Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
De que nos havemos de gloriar?

A cruz é o lugar da nossa glória de cristãos, como afirmava S. Paulo: “Quanto a mim, porém, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal 6,14).

De que havemos de nos gloriar? Das obras que praticamos? Da fé que temos? Do mundo que construímos? Tudo o que temos e somos é dom recebido. E tudo o que recebemos e pelo qual vale a pena lutar, em última análise, recebemo-lo na cruz de Jesus Cristo. Nela o próprio Deus, em primeira pessoa, experimentou, viveu a nossa morte para a derrotar definitivamente e, assim, nos abrir as portas da vida em abundância, da vida eterna. A cruz é o sinal de que a vitória não é nossa mas de Deus. E só de Deus e do seu amor.

É por isso que a cruz é para os cristãos um sinal de vida, não de morte. Se colocamos a cruz nas campas dos nossos cemitérios (no campo da “sementeira”, onde o corpo corruptível é semeado como o grão de trigo para dar muito fruto) é porque queremos fazer uma profissão de fé: aquele cristão cujo corpo ali repousa há-de ressuscitar com Cristo, gloriosamente, no último dia. E usamo-la ao peito, bem perto do coração porque tudo o que somos é de Jesus crucificado, mesmo o amor que vivemos. E colocamo-la bem alto, bem visível nas igrejas, nos cimos dos montes, nas entradas das nossas terras e nos caminhos que percorremos para que seja bem visível em quem colocamos a nossa glória— nunca como ofensa mas sempre como convite à vida e à fé (que pode ter de ofensivo o sinal da cruz, da vida oferecida até ao fim, do amor até ao limite?).

Usamo-la em simples e humilde madeira, como foi a cruz de Cristo, ou em ouro glorioso para expressar a glória divina que ali veio ao nosso encontro… Ao longo dos séculos foram tantas as formas de mostrar a cruz como lugar onde se mostrou o amor de Deus por nós!

Não nos espantemos que muitos cristãos sejam perseguidos por ostentar a cruz: ela é verdadeiramente o sinal de fé e de vida. É natural que aqueles que nos querem impor o silêncio acerca da fé a queiram retirar não apenas dos espaços públicos (a cruz é também sinal de tudo o que o cristianismo significou e significa no que respeita à conquista da dignidade humana) mas também proibir o seu uso pessoal. É natural que aqueles que querem construir uma sociedade sem Deus lutem contra a cruz porque ela diz sempre que tudo na vida é dom recebido em Cristo. É natural que a procurem disfarçar ou transformar num sinal de morte, de tristeza, de vergonha e escândalo.

Mas já não é tão evidente – não é mesmo nada evidente! – que nós cristãos tenhamos vergonha da cruz. Que não a coloquemos nos templos recentemente construídos, como se ela ofendesse quem por ali passar. Ou que a disfarcemos, “estilizada”, “envergonhada”, até no interior das igrejas e nos objectos sagrados…

A cruz fala por si. Fala do amor de Deus por nós e por todos. E fala da nossa fé. Olhando para ela e para o modo como a apresentamos, percebemos também em quem nos gloriamos e como vivemos a fé.

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