Missão |
Patrícia Coelho, Juventude Mariana Vicentina
“Demos todo o amor que hoje já não nos cabe no coração”
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Patrícia Coelho nasceu a 24 de novembro de 1994. É licenciada em Animação Sociocultural. Em 2010 fez a sua admissão na Juventude Mariana Vicentina com quem partiu em missão, em 2017, por um ano, para Moçambique.

 

Confiança de que tudo iria dar certo

Sempre teve “especial gosto pelas artes plásticas” e no ensino secundário estudou Artes Visuais. Em 2015 licenciou-se em Animação Sociocultural. “A par de uma vida académica ativa e feliz sempre cresci no seio de uma família cristã e este crescimento tornou-me numa Patrícia muito mais feliz! Depois de um percurso catequético completo e saudável, com todos os marcos importantes e obrigatórios e fundamentais, em 2010 fiz a minha admissão para a Juventude Mariana Vicentina que mais tarde me dá a oportunidade de partir a servir para a Missão Renascer p’ra Esperança, em Moçambique”, partilha. O seu ano de preparação foi “marcado por obstáculos que tiveram de ser ultrapassados com muita fé e confiança de que tudo iria dar certo. Desde a difícil aceitação por parte dos meus pais (que eram o apoio que eu mais precisava), até aquelas em que a ansiedade tomava conta de mim (de tal forma que eu não conseguia pregar olho). Todas estas emoções, a certa altura, começaram a tomar conta de mim, e, na minha vida laboral e pessoal, começaram a refletir-se deixando transparecer o nervosismo que estavam a invadir o meu coração. Na verdade, eu estava verdadeiramente ansiosa de saltar desde Portugal para fora, e nunca mais chegava a hora”.

 

“Partir em missão foi mais do que aquilo que estava à espera”

Patrícia diz-nos que “partir em missão foi mais do que aquilo que eu estava à espera conseguir fazer.” Conta-nos também que a tomada de decisão foi “mais fácil do que todo o caminho para lá chegar”. “Em frente ao Santíssimo, senti-me chamada a dar mais de mim longe daqui, não me assustava a ideia de me desinstalar em busca do outro. A única coisa que me assustava era não conseguir chegar ao outro da forma que ele precisava de mim. Mas para isso bastava confiar no mesmo que naquele momento me chamou a partir: Deus.” Patrícia não partiu sozinha, partiu com a Lara “uma irmã que sempre esteve ao meu lado e embarcou comigo em mais uma aventura”, como partilha, e hoje “agradeço a Deus ter colocado no meu caminho da Missão a Lara”. “Sempre pensámos que muita coisa poderia correr mal, que 24 sobre 24 horas podiam ser demais para os nossos feitios super diferentes se darem tão bem... mas confiámos no plano de Deus e deixámos que fosse Ele a decidir isso. Que maravilha é confiar no Senhor, tenho uma irmã para a vida toda, esta irmã partilhou comigo a mais bela aventura da minha vida, que me viu no meu melhor e no meu pior, que me deu os maiores puxões de orelhas nas alturas certas, que foi o ombro amigo que eu precisei durante todo o tempo que estive longe de toda a minha família e de todos aqueles que sempre foram o meu refúgio. É verdade, Deus não faz nada por acaso, e coloca no nosso caminho as pessoas certas, para os sonhos certos.”

 

“A Patrícia que foi não é a mesma que voltou”

No dia 1 de janeiro de 2017, quando entrou no avião para um ano de missão em Moçambique diz-nos que “não queria acreditar”... “Mas foi e eu fui com ele, com todos os meus sonhos, certezas, incertezas, forças, fraquezas, poderes e superpoderes...fui e fui FELIZ acima de tudo. Chegar à minha ‘terra do nunca’ foi sem dúvida o concretizar de um sonho, um sonho que não era só meu, um sonho já sonhado por muitos mas que será para sempre o meu lugar especial, o lugar onde eu serei para sempre criança, onde me sentirei para sempre amada como no meu primeiro dia de vida. Trabalhámos muito para dar aos nossos pequenos tudo o que nos era possível (e às vezes impossível), fizemos obras para lhes dar um parque infantil, mesas e cadeiras para as refeições, casas de banho e chuveiros; levámo-los ao centro de saúde para fazer todos os exames médicos que tinham direito; vestimo-los com roupas quentes nos dias frios, roupas novas quando as deles já vinham rotas; demos todo o amor que hoje já não nos cabe no coração, porque ficou lá... e quem me dera ter ficado lá com ele! Enquanto outra não se sobrepõe, esta foi a aventura da minha vida. Tenho a certeza que a Patrícia que foi não é a mesma que voltou. Se me perguntarem qual foi a maior lição que a missão me deu irei sempre dizer: coloca nas mãos de Deus tudo o que fazes, ele cuidará das tuas coisas tão bem como cuida de ti. Nos dias difíceis e nas situações em que o meu sinal GPS ficava completamente perdido eu parava, olhava para o céu e esperava que a calma voltasse ao meu coração. Nos momentos de gratidão eu ouvia o meu coração bater para me lembrar de cada dia em que fui feliz naquela terra de Deus. A cada dia que passava eu agradecia a Deus pela maravilhosa aventura que estávamos a viver. Se fazia tudo novamente? Fazia, sem tirar nem pôr, porque aquela foi a missão da Patrícia e foi assim que fui verdadeiramente FELIZ”, partilha.

 

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação

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