Missão |
Maria Paula Lameiro Rocha Brito
“O amor gratuito é o mais belo de todos!”
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Maria Paula Lameiro Rocha Brito nasceu a 27 de agosto de 1957, em Lisboa. É formada em Educação de Infância, pela Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich. Ao longo da sua vida, já conta com 19 anos ligada a projetos de voluntariado missionário. Está ligada à Avomacc – Associação Voluntária de Mães e Crianças Carenciadas, em Moçambique.


Após terminar a sua formação superior, em 1979, trabalhou durante quatro anos na Fundação Cardeal Cerejeira. Em 1983 celebrou o sacramento do Matrimónio na Igreja de Santa Maria dos Olivais e considera que este foi “sem dúvida o primeiro marco na realização da vida pessoal e cristã”. Tem quatro filhos. Após o casamento, foi viver para a República Democrática do Congo onde aceitou o desafio de “abrir duas salas de Jardim Infantil na Escola Portuguesa”. Após ver constituído o seu agregado familiar, enfrentou “a difícil tarefa e responsabilidade de educar 4 filhos numa sociedade em que os valores humanos e católicos estavam cada vez mais em desuso”. Encontrou o suporte para a educação e acompanhamento dos filhos no Colégio das Doroteias e na Igreja do Campo Grande, em Lisboa “segundo os valores” que querai “que crescessem”. “O resultado não podia ter sido melhor do que foi: animadores de grupos de jovens, missões dentro e fora do país, participação em diversas campanhas, campos de trabalho, de tudo um pouco fizeram, e sempre que possível ainda continuam a fazer. Sinto-me muito orgulhosa dos 4 filhos que criei e eduquei, muitas vezes na ausência do pai por motivos profissionais”.

 

Uma vida dedicada à missão

Sobre o seu percurso de voluntariado como leiga missionária, partilha: “A vida profissional do meu marido divide-se entre Portugal e Moçambique desde 1995, o que sempre me levou a passar alguns períodos da minha vida neste país. Após a morte do meu pai em Outubro de 2000, achei que precisava de fazer alguma coisa mais do que trabalhar e educar os meus filhos, e que me ajudasse a ultrapassar a dor profunda em que mergulhei com a partida súbita do meu pai. Dirigi-me ao acolhimento da Paróquia do Campo Grande e pediram-me para organizar os donativos em mobiliário, que recebemos para o Bairro das Murtas. Esta foi a minha primeira missão! Pouco tempo depois, foi criado o Grupo Renovar, do qual sou coordenadora, que é responsável pela triagem e distribuição de todo tipo de donativos em géneros, por organização de campanhas específicas, pela execução e entrega de 75 cabazes mensais do Banco Alimentar. No início do ano 2000, Moçambique foi assolado por umas cheias de uma dimensão tal, que deixaram 1 milhão de desalojados, as infraestruturas e economia do país totalmente devastadas. Em Abril, durante uma visita ao meu marido, mostrei interesse em visitar um campo de desalojados da responsabilidade das Irmãs Doroteias (que eu já tinha conhecido). Lembro-me desse dia como se fosse ontem. Chorei desde que cheguei bem cedo pela manhã, até me vir embora perto da hora do almoço. Em 4 horas da minha vida, vi tudo o que nunca imaginei que um dia poderia vir a ver, e que jamais esquecerei: tendas com 30 pessoas e mais a viverem lá dentro, crianças com fraldas feitas com papel de jornal, idosos a desfazerem-se e sofrerem com doenças, crianças a raparem os bagos de arroz do fundo dos pratos, choros e gritos de sofrimento a ouvirem-se por todo o campo, e tantas outras imagens que nunca mais se apagarão da minha memória! E foi nesse dia preciso, que Deus me disse ao coração: este é o teu caminho, a tua missão começa aqui! Fizemos as pazes, e desde então a minha vida mudou para sempre. Na consequência destas cheias, a Paróquia do Campo Grande em conjunto com o Colégio das Irmãs Doroteias em Lisboa e algumas empresas, fez chegar a Maputo um contentor de 40 pés, com todo o género de bens para colmatar as carências de alguns milhares de pessoas apoiadas pela Comunidade das Irmãs Doroteias em Maputo e no Fomento. A diferença do valor das coisas, a dimensão daquilo que fazemos, a felicidade das pessoas com tão pouco, o brilho nos olhos dos idosos, o sorriso das crianças, valeram por todo o esforço que fiz. Um ano depois, com a orientação do padre Victor Feytor Pinto, geminámos a Paróquia do Campo Grande com a Paróquia de S. João Batista do Fomento sob a orientação dos Padres Jesuítas e das Irmãs Doroteias. Deixo para o fim o projeto mais importante da minha vida como missionária leiga. A Avomacc, Associação Voluntária de Mães e Crianças Carenciadas, fundada em 1999 pela Irmã Doroteia Maria Alice Miranda, é um projeto social de mães e crianças carenciadas, ao qual estou ligada desde 2003, mas que, sobretudo na última década, passou a fazer parte integrante da minha vida. Falo de um de um universo de 80 mulheres maioritariamente carenciadas, mães solteiras, muitas delas portadoras de HIV Sida, agregados familiares numerosos a viverem em condições de extrema pobreza, analfabetas numa percentagem elevada, mas com uma vontade enorme de aprenderem e trabalharem, para melhorarem minimamente as suas condições de vida. Conhecidas pelas Mamãs da Avomacc (algumas já avós), trabalham em 3 vertentes distintas: educação/creche e jardim-de-infância, agricultura/micro projeto com cerca de 1 hectare de culturas, e costura. Falo de 152 crianças filhas e netas das nossas mamãs, que desde 2010 beneficiam de um projeto de apadrinhamento ‘Eu&Tu na Avomacc’, das quais 73 já frequentam o ensino primário, com uma taxa de sucesso escolar elevada! É através do contributo mensal dos padrinhos que todas as crianças têm direito a educação, alimentação (3 refeições diárias), e cuidados básicos de saúde (incluindo medicamentos). Angariar novos padrinhos, e coordenar todo este projeto, é uma das minhas tarefas mais importantes”.

Sobre os ensinamentos que tira do seu percurso, refere: “As crianças são a coisa melhor e mais inocente que temos no mundo, e estas, por um rebuçado ou balão, fazem um sorriso maravilhoso, como se tivessem recebido uma bicicleta ou uma princesa da Disney! É dando que se recebe, e o amor gratuito é o mais belo de todos. Quantas vezes pergunto a mim própria como é possível ser-se feliz com tão pouco e tanto sofrimento!”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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