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Papa pede aos católicos chineses para serem “artífices da reconciliação”
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O Papa Francisco enviou uma carta aos católicos chineses e a toda a Igreja. Na semana em que visitou a Lituânia, Letónia e Estónia, o Papa garantiu empenho na descoberta da verdade sobre os casos de abusos, falou aos catequistas e recebeu os participantes em congresso sobre “xenofobia, racismo e nacionalismo populista”.

 

1. O Papa Francisco pediu aos católicos chineses para ultrapassarem as divisões resultantes de anos de perseguição às mãos do Governo e para juntarem esforços para criar uma Igreja unida naquele país. Numa mensagem divulgada esta quarta-feira, 26 de setembro, o Papa começa por reconhecer que muitos católicos da China se sentem confusos ou até traídos pelo acordo alcançado entre Roma e Pequim para a normalização das nomeações dos bispos chineses. “Estou ciente de que semelhante tropel de opiniões e considerações possa ter criado não pouca confusão, suscitando sentimentos contrapostos em muitos corações. Nalguns, surgem dúvidas e perplexidade; outros vivem a sensação de ter sido como que abandonados pela Santa Sé e, ao mesmo tempo, colocam-se a questão pungente do valor dos sofrimentos que enfrentaram para viver na fidelidade ao Sucessor de Pedro”, refere.

A Igreja na China é perseguida desde que começou o regime comunista naquele país. Pequim criou a Associação Patriótica Católica, para gerir os destinos da Igreja, e insistiu em nomear os seus próprios bispos, algo que Roma nunca aceitou. Os católicos que recusaram a supervisão estatal viram-se obrigados a viver a sua fé na clandestinidade e muitos foram presos, perseguidos ou mortos. Já os bispos que foram nomeados pelo Governo e consagrados sem autorização do Papa foram automaticamente excomungados. Ao longo dos últimos anos tem havido um esforço para evitar estas situações, com bispos nomeados pelo Governo a pedir discretamente autorização ao Papa, que em várias ocasiões a concedeu. Mas permaneciam sete casos de bispos excomungados. Com o acordo alcançado no passado fim-de-semana, estas sanções foram levantadas, como explica o Papa nesta mensagem. “Depois de ter examinado atentamente cada uma das situações pessoais e escutado diversos pareceres, refleti e rezei muito procurando o verdadeiro bem da Igreja na China. Por fim, diante do Senhor e com serenidade de juízo, em continuidade com a orientação dos meus antecessores imediatos, decidi conceder a reconciliação aos restantes sete bispos ‘oficiais’ ordenados sem Mandato Pontifício e, tendo removido todas as relativas sanções canónicas, readmiti-los na plena comunhão eclesial. Ao mesmo tempo, peço-lhes para expressarem, por meio de gestos concretos e visíveis, a reencontrada unidade com a Sé Apostólica e com as Igrejas espalhadas pelo mundo, e para, não obstante as dificuldades, se manterem fiéis à mesma”, escreveu Francisco.

No final, o Papa pediu aos católicos chineses para se esforçarem em ultrapassar divisões dos tempos da Igreja dividida e serem “artífices da reconciliação”, insistindo no dever que têm de serem também bons cidadãos. “No plano civil e político, os católicos chineses sejam bons cidadãos, amem plenamente a pátria e sirvam o seu país com empenho e honestidade, segundo as suas capacidades. No plano ético, estejam conscientes de que muitos cidadãos esperam deles uma medida mais elevada no serviço ao bem comum e ao desenvolvimento harmonioso da sociedade inteira”, apelou.

 

2. O Papa resumiu a sua viagem apostólica à Lituânia, Letónia e Estónia, entre 22 e 25 de setembro. “A viagem apostólica aos países bálticos, por ocasião do centenário da independência da Lituânia, Letónia e Estónia, teve por finalidade anunciar novamente nessas terras a alegria do Evangelho e a revolução da misericórdia. Salvo a Lituânia, onde há uma maioria católica, os outros dois países bálticos contam com uma grande presença luterana e ortodoxa, mas também são muitos o que abandonaram a prática religiosa, em parte fruto dos anos em que estiveram oprimidos pelo jugo do nazismo e do comunismo soviético. Por isso, o desafio era reforçar a comunhão entre os cristãos, numa perspetiva ecuménica, de tal modo que o Evangelho pudesse-se confirmar como força libertadora no tempo de opressão, luz que ilumina o caminho no tempo da liberdade, e sal que preserva a vida da corrupção do egoísmo e da mediocridade. Igualmente importante era a promoção do diálogo entre as gerações, de tal modo que o contacto com as raízes daqueles que vieram antes – os idosos, muitos deles marcados pela experiência da perseguição e do martírio – continue a fecundar o presente e o futuro dos mais jovens. Por fim, sob o olhar materno de Maria, Mãe da Misericórdia, esses povos puderam renovar o seu ‘sim’ a Cristo, única fonte de esperança”, observou o Papa, durante a audiência-geral de quarta-feira, dia 26, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

 

3. Na viagem de regresso a Roma, depois de uma visita aos países do báltico, o Papa voltou ao tema dos abusos na Igreja, dizendo compreender que os jovens se escandalizem com os casos, que são muito graves, e sublinhando que estão a ser tomadas medidas para atacar o problema. “Vejam o exemplo da Pensilvânia, nos anos 70, façam a comparação e vejam como quando a Igreja começou a tomar consciência disto, se empenhou em pleno e nos últimos tempos recebi muitas condenações, da parte da Doutrina da Fé e disse: ‘avancem’. Nunca assinei um indulto depois de uma condenação. Sobre isto não se negoceia”, declarou, utilizando a palavra “monstruoso” para descrever os atos cometidos por religiosos.

 

4. “O catequista coloca-se a serviço da Palavra de Deus, que é um primeiro anúncio, sobretudo no atual contexto de indiferença. O primeiro anúncio refere-se a Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou e que perdoa todos os que abrem seus corações e se converterem!”, salientou o Papa, numa vídeo-mensagem enviada aos participantes do Congresso Internacional da Catequese, em Roma, que decorreu de 20 a 23 de setembro. “Ser catequista é uma vocação e não um trabalho, porque envolve a vida; o catequista leva ao encontro com Jesus, com palavras, vida e testemunho”, observou Francisco, na mensagem divulgada dia 22.

 

5. O Papa recebeu, a 20 de setembro, os participantes de um congresso sobre “xenofobia, racismo e nacionalismo populista”, garantindo que quem explora ou rejeita migrantes, por motivos políticos ou económicos, vai “prestar contas” a Deus. Francisco lamentou ainda o regresso de atitudes que “pareciam superadas”, como “sentimentos de suspeita, de medo, de desprezo e mesmo de ódio” face a quem é diferente pela sua nacionalidade ou religião.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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