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DOMINGO XXV COMUM Ano B

“Quem quiser ser o primeiro

será o último de todos e o servo de todos.”

Mc 9, 35

 

Em qualquer programa escolar estabelecem-se os conhecimentos fundamentais a adquirir e o modo de os ensinar. Podemos ver o itinerário de Jesus com os discípulos pela Galileia, como uma verdadeira escola. Feita de caminho, onde a “matéria” é dita, e de casa, onde é aprofundada. E os discípulos, não entendendo, calam-se com medo de perguntar. Eles, e nós, teremos sempre dificuldade em entender (e aceitar) a maneira de Jesus ser Messias e Deus. Que isso passe pelo amor e dádiva de vida, que inclua despojamento e sofrimento, está tão distante das nossas ilusões de poder, vitória e domínio! É mais fácil agarrarmo-nos às classificações e grandezas, procurando esquecer aquela “matéria” difícil, e calarmo-nos envergonhados diante da pergunta de Jesus. O medo e a vergonha bloqueiam o conhecimento.

 

São apenas três, as vezes que o evangelista S. Marcos conta que Jesus se sentou: num barco junto ao lago (4,1); em Cafarnaum (9, 33), na casa (de Pedro?); e no Monte das Oliveiras, diante do templo (13,3). São momentos centrais de ensino: a parábola do semeador; a lição sobre quem é o primeiro; o anúncio do fim dos tempos. O silêncio diante do anúncio da páscoa de Jesus, e a luta de interesses que os discípulos protagonizaram, implicam uma lição essencial. É preciso clarificar a vida nova que Ele veio oferecer: o amor concretiza-se no serviço de todos, o primeiro há-de ser o último de todos. De todos, e nunca será demais a insistência quando é fácil a tentação de ficarmos nos “nossos”, nos “da nossa simpatia e afinidade”, nos da “nossa liturgia”, nos “que estão certos como nó”! O centro da vida de Jesus é esse, e quem O quer seguir há-de viver assim.

 

A criança, que Jesus coloca no meio dos discípulos, representa todos os dependentes, os pequeninos, os indefesos, os que precisam de cuidado. São eles o centro da vida cristã, necessitados de mãos maternas e ternas, que acarinham e protegem, ao contrário das mãos que ferem e matam, como aquelas que Jesus encontrou na sua paixão. Quando o centro da vida dos discípulos, o centro da vida da Igreja, não é o amor aos mais pequeninos e pobres, é falsa a nossa identificação com Cristo, e deixamos de O receber. A “Carta do Papa Francisco ao Povo de Deus” de 20 de agosto passado, motivada pelo “sofrimento vivido por muitos menores por causa de abusos sexuais, de poder e de consciência cometidos por um número notável de clérigos e pessoas consagradas”, volta-nos para o abraço de Jesus à criança do evangelho de hoje. Não haverá por aí abraços que ainda não se deram a quem precisa?


Qual o centro da nossa vida? Qual o sol à volta de quem orbitamos? O que está no centro das nossas comunidades, dos nossos trabalhos, dos nossos projectos? No exame quotidiano não basta o conhecimento, pois o que é essencial é a vida que damos, o conteúdo do que fazemos, a graça, e não a desgraça, que semeamos. Quem coloca no centro da vida os últimos, não será sempre dos primeiros?

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