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“Ver Deus como um Pai que tem cuidado de mim
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O Papa Francisco considera que o mundo tem necessidade de cristãos com coração de filhos. Na semana em que foi publicado o documento de trabalho para o Sínodo dos Bispos sobre os jovens, o Papa condenou a separação de famílias na fronteira dos Estados Unidos, convidou “cada um a estar próximo dos refugiados” e publicou a mensagem para o II Dia Mundial dos Pobres.

 

1. O Papa Francisco convidou os cristãos a terem uma mentalidade de filhos de Deus. “Diante de nós abre-se esta alternativa: ver Deus como Alguém que me impõe coisas ou como um Pai que tem cuidado de mim e vela pelo meu bem. Logo no Jardim do Éden, o Tentador conseguiu enganar Adão e Eva neste ponto: convenceu-os de que Deus lhes proibira de comer do fruto da árvore do bem e do mal para tê-los sujeitos a Si. O diabo deixa os nossos primeiros pais perante este dilema: Aquela proibição de Deus é a imposição dum déspota que proíbe e constringe ou é a solicitude dum pai que tem cuidado dos seus filhos e os protege da autodestruição? Deus é patrão ou Pai? Somos seus súbditos ou filhos? Os factos demonstraram dramaticamente que a Serpente os enganou. Mas esta é uma luta que se apresenta, continuamente, dentro e fora de nós: vezes sem conta, fomos obrigados a escolher entre uma mentalidade de escravos ou uma mentalidade de filhos. Um espírito de escravo só pode ver a lei como opressora, daí resultando uma vida feita de deveres e obrigações ou então a recusa a obedecer-lhe. O cristianismo é a passagem da letra da Lei para o Espírito que dá vida. Jesus é a Palavra do Pai, não a condenação a nós imposta pelo Pai. O mundo não precisa de legalismo, mas de cristãos com coração de filhos”, frisou o Papa, na catequese durante a audiência-geral de quarta-feira, 20 de junho, na Praça de São Pedro.

 

2. O próximo Sínodo dos Bispos, em outubro, vai debater a necessidade de uma pastoral vocacional que ultrapasse a ideia de “recrutamento” de padres e religiosas, adianta o documento de trabalho da reunião, divulgado dia 19 de junho, pelo Vaticano. O texto questiona uma “visão redutora do termo vocação”, que cria um “forte preconceito nos jovens, os quais veem na pastoral vocacional uma atividade destinada exclusivamente ao ‘recrutamento’ de sacerdotes e religiosos”.

Na 15ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’, que decorre de 3 a 28 de outubro, os representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, incluindo Portugal, vão ser chamados a refletir sobre “percursos de preparação para o matrimónio” e de acompanhamento de jovens casais, bem como propostas vocacionais para os que decidem ficar solteiros.

O texto apresenta as diferentes vocações que existem na Igreja como serviços e não como qualquer “privilégio”, na construção de uma “comunidade fraterna”.

 

3. O Papa Francisco criticou o Governo de Donald Trump, nomeadamente a política de separar crianças dos seus pais quando são apanhados a entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Numa entrevista concedida à agência Reuters, no passado Domingo, e publicada esta terça-feira, dia 19, o Papa une a sua voz à da Conferência Episcopal Americana, que classifica a política da administração Trump como “imoral” e “contrária aos valores católicos”. “Estou do lado da Conferência Episcopal”, disse Francisco. “Que fique claro que nestes assuntos eu respeito as conferências episcopais”, acrescentou, aludindo a duas declarações emitidas pelos Bispos americanos, em que são tecidas duras críticas às políticas.

 

4. O Papa associou-se, no Vaticano, à celebração do Dia Mundial do Refugiado, que iria decorrer a 20 de junho, defendendo “responsabilidade e humanidade” no acolhimento a quem deixa o seu país. “Desejo que os Estados envolvidos nestes processos cheguem a um entendimento, para assegurar, com responsabilidade e humanidade a assistência e a proteção a quem é forçado a deixar o seu próprio país”, referiu, no passado Domingo, 17 de junho, após a recitação do Angelus.

Francisco lembrou que o Dia Mundial do Refugiado, promovido pelas Nações Unidas, visa “chamar a atenção para o que vivem, muitas vezes com grande ansiedade e sofrimento”, homens e mulheres “obrigados a fugir da sua terra, por causa de conflitos e perseguições”. “Cada um de nós é chamado a estar próximo dos refugiados, a encontrar com eles momentos de encontro, a valorizar o seu contributo, para que também eles se possam inserir melhor nas comunidades que o recebem”, acrescentou.

 

5. Um convite a descobrir a beleza do Evangelho. É este o tom da mensagem do Papa Francisco para o II Dia Mundial dos Pobres, que este ano se celebra a 18 de novembro, e que tem como tema ‘Este pobre grita e o Senhor o escuta’, extraído do Salmo 34. “As palavras do salmista tornam-se também as nossas no momento em que somos chamados a encontrar-nos com as diversas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs nossos que estamos habituados a designar com o termo genérico de ‘pobres’”, explica o Papa.

A mensagem destaca depois três verbos. “Antes de tudo, ‘gritar’. A condição de pobreza não se esgota numa palavra, mas torna-se um grito que atravessa os céus e chega até Deus. Num dia como este, somos chamados a fazer um sério exame de consciência, de modo a compreender se somos verdadeiramente capazes de escutar os pobres, pois é do silêncio da escuta que precisamos para reconhecer a sua voz”, lembrou o Papa, referindo depois o segundo verbo, ‘responder’: “O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta que, de toda a Igreja, dispersa por todo mundo, é dirigida aos pobres de todos os tipos e de todas as terras para que não pensem que o seu grito tenha caído no vazio. Provavelmente, é como uma gota de água no deserto da pobreza; e, contudo, pode ser um sinal de partilha para com os que estão em necessidade, para sentirem a presença ativa de um irmão e de uma irmã”. Finalmente, o Papa destacou o terceiro verbo, ‘libertar’. “O pobre da Bíblia vive com a certeza que Deus intervém a seu favor para lhe restituir a dignidade. A pobreza não é procurada, mas é criada pelo egoísmo, pela soberba, pela avidez e pela injustiça. Males tão antigos como o homem, mas mesmo assim continuam a ser pecados que implicam tantos inocentes, conduzindo a consequências sociais dramáticas”, apontou.

Nesta sua mensagem, Francisco manifesta ainda o desejo de que o II Dia Mundial dos Pobres seja celebrado como um momento privilegiado de nova evangelização: “Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair no vazio esta oportunidade de graça”.

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