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50 anos da Humanae vitae: uma boa notícia?
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No dia 25 de julho de 1968 passaram 50 anos da publicação da Humanae vitae. Foi talvez o documento da Igreja mais mal-aceite e mal compreendido pela Igreja. Depois da revolução do maio de 68, tudo parecia encaminhar-se para a Igreja vir a aprovar o uso de contraceção. Até uma boa parte dos bispos e toda a comunicação social partilhavam esta convicção. No entanto, no meio de um forte combate espiritual, o Papa Paulo VI veio a Fátima, como que pedir conselho à Mãe, sobre que decisão tomar a este respeito e que rumo dar à Igreja para ser fiel à sua missão de revelar Cristo no mundo. Foi assim que publicou a versão que hoje conhecemos da Humane vitae e que não foi a versão mais popular, como sabemos. Mas foi sem dúvida a mais fiel e mais sábia!

A Igreja sempre soube que nem tudo o que é permitido pelo progresso científico é bom para o homem. A contraceção é um exemplo disso e o Papa Paulo VI manteve-se fiel ao que a Igreja sempre disse ao longo dos tempos. No entanto muitos católicos optaram por não viver de acordo com a proposta da Igreja e muitos padres e bispos não conseguiram encontrar argumentos razoáveis para explicar esta doutrina aos fiéis.

Paulo VI profetizou na Humanae vitae (HV, 17) as muitas consequências negativas da disseminação da contraceção:

- Infidelidade conjugal e como consequência aumento do divórcio;

- Degradação dos padrões morais, em particular entre os jovens que estão mais facilmente expostos às tentações;

- Os homens iriam deixar de respeitar a mulher, deixando de ter em conta o seu equilíbrio físico e emocional; instrumentalizando-a para satisfação dos seus desejos; deixando de a considerar uma parceira de quem cuidar e rodear de carinho e afeto;

- Abuso do poder politico, sendo que os governos iriam impor a contraceção como solução dos problemas mundiais e as pessoas teriam de ceder à autoridade publica, o poder de intervir na mais pessoal e intima das responsabilidades dos esposos.

Infelizmente tudo isto aconteceu e é por demais evidente que a contraceção é a principal causa disso.

Se dúvidas houver, recorda-se as ações da ONU que oferecem ajuda humanitária aos países que aceitarem implementar as políticas de saúde reprodutiva, o que é o mesmo que dizer, implementar o aborto, a contraceção e a esterilização. E na União Europeia, a enorme pressão que se tem vindo a fazer no mesmo sentido, chegando mesmo ao ponto de se querer afirmar o aborto como Direito Humano.

A título de exemplo recordo um discurso de Melinda Gates fez numa Ted Talk [1] em abril de 2012, onde afirma como principal reivindicação que todos os países “devem fazer da contraceção uma prioridade total”. Dizendo-se católica, no entanto, posiciona-se contra a doutrina da Igreja, nega as profecias de Paulo VI sobre os efeitos da disseminação da contraceção e anuncia um congresso para o qual foram convidados os líderes de todos os países africanos para lhes ser explicada esta perspetiva, tendo em conta a diminuição da população. Alem disso, a fim de neutralizar a controvérsia em torno da questão, ela separa o aborto e a contraceção e afirma que seu trabalho é exclusivamente sobre contraceção e não sobre o aborto. Mas isso, como sabemos, não é verdade, porque a contraceção causa o aborto de duas maneiras: (1) a maioria das formas da pílula hoje funciona como abortivo, devido ao doseamento de estrogénio que impede a parede do útero de acolher a nidificação; (2) a mentalidade contracetiva de pensar nos bebés como uma ameaça, um erro ou um problema leva as pessoas cuja contraceção “falha” a escolher o aborto como o próximo passo lógico. É assim que muitas pessoas afirmam que a posição católica que proíbe a contraceção é irracional e imoral, porque, segundo eles, a generalização da contraceção é a solução para os problemas do mundo. Juntamente com muitos profissionais médicos, insistem que a contraceção e o aborto são formas de assistência médica e dai o eufemismo “saúde reprodutiva”. Sabemos que muitos católicos também aceitaram essas falsas premissas.

Na verdade, o tema da Humanae Vitae é a felicidade. O documento abre chamando a atenção, no parágrafo 1, para a razão pela qual a Igreja não pode ignorar as questões levantadas nessa altura sobre a transmissão da vida humana: “tratando-se de matéria que tão de perto diz respeito à vida e à felicidade dos homens.” (HV, 1) E no último parágrafo, conclui dizendo que: “o homem não poderá encontrar a verdadeira felicidade, à qual aspira com todo o seu ser, senão no respeito pelas leis inscritas por Deus na sua natureza e que ele deve observar com inteligência e com amor”, deixando uma tarefa associada a esta procura da felicidade. A tarefa é a educação, necessária para que a encíclica seja entendida e interiorizada pelos fiéis, na sua profunda bondade, de modo a que possam vivê-la na plenitude. “é grandiosa a obra à qual vos chamamos, obra de educação, de progresso e de amor, assente sobre o fundamento dos ensinamentos da Igreja… Obra grandiosa, na verdade, para o mundo e para a Igreja, temos disso a convicção íntima.” (HV, 31)

Paulo VI diz, no paragrafo 12, que tem boas razões para ter esperança: “Nós pensamos que os homens do nosso tempo estão particularmente em condições de apreender o caráter profundamente razoável e humano deste princípio fundamental.” E é verdade que o homem pós-moderno não gosta que lhe digam o que deve ou não fazer, mas por outro lado, questiona-se e, quando o faz, dispõe-se a ouvir. O que temos nós para lhe dizer? Temos uma proposta cativante sobre o amor humano e sobre a sexualidade que o leve a considerar que a posição da Igreja é a que melhor respeita a sua natureza e o seu desejo de felicidade.

