Domingo |
À procura da Palavra
O amor é um caminho...
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DOMINGO XXVII COMUM Ano B

“Já não são dois, mas uma só carne.”

Mc 10, 9


“... Que se percorre até ao fim”, canta um refrão sul americano. E o caminho torna-se mais importante que o próprio fim, na descoberta da alegria vivida com alguém. Contra a solidão e o egoísmo, o relato bíblico da criação sublinha a vocação comunitária do homem e da mulher. E a sua igual dignidade como imagem e semelhança de Deus. O que se vive e experimenta sozinho só tem meio sabor. Precisamos dos olhos, dos ouvidos e da palavra de outro para que a comunhão seja maior. Tudo o que signifique superioridade, manipulação, ou exploração de um sobre o outro é oposto ao projecto de amor de que Deus é a fonte.

Nenhum mapa para uma vida em comum é perfeito ou definitivo, e não existe “GPS” que substitua a procura quotidiana. É necessário deixar para trás aquilo que nos impede de avançar. Não é importante a humildade de aprender? Não são o imprevisto e a surpresa, próprios de quem caminha, assim como a riqueza de vários pontos de vista? 

O domínio ou a prevalência do homem sobre a mulher são rejeitados por Jesus na interpelação feita pelos fariseus. Ele coloca a relação do casal sob o olhar do projecto divino: os dois chamados a ser um só. É a unidade que só é possível quando subsistem duas pessoas, e nenhuma domina ou oprime a outra. A unidade que supõe verdadeira liberdade para se escolherem mutuamente. A unidade que os faz “olhar na mesma direcção”, e responsabilizarem-se pela felicidade um do outro, e de outros mais.

A realidade dolorosa e sofrida de muitas uniões desfeitas (algumas que talvez nunca tenham sido feitas!) não retira valor ao desejo de amar e ser amado. Antes convida a uma verdade (que liberta) e a um compromisso (que faz crescer). De todos. Com todos. Para todos. Com a transparência que desmascara hipocrisias, e a humildade que não julga nem condena. A coragem de muitos gestos eclesiais, de abertura a futuros mais autênticos, reconhecendo o que existe em vez de lamentar o que acabou ou não existiu, é um sinal de mais autenticidade. É caminho que se faz em vez de manter abismos ou muros.

Pois quem não gostaria de dizer a Deus, como Sebastião da Gama sobre a sua Joana Luísa: “Aquele ‘sim’ de nós dois, Senhor, / foi tão sincero, / que agora, sempre que eu digo ‘quero’ / já não sou só eu que digo, / -somos nós.”

P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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