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“Rezemos juntos pelos sacerdotes em dificuldade e na solidão”
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O Papa Francisco pediu orações pelos sacerdotes. Na semana em que apelou a que o povo sírio seja “poupado a mais sofrimento”, o Papa apareceu de surpresa num jantar oferecido a pessoas pobres, alertou para “triunfalismos vazios” na Igreja e pediu aos 14 novos cardeais para estarem sempre disponíveis para os outros.

 

1. O Papa Francisco pediu aos cristãos para rezarem, de forma particular, durante o mês de julho, pelos sacerdotes que vivem a sua missão “com dificuldade e na solidão”. “Rezemos juntos para que os sacerdotes que vivem com dificuldade e na solidão o seu trabalho pastoral se sintam ajudados e confortados pela amizade com o Senhor e com os irmãos”, apelou o Papa, em mais um ‘O Vídeo do Papa’, divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa.

Num tom pessoal, Francisco manifestou preocupação com o cansaço dos sacerdotes. “Sabem quantas vezes penso nisto? Os sacerdotes, com suas virtudes e seus defeitos, desenvolvem o seu trabalho em tantos campos. Diante de tantos desafios, não podem ficar parados depois de uma desilusão. Nesses momentos, é bom lembrar que as pessoas amam os seus pastores, precisam deles e confiam neles”, referiu. A edição de julho de ‘O Vídeo do Papa’ chama a atenção para a diversidade de atividades que os padres realizam e o cansaço que muitas delas podem provocar.

Segundo o último Anuário Pontifício, existem mais de 415 mil padres em todo o mundo, dos quais 37,4% na América, seguindo-se a Europa com 31,6%, a Ásia com 15,1%, a África com 13, 4% e, por último, a Oceânia com 2,5% dos padres.

 

2. O Papa pediu o fim dos ataques na Síria, quando os confrontos entre as forças rebeldes e os militares do regime subiram de tom nos últimos dias, nas províncias do sul do país. “Continua a grave situação na Síria, em particular na província de Deraa, nos locais onde as ações dos últimos dias atingiram escolas e hospitais, provocando milhares de refugiados. Renovo o meu apelo para que a população, já duramente castigada, seja poupada a mais sofrimento”, apelou, ao final da manhã do passado Domingo, 1 de julho, na Praça de São Pedro, no Vaticano, após a oração do Angelus.

Francisco anunciou ainda que se une ao esforço de mediação na Nicarágua, país a passar por um período de contestação social pela destituição do presidente Daniel Ortega. “Renovando a minha oração pelo povo da Nicarágua, decidi unir-me ao esforço que estão a fazer os bispos do país e tantas pessoas de boa vontade, no seu papel de mediação e testemunho no processo de diálogo nacional que está a decorrer, rumo à democracia”, afirmou Francisco.

 

3. O Papa Francisco foi o convidado especial, e surpresa, de um jantar organizado pelo novo cardeal D. Konrad Krajewski, o esmoleiro pontifício, responsável por fazer chegar a ajuda do Papa aos mais pobres. É uma tradição que se repete no Vaticano, cada vez que há novos cardeais, em que cada um deles reúne os seus colaboradores e amigos para festejar o cardinalato. Um dos novos cardeais, o polaco D. Konrad Krajewski, também conhecido por Corrado, reuniu 280 pobres e voluntários à mesa e o Papa apareceu para o jantar, realizado no final do consistório de sexta-feira, 29 de julho. Francisco sentou-se, tomou a refeição, conversou, sorriu e ainda tirou algumas fotografias. “Olha Corrado, eu não vim cá por você, mas vim por eles”, brincou o Papa, citado pelo ‘Vatican Insider’.

Refira-se que os cartões de convite para a festa foram entregues aos sem-abrigo nas estações de comboios da cidade romana e também através da Comunidade de Santo Egídio.

 

4. Na Missa da Solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo, onde participaram os 14 novos cardeais, entre os quais D. António Marto, o Papa Francisco alertou para a tentação dos “triunfalismos vazios” na Igreja. “Varias vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Jesus toca a miséria humana, convidando-nos a estar com Ele e a tocar a carne sofredora dos outros. Jesus, não separando da cruz a glória, quer resgatar os seus discípulos, a sua Igreja, de triunfalismos vazios: vazios de amor, vazios de serviço, vazios de compaixão, vazios de povo”, afirmou o Papa, na homilia da Missa a que presidiu, na Praça de São Pedro, no passado dia 29 de julho.

Perante os novos cardeais e arcebispos metropolitas de dezenas de países, Francisco convidou todos os responsáveis católicos a “entrar em contacto com a existência concreta dos outros”, o “drama humano real”, para dar a conhecer ao mundo “a força revolucionária da ternura de Deus”. “O Ungido de Deus leva o amor e a misericórdia do Pai até às extremas consequências. Este amor misericordioso exige ir a todos os cantos da vida para alcançar a todos, ainda que isso custe o ‘bom nome’, as comodidades, a posição… o martírio”, observou o Papa.

 

5. No consistório em que instituiu 14 novos cardeais, o Papa Francisco recordou-os da importância de verem o serviço aos pobres como a única honra pessoal que devem procurar. Na celebração na Basílica de São Pedro, na tarde do passado dia 28 de julho, o Papa entregou as insígnias aos 14 clérigos que escolheu para se juntarem ao Colégio Cardinalício, entre os quais D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima. “Que adianta ganhar o mundo inteiro, se se fica corroído por dentro? Que adianta ganhar o mundo inteiro, se todos vivem prisioneiros de asfixiantes intrigas que secam e tornam estéril o coração e a missão? Nesta situação – como alguém observou –, poder-se-iam já vislumbrar as intrigas de palácio, mesmo nas cúrias eclesiásticas”, alertou o Papa. “‘Não deve ser assim entre vós’: é a resposta do Senhor, que constitui primariamente um convite e uma aposta para recuperar o que há de melhor nos discípulos e, assim, não se deixarem arruinar e prender por lógicas mundanas que afastam o olhar daquilo que é importante”, acrescentou.

Francisco insistiu com os novos cardeais que devem estar sempre disponíveis para os outros, sobretudo os que mais precisam. “A conversão dos nossos pecados, dos nossos egoísmos não é, nem será jamais, um fim em si mesma, mas visa principalmente crescer em fidelidade e disponibilidade para abraçar a missão; e isto de tal maneira que na hora da verdade, especialmente nos momentos difíceis dos nossos irmãos, estejamos claramente dispostos e disponíveis para acompanhar e acolher a todos e cada um e não nos transformemos em ótimos repelentes por termos vistas curtas ou, pior ainda, por estarmos pensando e discutindo entre nós quem será o mais importante”, lembrou o Papa.

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