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“Repouso é oportunidade para agradecer a Deus pela vida”
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O Papa Francisco refletiu sobre o terceiro mandamento da Lei de Deus: santificar os Domingos e festas de guarda. Na semana em que pediu educação e trabalho de qualidade para jovens em África, o Papa defendeu o silêncio e a oração perante quem procura o escândalo, criticou a “hipocrisia” na religião e lembrou o “imperativo urgente” de cuidar da água.

 

1. O Papa Francisco apelou ao entendimento do descanso. “O terceiro mandamento da Lei de Deus fala-nos do repouso semanal. Repousar pode parecer um mandamento fácil de se cumprir, mas muitas vezes equivocamo-nos do seu significado. A sociedade contemporânea é ávida por divertimento e descanso. Porém, entende-se o descanso como evasão: uma alienação e fuga da realidade. De facto, o homem nunca repousou tanto como hoje e, ainda assim, nunca experimentou tanto vazio. Deus, por outro lado, convida-nos a viver o repouso como um momento de contemplação e de bênção, como vemos no Génesis, que diz que, o Criador, após ver que a criação era muito boa, repousou no sétimo dia. Portanto, o repouso não pode ser uma fuga, mas uma oportunidade para agradecer a Deus pela vida, que nem sempre é fácil, que às vezes é dolorosa, mas, ainda assim, é preciosa, como nos ensinam tantas pessoas doentes e pobres que, nas suas dificuldades, sabem encontrar serenidade e alegria. Por isso, nos Domingos, celebramos a Eucaristia, que significa Ação de Graças, para a agradecer por tudo o que recebemos de Deus e, assim, nos reconciliar com a nossa própria história”, lembrou o Papa, durante a audiência-geral de quarta-feira, 5 de setembro, que decorreu na Praça de São Pedro, no Vaticano.

 

2. Na edição deste mês de ‘O Vídeo do Papa’ (www.thepopevideo.org), o Papa Francisco afirmou que os jovens africanos devem aceder a uma educação e a um trabalho de qualidade, sem necessidade de emigrar, e assegura que eles são a verdadeira riqueza deste continente. “Rezemos para que os jovens do continente africano tenham acesso à educação e ao trabalho nos seus próprios países. Se um jovem não tem possibilidades de educação, que poderá fazer no futuro?”, pergunta o Papa, no vídeo realizado pela Rede Mundial de Oração do Papa e que foi divulgado no passado dia 4 de setembro.

 

3. O Papa retomou esta semana, no dia 3 de setembro, as celebrações na Casa Santa Marta, enfatizando que o desejo de “escândalo e divisão” apenas pode ser combatido com o silêncio e a oração. Na homilia, Francisco lembrou que o “silêncio” e a “oração” são a melhor resposta a quem procura divisões e “escândalo” na Igreja Católica. “Que o Senhor nos dê a graça de discernir quando temos de falar e quando nos devemos calar”, pediu, na Missa a que presidiu, esta segunda-feira, na capela da Casa de Santa Marta. “A verdade é mansa, a verdade é silenciosa, a verdade não faz barulho. Não é fácil, o que fez Jesus [silêncio], mas é a dignidade do cristão que está ancorada na força de Deus. Com as pessoas que não têm boa vontade, com as pessoas que procuram apenas o escândalo, que procuram apenas divisões, que só procuram a destruição, também nas famílias: silêncio. E oração”, acrescentou, convidando os participantes na celebração a refletirem sobre o “modo de agir na vida diária”. “Quantas vezes, nas famílias, começam discussões sobre a política, o desporto, o dinheiro, uma e outra vez; estas famílias acabam destruídas, em discussões nas quais se vê que está lá o diabo e que quer destruir… Silêncio”, apelou.

 

4. O Papa Francisco criticou a “hipocrisia” de quem vive a sua fé de forma sobranceira, ignorando ou julgando o próximo. “O Senhor convida-nos a fugir do perigo de dar mais importância à forma do que à substância, convida-nos a reconhecer sempre que o verdadeiro centro da experiência de fé é o amor a Deus e o amor ao próximo, purificando-a da hipocrisia do legalismo e do ritualismo”, salientou, perante milhares de pessoas reunidas para a recitação do Angelus. No passado Domingo, 2 de setembro, Francisco sublinhou a necessidade de “praticar a caridade” com quem mais precisa, “os mais frágeis, os que estão mais à margem”. “São as pessoas de que Deus cuida de forma especial, pedindo-nos que façamos o mesmo”, acrescentou, alertando para a “mentalidade mundana”, ou seja, uma vida marcada pela “vaidade, a avareza, a soberba”. “Quem vive nesta mentalidade, e condena os outros, é um hipócrita”, assegurou.

O Papa advertiu ainda para os riscos de uma “catástrofe humanitária” na Síria, numa referência à província de Idleb (noroeste), alvo há vários dias do fogo de artilharia do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad. “O vento de guerra continua a soprar e notícias inquietantes chegam até nós sobre os riscos de uma possível catástrofe humanitária na Síria querida do nosso coração, na província de Idleb”, declarou, renovando igualmente os apelos para um “diálogo” e uma “negociação” no conflito sírio, de forma “a poupar civis”.

 

5. O Papa Francisco voltou a chamar a atenção para a água, “elemento tão simples e precioso”, de acesso “difícil para muitos, se não impossível”. O alerta consta da Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2018 (1 de setembro). “Precisa-se urgentemente de projetos conjuntos e de ações concretas, tendo em conta que é inaceitável qualquer privatização do bem natural da água que seja contrária ao direito humano de poder ter acesso a ela”, escreveu o Papa.

Francisco revelou que sente “a necessidade de dar graças a Deus pela ‘irmã água’” devido ao “papel fundamental” na criação e no desenvolvimento humano. “Simples e útil sem nada de parecido para a vida no planeta. Precisamente por esse motivo, cuidar de fontes e bacias hídricas é um imperativo urgente”, explicou, sublinhando a necessidade de “um olhar que ultrapasse o imediato”. No contexto da mensagem dedicada à proteção da água, o Papa Francisco alertou para a questão dos mares e dos oceanos, e orienta os pensamentos para “as imensas extensões marinhas”, “em certo sentido, uma oportunidade para pensar em Deus”. “Não podemos permitir que os mares e oceanos se preencham com extensões inertes de plástico flutuante”, sublinhou.

O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado pela Criação foi instituído pelo Papa Francisco em 2015, após a publicação da encíclica ‘Laudato si’ – Sobre o cuidado pela Casa Comum’, em junho desse ano. O dia 1 de setembro foi escolhido para coincidir com a comemoração que já era feita pela Igreja Ortodoxa.

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