da evangelização. “Agora, nos Domingos da Páscoa, temos feito missões de rua pelas cidades. É também por esta evangelização que estou a dar o meu testemunho. Preferia ficar no meu canto, mas não posso esconder as maravilhas que o Senhor tem feito na minha vida. O Caminho Neocatecumenal é uma forma muito clara de ver Deus, não como Alguém que está lá em cima apenas, mas na minha vida, apesar dos sofrimentos”, afirma este jovem, que está no primeiro ano do curso de Direito.

 

Deus no dia-a-dia

Da 6ª Comunidade Neocatecumenal da Brandoa partiram, rumo a Roma, João e Filipa. As situações profissionais que quase não permitiram a presença deste casal nas comemorações, acabaram por ser ultrapassadas e, para João, este encontro “de agradecimento” foi “muito importante”. “O que mais me marcou foi sobretudo o que o Papa disse sobre a compreensão que devemos ter para com o caminho das pessoas que não são católicas e pelas pessoas que, sendo católicas, estão noutra velocidade. Muitas vezes temos esta ideia de querer impor as coisas e apresentar a religião como um moralismo. A Igreja e o Caminho Neocatecumenal mostraram-me que Deus atua na nossa vida, não enquanto moralismo, mas nas coisas concretas do dia-a-dia, nos nossos problemas e nas nossas dificuldades”, revela este advogado, de 32 anos, para quem esta peregrinação o fez recordar anteriores participações em Jornadas Mundiais da Juventude.

João Pinto fez as catequeses iniciais e entrou no Caminho Neocatecumenal há 13 anos, motivado pelos amigos. Hoje, já casado e apesar de ainda não ter filhos, assume que o maior desafio para a família é a “disponibilidade”. “Aquilo que nós vemos de outros casais, com muitos filhos, é a disponibilidade para dar a vida pelo Evangelho. Estar a sair de casa algumas noites, para anunciar o Evangelho, e conjugar isso com a disponibilidade, creio que esse é o maior desafio”, aponta.

 

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Evangelização é a “prioridade da Igreja”

A comemoração de meio século da chegada a Roma do Caminho Neocatecumenal levou à cidade italiana mais de 150 mil membros, representando as 135 nações onde a proposta de iniciação cristã está presente. No seu discurso, o Papa Francisco começou por agradecer o facto de terem dito “sim” à chamada do Senhor “para viver o Evangelho e evangelizar”. Falando concretamente àqueles que, na celebração, foram enviados em missão, o Papa apontou a evangelização como “prioridade da Igreja” e referiu-lhes que a “missão é dar voz ao amor fiel de Deus, é anunciar que o Senhor nos ama e nunca se cansará de mim, de ti, de nós e deste nosso mundo”.

O convite de Jesus para a saída em missão, escutado no Evangelho (Ide e fazei discípulos de todas as nações. [Mt 28, 19]), ocupou uma parte significativa da reflexão do Papa Francisco. Perante a “forte tentação de ficar, não correr riscos, de contentar-se com ter a situação sob controlo”, a palavra “Ide” é uma “forte chamada que ressoa em cada esquina da vida cristã; um convite claro a estar sempre em saída, peregrinos do mundo em busca do irmão que ainda não conhece a alegria do amor de Deus”, afirmou o Papa, lembrando que o anúncio do Evangelho pressupõe a renúncia. “Só uma Igreja que renuncia ao mundo, anuncia bem o Senhor. Só uma Igreja livre do poder e do dinheiro, livre de triunfalismos e clericalismos testemunha, de maneira credível, que Cristo liberta o homem. E quem, por seu amor, aprende a renunciar às coisas que passam, abraça este grande tesouro: a liberdade. Não fica fechado nos seus apegos, que cada vez lhe pedem algo mais, mas que nunca dão paz, e sente que o coração se abre, sem inquietações, disponível para Deus e para os irmãos”, referiu o Francisco.

 

“Ide em frente!”

Na data que assinalou os 50 anos de criação das primeiras comunidades de Roma, Francisco não deixou de identificar o “ADN” do Caminho Neocatecumenal: a vocação para “anunciar a vida em família, seguindo o exemplo da Sagrada Família”. “Levai este ambiente familiar a tantos lugares desolados e privados de afeto. Sejam reconhecidos como amigos de Jesus. Chamem amigos a todos e sejam amigos de todos”, desejou o Papa.

Na conclusão do discurso, o Papa Francisco pediu ainda aos membros do Caminho Neocatecumenal, que está presente em países onde a presença da Igreja é quase inexistente, para que “amem as culturas e tradições dos povos, sem aplicar modelos pré-estabelecidos”. “Não partam de teorias e esquemas, mas de situações concretas: assim será o Espírito que molda o anúncio, de acordo com os seus tempos e as suas formas”, referiu o Papa, encorajando todos a “não perder a confiança”. “Eu vos acompanho e animo: Ide em frente!”, exortou.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Vatican News e D.R.
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