Perfil |
Lara Pinto, da Juventude Mariana Vicentina
Uma terra onde o Ser se sobrepõe ao Ter
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Lara Pinto nasceu a 16 de maio de 1990, em Lisboa. É licenciada em Psicologia e Mestre em Psicologia Social da Saúde, pelo ISCTE-IUL. Em 2010 integrou a Juventude Mariana Vicentina e, em janeiro de 2018, partiu por três meses em missão para Moçambique.

 

Considera que o seu percurso académico aconteceu dentro da normalidade. “Frequentei sempre escolas públicas em Mafra, e depois do 12º, em 2008, fui estudar para Lisboa. Concluí em 2011 a Licenciatura em Psicologia, e a novembro de 2013, o Mestrado em Psicologia Social da Saúde, ambos no ISCTE-IUL. A nível do meu percurso profissional, realizei, em 2012/13, o estágio curricular, na área de intervenção precoce, em Mafra, intervindo nos vários Jardins de Infância do concelho, tendo sido uma grande mais-valia na minha formação e crescimento pessoal, pondo em prática os conhecimentos que fui adquirindo e continuando a aprender a valorizar os esforços que tantas crianças e famílias evidenciam, no sentido de melhorar a sua qualidade de vida e felicidade pessoal. Atualmente, e desde 2014, trabalho num centro de estudos com crianças do 5º ao 9º ano, dando apoio nas áreas psicológica e escolar”, partilha.

Sobre a sua caminhada religiosa, considera que foi “um pouco atribulada”. “Andei na catequese até ao 6º ano, mas depois acabei por me afastar da Igreja. Contudo, ao longo dos anos fui sentindo que me faltava algo, algum vazio que precisava de ser preenchido. Mais tarde percebi que vazio era esse, era o facto de não abrir o coração a Deus. Então, em 2010 decidi reaproximar-me da Igreja, começando a fazer parte do grupo de jovens da Achada, paróquia de Mafra, pertencente à Juventude Mariana Vicentina. Cá cresci muito, quer enquanto pessoa, quer enquanto cristã. Passei por várias funções a nível local, fui Vogal de Caridade e Missão, Vogal de Liturgia, Vogal Mariano, Presidente, e neste momento estou como Vogal de Formação. Desde pequena me preocupo com os problemas humanos individuais e de grupos, integrando-me em iniciativas conducentes à concretização teórica e prática desse sentimento. Também neste sentido o grupo teve um papel importante, pois tentamos dar resposta, na medida do possível, às necessidades existentes, preocupando-nos bastante em acompanhar o outro e estando alerta para, de alguma forma, conseguirmos ser um pouco rosto de Jesus e seguirmos o Seu exemplo”, diz.

 

“Foram 3 meses cheios de felicidade e alegria”

Em 2015 soube de um projeto que estava a ser desenvolvido onde nunca havia imaginado que pudesse fazer parte: “A JMV Portugal iria abrir a sua vertente missionária além-fronteiras. Assim se iniciava o projeto ‘Renascer P’ra Esperança’, uma Missão em Moçambique, em Chirrundzo, onde estão presentes os padres vicentinos. A apresentação do projeto foi feita através de um vídeo, algo me tocou naquele vídeo de divulgação, e a partir daquele momento senti que tinha de fazer alguma coisa, tinha de fazer parte desta missão e ajudar no que conseguisse. O bichinho nunca mais saiu, e, passados 2 anos e meio, a 1 de janeiro de 2018, estava a embarcar na maior e mais maravilhosa aventura da minha vida. Os medos eram muitos, mas a vontade de ir era ainda maior. Mal podia imaginar o que me esperava! Ao chegar lá deparei-me com uma realidade dura, mas transformadora! Como era possível no meio de tanta miséria haver tanta felicidade? Aquela felicidade que sempre sonhamos, aquela felicidade pela qual lutamos a vida toda? Sim, encontrei-a em África, no meio da pobreza! A simplicidade e genuinidade daquelas crianças era o que chegava para serem felizes! Cada olhar, cada gesto, cada sorriso, enchia-me o coração! Em Moçambique vi, vivi e senti a felicidade como nunca tinha experienciado antes. Apesar da pobreza, as pessoas são felizes e dão tudo o que têm para o bem-estar do outro. Naquela terra sente-se Deus em tudo o que se faz, em tudo quanto se toca, em tudo quanto se vê! Uma terra onde o Nada é Tudo, onde o Ser se sobrepõe ao Ter. E não devia ser assim em todo o lado? Não deveríamos todos estar mais focados em Ser do que em Ter? Foram 3 meses cheios! Cheios de Deus, cheios de amor, cheios de carinho, de felicidade e alegria! Mas não foram apenas 3 meses, foi uma Lara que regressou mudada, de coração a transbordar e com outra perspetiva do mundo e da vida!”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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