Entrevistas |
Luís Martins, antigo aluno da Escola de Leigos
“O cristianismo passou a estar muito mais presente no meu dia-a-dia”
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Luís Martins é um dos alunos que passaram, ao longo de 30 anos, pela Escola de Leigos, do Instituto Diocesano da Formação Cristã. Em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, este leigo destaca a importância de “conhecermos aquilo de que estamos a falar” para uma melhor vivência da fé e partilha também a “nova abordagem, relativamente ao trabalho” que esta formação lhe trouxe.


Luís Martins é da Paróquia da Lapa, na Estrela, em Lisboa, mas esteve afastado, durante anos, da vida paroquial. Agora, aos 58 anos, este leigo é coordenador da catequese, leitor e ministro extraordinário da comunhão. Uma aproximação que também resultou da experiência em aprofundar a sua fé, através de procurar saber mais. A sua formação cristã, “alimentada” pela participação na Escola de Leigos, resultou numa “nova abordagem” relativamente ao dia-a-dia, em particular perante as decisões de gestão que tem de tomar. “O cristianismo passou a estar muito mais presente no meu dia-a-dia, de forma assumida”, manifesta.

 

Como e quando conheceu a Escola de Leigos?

Conheci a Escola de Leigos, no final dos anos 90, através de um sacerdote amigo, o padre Nuno Tavares. Ele tinha sido aluno da minha mãe na escola preparatória. Depois, quando foi ordenado padre, a minha mãe foi à sua ordenação e eu ouvi falar dele. Entretanto, um filho meu faleceu e, na altura, ele acompanhou-nos bastante. Foi a partir daí que comecei a ter mais contacto. Foi-nos falando, a mim e à minha mulher, das propostas do Instituto Diocesano da Formação Cristã. Ela participou na Formação a Distância e eu fiz o triénio da Escola de Leigos.

 

O que o fez inscrever-se?

A vontade de conhecer, aprofundar os conhecimentos e ganhar alguma estabilidade do ponto vista dos conceitos, porque nunca tinha estudado esses temas. Estive muitos anos sem uma vida ativa na paróquia. Costumo dizer que agora, sim, faço algumas coisas na paróquia, mas não há problema porque eu estive tantos anos sem fazer nada. Agora, sinto que estou a compensar!

 

Durante os seis semestres de formação, o que aprofundou?

Aprofundei basicamente tudo. Sendo uma pessoa com um razoável nível cultural, nunca tinha estudado os temas religiosos e, portanto, o que sabia era aquilo que se ia sabendo no dia-a-dia e no contacto com a paróquia, que era muito pouco. Tinha pouco aprofundamento e também não frequentava a paróquia, fora da celebração dominical. Havia sempre eventos, seminários, palestras mas eu nunca ia. De facto, a Escola de Leigos abriu-me um mundo novo que eu intuía mas não conhecia. Começar a estudar, perceber melhor arrumação dos textos bíblicos, os temas, a própria história, foi muito interessante.

 

Esse conhecimento veio contribuir para as suas ações do dia-a-dia?

Foi muito importante. Trouxe-me estabilidade, confiança na minha própria fé. A fé é algo que não se estuda, mas ganha-se – e eu, sou exemplo disso – se tivermos estabilidade conceptual e conhecermos aquilo de que estamos a falar. Até porque, hoje em dia, a sociedade é muito diversificada. É uma sociedade que tem muitas matizes, tem muita gente a pensar individualmente, e é muito útil e importante que os cristãos tenham a noção do que é o cristianismo e da sua importância na sociedade. Sem o conhecimento, relativamente sólido, dos fundamentos, não é possível fazer isso com eficácia. Hoje, as novas dinâmicas anticlericais, antirreligiosas, estes fenómenos muito ligados ao individualismo, geram muita confusão e enfraquecem e fragilizam muito a posição da Igreja Católica. Acho que os católicos têm essa obrigação de dar o seu contributo. E uma das vias é através do conhecimento.

 

Essa formação já contribuiu para alguma decisão concreta, nas suas funções administrativas?

Sem dúvida. A minha formação cristã, alimentada pela formação que começou na Escola de Leigos, resultou numa nova abordagem relativamente ao trabalho e às decisões tenho de tomar. O cristianismo passou a estar muito mais presente no meu dia-a-dia, de forma assumida. Houve muitas decisões tomadas, mas houve um caso muito particular, numa das nossas empresas. Foi o de um trabalhador que teve uma falha grave, do ponto de vista profissional, gerando um acidente. Foi instaurado um processo para despedimento. A decisão também passava por mim e lembro-me que ponderei muito – quando, noutras situações nem pestanejava – e encontrámos uma solução, negociando posteriormente a sua integração noutra função e fazendo com que não perdesse o seu posto de trabalho. Houve uma preocupação de, mantendo o equilíbrio institucional, olhar também para a pessoa humana. Sem dúvida que é o resultado do aprofundamento cristão.

 

Depois do triénio bíblico com a Escola de Leigos, sentiu vontade de aprofundar mais o seu conhecimento nesta área?

Sim, estou a tirar a licenciatura em Ciências Religiosas, na Universidade Católica. Acho que a relação com a Escola de Leigos me abriu uma vontade, uma sede de conhecimento. Foi responsável por me abrir um caminho que eu agora quero percorrer. Quero continuar a aprofundar, dentro das minhas limitações de tempo, mas não sei onde vai parar... A minha ideia é continuar a estudar.

