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Isilda Pegado
O bom combate (Ainda a Eutanásia)

1 – As chamadas questões fracturantes (ou estruturantes) que se prendem com os valores da Vida Humana, da sexualidade, dos costumes e valores, têm dominado, nos últimos anos, os debates em Portugal (e na Europa). As leis da reprodução artificial, do aborto, do divórcio a pedido, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da educação sexual nas escolas, da mudança de sexo, do uso de embriões humanos, das barrigas de aluguer e agora, as propostas da Eutanásia, são temas que efectivamente dividem a sociedade portuguesa.

2 – A eutanásia foi chumbada no Parlamento Português no passado dia 29 de Maio. É um marco histórico. Para tanto, seguramente contribuíram as muitas movimentações do povo católico, da hierarquia da Igreja, de movimentos cívicos e de inúmeras figuras públicas conotadas com diferentes quadrantes políticos que publicaram dezenas e dezenas de artigos de opinião nos últimos meses. Fizeram-se centenas de sessões para esclarecimento da população, por todo o País. Os jovens fizeram sessões informativas nas Universidades com auditórios cheios, ou em pequenos encontros.

3 – Quando há dois anos o debate se iniciou, os Fóruns públicos (TSF, Prós e Contras) mostravam que o Povo era claramente a favor da Eutanásia. Nas últimas semanas uma estação de rádio fez dois inquéritos, o “não à eutanásia” obteve mais de 80% dos votos. Há um caminho feito na sociedade que deve ser continuado.

4 – Sob os temas “Toda a Vida tem dignidade” e “Não mates, cuida” foi-se levando à sociedade a dimensão humanista e solidária que se opõe à eutanásia. O debate e a decisão política são importantes, mas não menos importante, é este apontar para uma sociedade que cuida e estima os mais carenciados, idosos ou doentes.

A ideologia do descarte e da morte, parece ter sido afastada pela alegria de uma sociedade que cuida, que abraça ou arregaça as mangas.

Disto, foi bem claro o ambiente que se viveu nas concentrações dos dias 24 e 29 de Maio frente ao Parlamento, ou nas Vigílias do dia 28 à noite, por todo o País e nas Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo fora. É muito bonito testemunhar estes factos, que nos mostram o Bom combate travado.

5 – Louva-se o papel de alguma Comunicação Social, a Rádio Renascença, a Ecclesia, a Angelus TV e claro a Voz da Verdade e as dezenas de jornais regionais, católicos, ou não, que em especial nas últimas semanas, deram notícias e publicaram artigos de opinião, na defesa do bem-comum e da Vida.

6 – Não ignoramos e registamos, o papel manifestamente distorcido da Comunicação Social de “pensamento estatista” que constantemente denegriu e ofuscou todo este Movimento pela Vida, que acabaria por vencer no Parlamento.

De tal comportamento são notáveis as palavras de Miguel Sousa Tavares, que se confessa habitualmente a favor das questões fracturantes (nesta não tem opinião declarada) mas que escreve no jornal “Expresso” (de 2 de Maio), a este propósito: “Não me lembro de ver alguma derrota parlamentar tratada com tanta glória e honraria, nem vencedores com tamanho desprezo. Dir-se-ia que só uma das posições é que era digna de consideração”, e acrescenta: “Porque há, neste clube dos bem-pensantes, uma atitude militante de arrogância intelectual, de snobismo social e político e de pretensa superioridade ética…” (referindo-se aos defensores da Eutanásia).

7 – Não importaria o tratamento de que os protagonistas foram alvo se essa atitude não fosse um ataque feito à cultura da Vida. A qual não se pode tratar com desprezo, sob pena de destruirmos a Civilização dos Direitos Humanos, a cultura da Solidariedade e do Amor e o próprio Homem.

Este é, e continuará a ser, um “Bom combate”.