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“É importante que os jovens sujem as mãos e se comprometam”
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O Papa Francisco lembrou que o diálogo deve ser feito “com a mente, o coração e as mãos”. Na semana em que apelou a ouvir e caminhar com os migrantes, o Papa falou dos frutos do Sínodo e recebeu um ícone de Cristo, da autoria de um artista português.

 

1. O Papa Francisco recebeu 30 jovens da Diocese de Vivivers, em França, que percorreram, durante um mês, a Diocese argentina de La Rioja, onde morreram mártires D. Henrique Angelelli, os padres Carlos Murias e Gabriel Longueville e o leigo Wenceslau Perdenera, que vão ser beatificados a 27 de abril de 2019. “Eu conheci o padre Longueville”, revelou Francisco, aos jovens.

Na Sala Clementina, no final da manhã de segunda-feira, 29 de outubro, o grupo juvenil apresentou ao Papa um pequeno vídeo, de cerca de um minuto, com imagens da experiência vivida pelos jovens na Argentina. Respondendo, depois, às perguntas dos jovens franceses, o Papa contou que D. Angelelli lhe tinha pregado um retiro espiritual, em 13 de junho de 1973, em La Rioja, quando foi eleito provincial. “Ali ouvi o seu conselho: ‘Um ouvido para escutar a Palavra de Deus e um para escutar o povo’. Não existe evangelização de laboratório: a evangelização é sempre corpo a corpo, pessoal, caso contrário não é evangelização. Corpo a corpo com o povo de Deus e corpo a corpo com a Palavra de Deus”, salientou. Frisando que a evangelização acontece “em caminho”, Francisco recordou que “Jesus enviou os discípulos para evangelizar”. “Não lhes disse: sentem-se, bebam um pouco de mate e evangelizem! Quando vocês se reúnem, pensem onde poderiam ir, visitar um hospital, uma casa de repouso para idosos e um jardim de infância para crianças”, aconselhou.

Depois, o Papa sublinhou como deve ser feito o anúncio. “O vosso bispo usou uma palavra sobre a evangelização, que é uma das palavras mais importantes da pastoral: a doce e consoladora alegria de evangelizar. Se vocês estão a evangelizar bem, isso dar-vos-á gosto, alegria. A sua frase foi retirada da ‘Evangelii nuntiandi’, o documento pastoral mais importante: numa das vossas reuniões, leiam toda a última parte. São Paulo VI diz esta frase e depois descreve os maus evangelizadores: tristes, desencorajados, eu diria... com um pouco de vinagre.  É o melhor tratado de evangelização que existe”, referiu.

Para Francisco, os pobres são os que “entendem melhor a Palavra de Deus”, porque “não colocam nenhuma barreira a esta palavra que é como uma espada que atinge o profundo do coração”. “Quanto mais somos pobres em espírito, melhor entendemos isso. Uma coisa importante é que a Palavra de Deus não entre apenas pelo olho ou pelo ouvido, mas seja escutada com o coração, com o coração aberto”, lembrou, destacando que a oração deve ser feita “com o povo, em grupos: é mais forte porque estamos unidos em oração”.

Quanto ao serviço prestado aos outros e à comunidade, na experiência vivida pelos jovens franceses em La Rioja, o Papa pediu comprometimento: “Trabalhar juntos pelos outros desperta em nós uma série de diferentes dimensões da humanidade: compreender-se, cooperar e também rezar juntos. É muito importante: se vocês disserem ‘vamo-nos reunir e estudar como nos devemos comportar, como viver’, e fazem uma reunião semanal sobre o assunto, isso não dura quatro semanas e o grupo dissolve-se! O diálogo entre vocês deve ser feito com a mente, o coração e as mãos. Se vocês não falam assim, o diálogo não dura. Por isso, é importante que os jovens sujem as mãos e se comprometam”, aconselhou.

 

2. O Papa recebeu em audiência os participantes do Capítulo Geral dos Missionários de São Carlos Borromeu. “Não nos esqueçamos que a condição de toda a missão na Igreja é estar unidos a Cristo. Caso contrário, faremos ativismo social”, lembrou, no encontro de dia 29 de outubro, no Vaticano.

Sobre os migrantes, Francisco pediu a esta congregação para “encontrar estradas sempre novas de evangelização e de proximidade, a fim de realizar com fidelidade dinâmica o seu carisma, que os coloca a serviço dos migrantes”. Recorde-se que os scalabrinianos foram fundados em 1887, pelo beato João Batista Scalabrini, para assistir os emigrantes italianos que partiam, na época, para o continente americano. “Hoje, como ontem, esta missão realiza-se em contextos difíceis, às vezes caracterizados por atitudes de desconfiança e de preconceito, senão até mesmo de rejeição pelo estrangeiro”, analisou o Papa. “Quantas histórias existem nos corações dos migrantes! O risco é que o migrante se torne uma pessoa desarraigada, sem face, sem identidade. Esta é uma gravíssima perda que pode ser evitada com a escuta, caminhando ao lado das pessoas e das comunidades migrantes”, acrescentou.

 

3. O resultado principal do Sínodo dos Bispos não é a redação de um documento final, mas o “modo de ser e trabalhar em conjunto”, capaz de fazer propostas em sintonia com a realidade, considerou o Papa. “É importante que se difunda um modo de ser e trabalhar em conjunto, jovens e anciãos, na escuta e no discernimento, para procurar escolhas pastorais em sintonia com a realidade”, afirmou Francisco, na oração do Angelus, na Praça de São Pedro, no passado Domingo, 28 de outubro, após ter presidido à Missa de encerramento do Sínodo dos Bispos.

O Papa defendeu que “o primeiro fruto desta assembleia sinodal deve estar, antes de tudo, no exemplo”, um método seguido deste a fase preparatória, marcado pela escuta e pelo envolvimento dos jovens. Francisco considerou que as semanas dos trabalhos sinodais foram de “um tempo de consolação e de esperança”. “O Sínodo dos jovens foi uma boa vindima, que promete um bom vinho”, defendeu o Papa.

 

4. O Papa Francisco recebeu, dia 26 de outubro, no Vaticano, um ícone de Cristo executado pelo artista português João D. Filipe. A entrega do presente, pela delegação norte-americana que participou no Sínodo dos Bispos, aconteceu antes da sessão da tarde. O autor da obra explicou que se trata de uma obra pintada a partir de “um ícone do século VI, existente no mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai”, uma das representações mais antigas de Cristo. O quadro foi pintado em têmpera de ovo e outros materiais de pintura, com aplicação de folhas de ouro verdadeiro sobre madeira engessada. “É a minha técnica habitual, bastante morosa, difícil e naturalmente muito fora de moda”, explicou João D. Filipe.

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