 

Como poderia convencer alguém a inscrever-se na Escola de Leigos?

Da mesma maneira que o padre Nuno Tavares me convenceu. No fundo, mostrar a importância do aprofundamento dos conhecimentos, dos conceitos ligados ao cristianismo, que são absolutamente fundamentais para os cristãos de hoje. Aliás, no curso de Ciências Religiosas também se fala disso, com muitas cadeiras a abordar a temática dos novos fenómenos religiosos e toda esta confusão que está instalada. Na própria história da Religião, também se percebe isso. Houve momentos em que a religião estava no centro. Hoje, não está no centro da vida das pessoas mas é um elemento, entre outros, que as pessoas abordam no seu dia-a-dia. Eu acho que a Igreja tem que se adaptar a todos esses momentos. E a Igreja somos nós!

A Escola de Leigos abriu-me a porta e entusiasmou-me para a consciência da importância de encontrar novos caminhos de formação. Essa satisfação e esta certeza, serão a base para convencer outras pessoas. Dou muito testemunho desta experiência, conseguida, de aprofundamento da fé, através da consolidação dos conhecimentos.

 

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Formação com novas temáticas e abordagem

 

O responsável pela Escola de Leigos, do Instituto Diocesano da Formação Cristã, padre Nuno Tavares, apresenta ao Jornal VOZ DA VERDADE os objetivos e as principais novidades da formação, para o ano pastoral 2018-19.

 

Quais as principais novidades da Escola de Leigos?

A principal novidade para este ano pastoral é a nova organização da oferta do Instituto. Hoje, propomos o curso Bíblia e Teologia, que tem a duração de 3 anos e que substitui o até agora chamado Triénio de Iniciação Bíblico-Teológica. A mudança não é só no nome, mas também em algumas temáticas e formas de abordagem.

Respondendo também à receção da nossa Constituição Sinodal, vamos privilegiar a vivência da liturgia, lugar de encontro celebrativo com Deus, e com os irmãos na comunidade cristã.

 

Quantos alunos já passaram pela Escola?

Em 30 anos, a Escola de Leigos passou por 86 paróquias, teve 22 mil inscritos, quer no que hoje chamamos de ‘Bíblia e Teologia’ (3 anos), quer nos ‘Cursos Específicos’ (1 semestre), quer nos ‘Módulos’ (até 5 sessões). Nos ‘Módulos’, pedidos pelas paróquias, estimamos uma média de 550 participantes por ano.

 

Quais os principais objetivos da Escola de Leigos?

A Escola de Leigos nasceu, em 1988, depois do Congresso Nacional dos Leigos, por iniciativa de um pequeno grupo de párocos de Lisboa, que se encontravam regularmente para refletir sobre iniciativas a ter para responder às inquietações das comunidades cristãs. O primeiro objetivo é conhecer mais e melhor Deus e a Sua Palavra. Assim, suscitamos o gosto e o desejo de O ter mais presente na nossa vida, fazendo da escuta da Palavra e de toda a oração um lugar da escuta de Deus; cultivar a liturgia como lugar de encontro com Deus e com a comunidade cristã; e de sabermos dar as razões da nossa esperança cristã numa Igreja em saída. Procuramos que possa ser um percurso onde se cresça na consciência da nossa missão batismal, onde quer que estejamos e no que fazemos.

 

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Escola de Leigos “teve o seu contributo” para a entrada no seminário

O anúncio de que estavam abertas as inscrições para a Escola de Leigos fez despertar no jovem Rui Silva o desejo de poder aprofundar o seu conhecimento. Então com 18 anos, inscreveu-se e participou nas aulas da Escola de Leigos, na Paróquia de Alverca, mesmo ao lado da sua paróquia: Vila Franca de Xira. “Lembro-me particularmente de uma profunda abordagem bíblica. O professor era o padre Garrido. Essa foi a que mais me marcou”, lembra ao Jornal VOZ DA VERDADE o padre Rui Silva, atual pároco do Carregado e Cadafais, que sempre se sentiu – e sente – “fascinado” pela área bíblica. “Depois de começar o estudo de Teologia na Universidade Católica, vim a verificar que alguns dos conteúdos que tinha começado a receber na Escola de Leigos foram válidos para o estudo que se seguiu”, aponta.

Este sacerdote, de 46 anos, assume que a Escola de Leigos “teve o seu contributo” para que entrasse no seminário, aos 22 anos, e explica que aquela é uma oferta formativa que “não visa ser absoluta”. “Há pessoas para quem o ideal é frequentar um curso na Universidade Católica Portuguesa; há outras para quem as propostas da sua paróquia podem ser suficientes... Entendo que a Escola de Leigos ocupa um lugar importante para quem se situa algures no meio. Pode ser uma introdução para quem nunca teve nenhuma abordagem do ponto de vista teológico e pode vir despertar para, mais tarde, seguir para outros estudos. Está também ao alcance de todos, até do ponto de vista geográfico, porque existe em vários pontos da diocese”, refere o sacerdote do Patriarcado de Lisboa.

 

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Secretariado do Instituto Diocesano da Formação Cristã

Rua Camilo Castelo Branco, nº 4, 1150-084 Lisboa

Horário: 2ª a 6ª feira, das 14h30 às 17h30

Tel.: 213 558 026 / 916 209 919

idfc@patriarcado-lisboa.pt | www.idfc.patriarcado-lisboa.pt

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