Domingo |
À procura da Palavra
Quando o pouco é tudo…
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DOMINGO XVII COMUM Ano B

“Está aqui um rapazito

que tem cinco pães de cevada e dois peixes.

Mas que é isso para tanta gente?”

Jo 6, 9

 

Continuamos a não perceber o jeito de Deus agir e fazer milagres. Gostamos de esperar, sentados ou de joelhos, que Deus faça e nós vejamos a sua omnipotência resolver aquilo que desejaríamos não fosse tarefa nossa. Calamos o seu apelo a escutar quem sofre, a ver a miséria (não a distante, mas a mais próxima de nós), a partilhar o pouco que temos. A erradicação da fome continua a ser um dos milagres que a dureza do coração humano e os interesses egoístas persistem em não resolver.

D. Hélder Câmara, o arcebispo de Olinda-Recife, não calava a voz na defesa dos pobres: “O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus”; “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.” S. Teresa de Calcutá, pedia para fazer pequenas coisas com um grande amor: “A falta de amor é a maior de todas as pobrezas. O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o.”; “O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza de sobra para todos. É só uma questão de reparti-la bem, sem egoísmo.”

Todos os evangelhos relatam a multiplicação / partilha dos pães e dos peixes, que Jesus fez numa encosta junto ao lago da Galileia. A multidão partilha, não um banquete de ricos, com iguarias exóticas, mas a refeição simples dos que vivem junto ao lago: pães de cevada e peixe. Todos ficaram saciados e ficou gravada a abundância que resultou da insignificância, bem como a recomendação de nada perder nem deitar fora. Esta refeição partilhada torna-se sinal da humanidade nova e fraterna que Jesus vem realizar, antecipa a Eucaristia em que recebemos o espírito e a força de Jesus, e compromete-nos com todos os famintos: de pão, de justiça, de esperança e de amor. Quantos cestos “sobram” das nossas eucaristias e com quem são partilhados?

O muito que eram os cinco pães e dois peixes para o jovem, apresentado por André a Jesus, é verdadeiramente insignificante para a multidão a alimentar. Contudo, a lógica do comprar e vender (sugerida por Jesus!) dá lugar à experiência da gratuidade, à descoberta da força do dom que, não só garante a todos o necessário, como faz aparecer uma surpreendente abundância. O pouco, que o jovem entregou nas mãos de Jesus, foi o necessário para o milagre. Triste de quem fica à espera de ter muito para fazer algo. O que marca a diferença, não são os pães ou os peixes, mas o amor que os liberta de um desejo egoísta de posse e os oferece generosamente. O que podia dar uma indigestão a um, saciou a fome a muitos. Se o pouco é tudo, nada mais é preciso! Seria tão bom ir aprendendo que o jeito de Deus fazer milagres é a contar connosco!

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