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Venezuela: milhares de pessoas passam fome no país de Nicolás Maduro
Grito de desespero
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A crise está a atingir proporções terríveis. O FMI calcula que a inflação atinja este ano 13 mil por cento. Nem dá para imaginar o que isto significa de pobreza, de miséria absoluta. De fome. Na Venezuela, milhares de pessoas estão em desespero total. Muitos são portugueses. Na Venezuela, a Igreja procura ajudar os mais pobres dos pobres. E precisa muito de ajuda. A Fundação AIS lançou uma campanha de emergência…


Na Venezuela o dinheiro deixou de ter valor. É apenas papel impresso. A inflação destrói todas as economias. O Fundo Monetário Internacional calcula que, este ano, a inflação possa atingir os 13 mil por cento. Um valor absurdo que diz bem da miséria a que se chegou. A Igreja Católica tem estado na linha da frente na batalha na defesa das populações, principalmente as mais empobrecidas. O regime de Nicolás Maduro procura perpetuar-se no poder apesar das manifestações maciças das populações, apesar dos protestos da comunidade internacional, apesar também dos alertas da própria Igreja Católica. Na Venezuela cresce, de dia para dia, o número de pessoas atingidas pela fome com o país a atravessar provavelmente a crise mais grave da sua história. Tem sido a Igreja, através de diversas estruturas e organizações, a providenciar a ajuda de emergência para as populações mais afectadas. Uma dessas organizações é a Fundação AIS. Juntamente com a Caritas Venezuela, a Ajuda à Igreja que Sofre lançou a campanha “uma panela de sopa” com o objectivo de alimentar as famílias em situação mais desesperada…

 

Panelas de sopa

Cada “panela de sopa” é uma verdadeira cantina. No conjunto, estas “panelas” já se traduziram em refeições para cerca de 15 mil pessoas. Mas isso é muito pouco, é quase apenas uma gota de água no oceano da miséria que se vive na Venezuela. Por isso, a Fundação AIS tem como objectivo duplicar o número de refeições até ao final do corrente ano. Mas, mesmo assim, não chega. É preciso apoiar o esforço directo que se está a fazer em cada diocese, em cada paróquia, em cada movimento para que não se morra de fome na Venezuela neste ano de 2018…

 

Leite ao preço do ouro

As televisões mostram uma Venezuela em fúria, com os protestos das populações que encontram as prateleiras vazias dos supermercados e não têm como calar o choro dos seus filhos que pedem comida. Segundo o Arcebispo de Caracas, Cardeal Jorge Urosa Savino, a situação é “muito séria”. Estamos a viver, diz, uma “tragédia terrível” com o aumento incessante do número de pobres. Mesmo para os que há alguns anos pertenciam à chamada classe média, os dias que correm são de absoluta miséria. Para se compreender a tragédia em que se encontra a Venezuela, refira-se apenas como exemplo que um quilo de leite em pó custa mais do que o salário médio mensal, que corresponde a cerca de 3 euros. Um cabaz básico para alimentar uma família custa o equivalente a 50 salários mínimos.

 

Relatos dramáticos

Perante este caos absoluto, que fazer? A Fundação AIS é das instituições que, a nível internacional, mais se tem mobilizado em favor do povo venezuelano. Além da “panela de sopa”, a AIS está empenhada em campanhas de apoio espiritual e também no sustento directo aos sacerdotes para que eles possam continuar com a sua missão junto dos que mais sofrem no país. De todas as dioceses chegam à Fundação AIS relatos dramáticos de populações em desespero. Quase todos os dias, a Fundação AIS recebe também relatos de sacerdotes, de bispos e de irmãs que são a expressão de um povo de mãos estendidas, de um povo que passa fome e que vê o seu futuro cada vez com maior apreensão.

 

O albergue da providência

O Padre Caña Pérez, é o director do albergue da “Divina Providência”, a cerca de 1 km da ponte internacional Simon Bolívar. Na fronteira com a Colômbia, este albergue tem acolhido milhares de pessoas em fuga, por vezes famílias inteiras, no desespero mais absoluto. A distribuição de pão começa às 7:30 da manhã. Depois, servem almoços aos que por ali passam. O Padre Caña Pérez nunca sabe o que vai ser a refeição de amanhã. Por vezes, nem a do próprio dia. É a providência que determina o que vai para dentro das panelas. É a solidariedade que determina o que vai ser o almoço daquelas gentes. O Bispo de Cúcuta, D. Victor Ochoa, está particularmente preocupado com estas populações em fuga desde a Venezuela e que procuram abrigo na Colômbia. “Temos aqui, na fronteira, um drama humano. São irmãos venezuelanos que não têm nada para tratar da sua saúde, que estão sem esperança.”

 

Vamos ajudar?

Da Venezuela chega-nos um grito de desespero. Milhares de pessoas, milhares de famílias, passam fome, não têm acesso a medicamentos, a nada… estão na indigência absoluta. Pedem-nos ajuda. A Fundação AIS lançou, a nível internacional, uma campanha de emergência para alimentar as populações mais empobrecidas, os que estão absolutamente de mãos vazias. Na Venezuela vivem milhares de portugueses e de luso-descendentes. Muitos dos que suplicam por um pouco de pão fazem-no na nossa língua. Vamos ajudá-los?

 

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Quer participar na “panela de sopa” de solidariedade com as populações famintas da Venezuela? Ligue-nos: 217544000. Obrigado!

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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