 

texto de Maria José Vilaça

(Continua no Familiarmente de Dezembro de 2018)

 

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 Oração em família

No contexto do 2º ano da recepção sinodal dedicado ao aprofundamento da vivência da “liturgia com lugar de encontro”, o Sector da Pastoral da Família gostaria de ajudar as famílias a redescobrirem-se como Igrejas domésticas. Seria bom que este ano fosse um incentivo a que cada família cultivasse alguns espaços e lugares para uma liturgia familiar. Para ajudar as famílias nesta missão, propomos uma oração mensal para se fazer em casa com a família reunida.

 

Celebrar todos os Santos

O mês de Novembro começou com duas celebrações muito belas e que estão intrinsecamente ligadas: o dia de todos os santos e o dia dos fieis defuntos.

No dia 1 de Novembro celebrámos todos os santos que estão canonizados pela Igreja e também tantos outros homens e mulheres, crianças e jovens, que apesar de não estarem canonizados, seguiram o Senhor na simplicidade da sua vida e que vivem agora junto de Deus e intercedem por todos nós. Porventura alguns deles serão nossos familiares e amigos.

No dia 2 de Novembro celebrámos todos aqueles que já partiram deste mundo e estão a caminho do céu, e, por isso, precisam das nossas orações.

 

Proposta de oração:

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Ámen.

 

Oração

Senhor que nos concedeis a graça de honrar os méritos de todos os santos, dignai-vos derramar sobre as nossas famílias, em atenção a numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen.

 

Evangelho (Mt 5, 1-12a)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.

Rodearam-n’O os discípulos

e Ele começou a ensiná-los, dizendo:

«Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.

Bem-aventurados os humildes,

porque possuirão a terra.

Bem-aventurados os que choram,

porque serão consolados.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,

porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos,

porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração,

porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz,

porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,

porque deles é o reino dos Céus.

Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,

vos insultarem, vos perseguirem

e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.

Alegrai-vos e exultai,

porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

Palavra da salvação.

 

Eco ou Partilha da Palavra

Cada membro da família repete a frase que mais lhe tocou. Se alguém quiser aprofundar mais, pode partilhar o que é que essa Palavra diz hoje à sua vida.

 

Ação de graças e preces

Cada elemento da família pode agradecer a vida do santo que marca mais a sua vida ou algum familiar ou amigo já falecido que tenha sido um testemunho de santidade.

De seguida, poderão acrescentar algumas preces por familiares e amigos já falecidos e também por aqueles que não tem ninguém que reze por eles.

 

Pai-Nosso, Ave Maria e o Glória

 

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Jornada Nacional da Pastoral Familiar

A XXX Jornada Nacional da Pastoral Familiar decorreu em Fátima, no dia 20 de Outubro com o tema “Família o ‘Sim’ do Deus Amor”. Estiveram presentes mais de 300 participantes de várias dioceses e de alguns Movimentos de cariz Familiar.

“O Evangelho da Família: uma proposta de vida plena” foi o tema da Palestra que o Pe. Duarte da Cunha, Diocese de Lisboa, desenvolveu de forma muito clara e objetiva. “A Pastoral Familiar é um trabalho voluntário, não é uma ONG, não é fazer regras, é uma experiência de acompanhamento, estar ao lado, estar próximo, é uma ação espontânea, gratuita e concreta” esclareceu o Pe. Duarte da Cunha.

A tarde teve início com a projeção de um vídeo sobre o encontro Mundial das Famílias seguido de testemunhos de participantes nesse evento. Os testemunhos contagiaram a assembleia com a partilha das vivências e experiências vividas em Dublin entre as quais o acolhimento em famílias.

As 7 Catequeses do nono encontro do Encontro Mundial das Famílias foram objeto dos Workshops da tarde, orientados por sacerdotes e leigos de várias dioceses. A Síntese Pastoral da Jornada foi feita por Mons. Fernando Caldas. D. Francisco Senra Coelho agradeceu a presença de todos com a oração de envio e Bênção final.

texto por Philippe e Helena Morin

 

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Vai acontecer

Retiro da Vinha de Raquel

Estão abertas as inscrições para mais um retiro da Vinha de Raquel.

Partilhe, porque "ninguém esquece um filho que não nasceu"


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textos pela Pastoral Familiar de Lisboa
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
P. Nuno Amador
Quando as mulheres foram ao sepulcro de madrugada, o primeiro sinal que encontraram foi o túmulo vazio.
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Isilda Pegado
Quer ela, quer ele, são pais muito bonitos, com grande responsabilidade na vida profissional e cujo casamento nos comove, em cada minuto.
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