Missão |
Tiago Melo Cartaxo, Movimento ao Serviço da Vida (MSV)
“Não é preciso ir muito longe para fazer missão”
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Tiago Melo Cartaxo nasceu a 4 de setembro de 1982, em Lisboa. É licenciado em Direito, pós-graduado em Direito da Energia e mestre em Direito do Ambiente. É membro do Movimento ao Serviço da Vida (MSV) há mais de 10 anos.

 

Amigo dos projetos que vai desenvolvendo

Tiago é casado há cinco anos. A nível profissional, passou por vários escritórios de advogados, pelo departamento jurídico da Câmara Municipal de Lisboa, tendo integrado gabinetes ministeriais nas áreas do ambiente e da economia. Nos últimos anos, procurou enveredar por uma vertente mais académica, estando atualmente a frequentar o doutoramento em Direito, na Universidade Nova de Lisboa, dedicado à proteção dos direitos ambientais nas cidades. É membro do MSV há mais de 10 anos, movimento que é conhecido hoje por ser o movimento responsável pela Casa das Cores, um centro de acolhimento temporário para crianças em risco. Ao longo de vários anos integrou os chamados grupos de vida (e de partilha de vida cristã) do MSV e participou em diversos projetos de missão, de entre os quais destaca o projeto de Alcoutim. Neste momento, continua ligado ao MSV como membro dos órgãos sociais e como amigo dos projetos que aquele movimento vai desenvolvendo, “porque a vida vai mudando e as obrigações profissionais e familiares também já são outras”.

 

“É possível criar momentos de comunidade, de oração em conjunto”

Sobre o projeto, conta-nos que “os membros do MSV, na maioria estudantes universitários ou jovens em início de carreira, fazem-se à estrada, um fim-de-semana por mês, rumo à vila de Alcoutim, na Diocese do Algarve, para levar mais alegria a um concelho extremamente envelhecido e subpovoado. Com o apoio do padre Atalívio Rito, responsável pela paróquia, o projeto sempre pretendeu transmitir mais calor familiar a uma comunidade onde muitos vivem a terceira idade, a viuvez e o luto de forma bastante só”. Sobre a sua experiência, partilha: “A minha experiência era partir de Lisboa sexta-feira à noite, com todos os outros, chegando a Alcoutim por volta da meia-noite ou às vezes até mais tarde e, no dia seguinte, dividindo-se em pequenos grupos para visitar as pessoas mais sós, ajudá-las naquilo que fosse necessário, partilhar a mesa, rezar com elas e levar até elas a alegria e a juventude. Em troca, recebíamos tantos sorrisos e uma imensidão de carinho, difícil de descrever. Os sábados de manhã eram uma festa. Quando chegavam os carros dos ‘jovens de Lisboa’ – como somos conhecidos –, lá vinham todos à porta. Distribuíamo-nos pelas casas, trocávamos afetos, beijinhos, abraços e gargalhadas. A pedido das comunidades de cada um dos montes habitualmente visitados, fez-se obras nas casas, construiu-se pequenos santuários e oratórios, preparou-se almoços, plantou-se e colheu-se couves e alfaces, sem esquecer os habituais encontros em que se juntava a comunidade inteira de cada aldeia ou pequena localidade para rezar o terço. E ao domingo, alegrou-se a missa com o coro do MSV. Uma missão que leva alegria aos montes de Alcoutim, no interior do Algarve, e que não aproxima apenas os visitantes das comunidades locais, mas também as próprias pessoas que ali vivem e que, em alguns casos, estavam desavindas há tantos anos e estas são formas de fazer com que elas voltem a conversar, a rezar juntas, a cantar em uníssono e a trocar afetos. Isto porque há montes onde, devido a situações relacionadas com terrenos e partilhas, as pessoas deixaram de falar umas com as outras e sente-se algo incrível quando é possível criar momentos de comunidade, de oração em conjunto”.

 

“Somos demasiado pequenos em algo tão grande”

Tiago Melo Cartaxo conta ainda: “Nas palavras do padre Atalívio, no meio daquilo a que ele chama ‘pobreza habituada’, onde a palavra crise não faz sentido porque ‘as pessoas sempre viveram com o mínimo’, os jovens do MSV acabam por levar também às pessoas ‘a única pastoral possível, a do coração-a-coração’. E, a partir do momento em que se visita alguém pela primeira vez, não pode deixar de se voltar àquela casa porque cria-se mesmo uma relação, acaba por haver uma necessidade ou vontade recíproca, sente-se que se é parte de uma família. Ao partir da grande cidade, os ‘jovens de Lisboa’ vão felizes porque querem levar às pessoas de Alcoutim algo mais, algo que elas possam não ter, como companhia – onde a maioria dos habitantes vive sozinha –, mas regressam a casa com um coração muito mais cheio. Algo que só se sente quando se participa numa missão como esta. E só Deus pode explicar tudo isto. Somos demasiado pequenos em algo tão grande. Este é apenas um exemplo de que não é preciso ir muito longe para fazer missão. É-nos pedido todos os dias que façamos missão, não apenas em África ou noutros continentes, mas também junto daqueles que estão mais perto. Seja em Alcoutim ou até mesmo com as pessoas que vivem na nossa cidade, no nosso bairro, à nossa porta”.

 

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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