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“Sem fidelidade e lealdade, nenhuma relação humana é autêntica”
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O Papa Francisco apelou a uma “preparação cuidada” dos noivos. Na semana em que rezou junto ao túmulo de São João Paulo II, o Papa desafiou os Passionistas a “abraçar novas fronteiras” de missão, assinalou o Dia Mundial das Missões e recebeu o presidente da Coreia do Sul.

 

1. O Papa considera que a Igreja tem de apostar na formação séria dos noivos, com uma “preparação cuidada”, uma espécie de “catecumenato”, à imagem do que acontece antes do Batismo de adultos. “No amor joga-se toda a vida, com o amor não se brinca. Não se pode falar de preparação de matrimónio com três ou quatro conferências dadas na paróquia. Isto não é uma preparação, isto é fingir a preparação. A responsabilidade de quem faz isto cai sobre eles, os párocos, o bispo que permite estas coisas”, denunciou, falando de improviso, na Praça de São Pedro, durante a audiência-geral de quarta-feira, 24 de outubro.

Neste encontro público, Francisco prosseguiu o ciclo de reflexões sobre os Mandamentos, desta feita falando sobre o sexto, ‘Não cometer adultério’. “Trata-se de um apelo direto à fidelidade ao vínculo conjugal. Mas, sem fidelidade e lealdade, nenhuma relação humana é autêntica: um amigo revela-se autêntico, quando permanece amigo em toda e qualquer circunstância; caso contrário, não é um verdadeiro amigo. Consideramos Cristo como nosso Amigo fiel, porque nos acolhe, mesmo quando erramos, e sempre nos quer bem, mesmo quando não o merecemos. A fidelidade é um modo de ser, um estilo de vida: trabalha-se com lealdade, fala-se com sinceridade, permanece-se fiel à verdade nos próprios pensamentos e ações. Uma vida permeada de fidelidade exprime-se em todas as dimensões, fazendo de nós homens e mulheres fiéis e fiáveis em todas as ocasiões. Mas, para se chegar a uma vida assim boa, não basta a nossa natureza humana; é preciso que a fidelidade de Deus entre na nossa existência. Por isso, a chamada à vida conjugal requer um cuidadoso discernimento sobre a qualidade do relacionamento e um período de namoro para o verificar. Para se abeirar do sacramento do Matrimónio, os noivos devem amadurecer a certeza de que há, na sua ligação, a mão de Deus, que os antecede, os acompanha e lhes permitirá dizer: «Com a graça de Cristo, prometo ser-te fiel» sempre. Não poderão prometer amar-se e honrar-se um ao outro na «alegria e na tristeza, na saúde e na doença» todos os dias da sua vida, com base apenas na boa vontade ou na expetativa que as coisas corram bem. Isto não basta! Precisam de se apoiar no terreno sólido do Amor fiel de Deus. Em Deus, e só n’Ele, é possível existir o amor sem reservas nem titubeamentos, a doação completa sem interrupções e a tenacidade de um acolhimento sem medida”, salientou o Papa.

Uma comitiva do concelho de Valença participou na audiência, no Vaticano, e entregou ao Papa uma imagem de São Teotónio, considerado o primeiro santo português.

 

2. O Papa Francisco rezou junto ao túmulo de São João Paulo II, na Basílica de São Pedro. Foi no passado dia 22 de outubro, dia litúrgico do Papa polaco, eleito em 1978 e falecido em 2005. O prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, Paolo Ruffini, associou este gesto ao Sínodo dos Bispos dedicado às novas gerações, que decorre no Vaticano, lembrando que João Paulo II foi “fundamental” para jovens de várias gerações.

 

3. Ao receber os participantes no 47º Capítulo Geral da congregação dos Passionistas, o Papa Francisco desafiou estes religiosos a “abraça novas fronteiras” de missão. “A Igreja sente hoje o apelo de sair para fora de si própria e ir às periferias, geográficas e existenciais. O vosso compromisso de abraçar as novas fronteiras da missão implica, não apenas ir a novos territórios para levar o Evangelho, mas também enfrentar os novos desafios do nosso tempo, como as migrações, o secularismo e o mundo digital”, referiu o Papa, no encontro que decorreu na sala do Consistório, do Palácio Apostólico, no passado dia 22 de outubro.

Os Passionistas, que têm uma casa em Linda-a-Velha, foram ainda convidados pelo Papa a estarem presentes junto das pessoas que sentem “a ausência de Deus” e que sofrem. “A vossa proximidade às pessoas, manifestada tradicionalmente através das missões populares, a direção espiritual e o sacramento da Penitência, é um testemunho precioso: a Igreja precisa de ministros que falem com ternura, escutem sem condenar e acolham com misericórdia”, apontou.

 

4. O Papa associou-se à iniciativa ‘Partilha a Viagem’, da Cáritas Internacional, em defesa dos migrantes. “Cumpristes uma breve peregrinação em Roma, para manifestar o desejo de caminhar juntos, aprendendo assim a conhecer-se melhor. Encorajo esta iniciativa de ‘partilhar o caminho’, que é proposta em muitas cidades e que pode transformar a nossa relação com os migrantes. Muito obrigado à Cáritas”, referiu Francisco, na janela do apartamento pontifício, após a oração do Angelus, no passado Domingo, 21 de outubro.

O Papa recordou, ainda, a celebração do Dia Mundial das Missões, este ano com atenção particular aos jovens, num momento em que decorre o Sínodo dos Bispos dedicado às novas gerações. “Junto com os jovens, este é o caminho. E é a realidade que, graças a Deus, estamos a experimentar nestes dias do Sínodo que lhes é dedicado: ouvindo-os e envolvendo-os, descobrimos tantos testemunhos de jovens que encontraram em Jesus o sentido e a alegria da vida”, apontou, pedindo orações para que não faltem, às novas gerações, “o anúncio da fé e o chamamento a colaborar na missão da Igreja”.

 

5. O Papa Francisco recebeu, em audiência, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, que deixou uma saudação do líder norte-coreano, Kim Jong-un, com um convite para visitar Pyongyang. Uma delegação norte-coreana vai entregar, em breve, uma carta oficial com este objetivo, adiantou o porta-voz da presidência da Coreia do Sul, em declarações aos jornalistas. “Francisco disse que, com certeza, daria uma resposta se chegar um convite [oficial] e se puder ir”, relatou Yoon Young-chan. Do Vaticano surge a informação que o Papa vai pensar na possível viagem.

A audiência privada durou cerca de 35 minutos, com o Papa a despedir-se com votos de “bom trabalho pela paz”, após a tradicional troca de presentes. Segundo a Santa Sé, o Papa e os responsáveis da diplomacia do Vaticano manifestaram ao presidente da Coreia do Sul “grande apreço” pelos esforços em favor do “diálogo e da reconciliação” na Península Coreana. As duas partes esperam um novo tempo de “paz e desenvolvimento”, superando as tensões na região.

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