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O exemplo inspirador do Padre Paolino na selva da Amazónia
O médico da floresta
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Simples, humilde e pobre. O Padre Paolino Baltassari dedicou quase toda a sua vida ao serviço das populações esquecidas da Amazónia, no Brasil. Dois anos depois da sua morte, todos os que o conheceram falam dele como de um verdadeiro santo. O Padre Paolino deixou um legado extraordinário que é preciso agora prosseguir. E a Fundação AIS pode dar uma ajuda preciosa…

 

A pé, de bicicleta ou num pequeno bote de madeira. Para o Padre Paolino, filho de um pedreiro e de uma agricultora, de aspecto frágil e sorriso bondoso, era igual. Nunca teve luxos, foi sempre desprendido em relação às coisas materiais e isso ajudou a criar uma empatia única com as populações pobres da Amazónia que foram a razão de ser da sua vida. Nasceu em Itália em 1926, mas viveu mais de meio século no Brasil. Morreu em Abril de 2016, seis dias depois de ter completado 90 anos. Se o passaporte indicava a nacionalidade italiana, o sangue que lhe corria nas veias era já praticamente todo brasileiro. E era em português que ele falava, pensava, rezava e evangelizava. Era em português que ele procurava ajudar as pessoas, todas as pessoas, especialmente os mais pobres dos pobres.

 

Esquecidos da sociedade

Desde que morreu, há dois anos, são cada vez mais os que falam deste homem de aspecto frágil, mas sorriso bondoso, com admiração. Em 56 anos de missão no Estado do Acre, este sacerdote que pertencia à Ordem dos Servos de Maria contraiu malária 84 vezes, mas isso não o impediu de fazer aquilo de que mais gostava: embrenhar-se pela selva, indo ao encontro das populações esquecidas em lugarejos ao longo do rio. Ele ia em missão, às vezes quase durante meio ano, só para estar com as pessoas que o resto do mundo nem reparava que existiam. Mas para ele os esquecidos da sociedade eram o centro de tudo, estavam no meio do seu coração. Cada viagem ao longo do rio era sempre uma aventura. Muitas vezes, o Padre Paolino regressava doente, com malária. Em pequenos caderninhos apontava tudo como se de um diário se tratasse. E lá estão registadas todas as vezes que a doença o apanhou no meio da missão na Amazónia. A doença apanhou-o, mas nunca o derrotou.

 

Padre e médico

Nessas viagens ao encontro dos que viviam ao longo das margens do imenso rio, o Padre Paolino fazia de tudo. Era sacerdote, claro, mas era também confidente. Celebrava casamentos e baptizados e dava aulas de catequese. Aliás, ensinar aquelas populações que mal fazem parte da estatística do país era uma das suas maiores preocupações. A tal ponto que construiu mais de 40 escolas na floresta, nem que fossem apenas salas de aula improvisadas onde alguém ficava com a incumbência de ensinar rudimentos de português. O Padre Paolino, amado profundamente pela sua simpatia, simplicidade e despojamento, foi aprendendo também a olhar para a floresta e, escutando os ensinamentos dos mais velhos da comunidade, começou a descobrir a imensa capacidade curativa das plantas. Juntando os remédios da medicina tradicional com o poder das plantas, foi ajudando a curar as maleitas do corpo. Ele que já tratava das almas… E depressa nasceu também a lenda do médico da floresta.

 

Uma vida cheia

Era raro o dia em que não atendia dezenas de pessoas. Aliás, praticamente até ao fim da sua vida, o Padre Paolino mantinha uma rotina assinalável. Levantava-se de madrugada, pouco depois das quatro horas da manhã, para rezar. Era ele e Deus no meio do seu quarto onde quer que estivesse. Em casa ou na floresta. Depois, às seis horas celebrava Missa. E das sete horas em diante, até ao meio-dia, atendia as pessoas. Era padre e doutor ao mesmo tempo. A sua preocupação com a medicina era tal que chegou a escrever um livro precioso em que relata como, com a boa utilização das ervas, é possível vencer mais de centena e meia de doenças. À tarde, após o almoço, o Padre Paolino dormia sempre uma sesta e depois ia de casa em casa para ajudar os que sabia em maiores dificuldades. Quando faleceu, numa sexta-feira, dia 8 de Abril de 2016, o Padre Paolino foi logo aclamado como santo pelo povo.

 

Continuar o legado

E, de facto, o que ele deixou é extraordinário, só ao alcance de alguém verdadeiramente abençoado. Em Sena Madureira, a sua paróquia, no interior do estado de Acre, na Amazónia, onde foi missionário por mais de 50 anos, as estatísticas dizem que 100% da população é católica. A sua vida é um exemplo. A Diocese de Rio Branco, a que pertence a Paróquia de Sena Madureira, é gigantesca. Ocupa uma área de mais de 100 mil Km2. Para evangelizar toda esta região são precisos muitos padres Paolino. Actualmente, a diocese tem apenas 26 sacerdotes diocesanos e mais 28 que pertencem a diversas ordens religiosas. O Bispo de Rio Branco, D. Joaquín Fernández, está empenhado em perpetuar a missão e o exemplo do Padre Paolino. Para isso, pediu ajuda à Fundação AIS para a formação de 16 seminaristas que estão dispostos a imitarem a vida do filho do pedreiro. Vamos ajudar esta diocese? Vamos fazer nascer muitos padres Paolino na Amazónia?

 

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Quer apadrinhar um seminarista da Diocese de Rio Grande, no Brasil, para ser um continuador do trabalho do Padre Paolino?

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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