Doutrina social |
2º Dia Mundial dos Pobres
O grito dos pobres que o Senhor escuta
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No passado Domingo celebrou-se o 2º Dia Mundial dos Pobres, conforme o estabelecido pelo Papa Francisco que, na presença de cerca de 6.000 pessoas vindas das periferias da sociedade, bem como de muitos voluntários e representante de instituições de caridade, quis utilizar a sua voz como “o grito dos pobres”, num apelo ao compromisso contra a indiferença.

 

Os pobres têm a ver com todos

São muitos os sinais perturbadores na situação conflituosa em que vivemos e nas consequências desastrosas para os mais frágeis e desprotegidos: enquanto os grandes trocam acusações, tentam demonstrar ou encobrir atos criminosos, ameaçam até aos limites da loucura, negam hoje o que afirmaram ontem, vemos a “caravana dos hondurenhos” ou a “marcha dos venezuelanos” tentando chegar aos países vizinhos, ou os pequenos barcos abarrotados de pessoas almejando as costas da Europa; são vidas desfeitas alimentando ainda o sonho de poderem recomeçar a construir um futuro mais feliz.

Por parte dos instalados vemos uma preocupação grande em levantar muros e barreiras, em criar mecanismos para que eles não incomodem e muito menos que não provoquem diminuição do nível de bem-estar que já usufruem.

 

As perplexidades que se tornam coisa normal

Os governantes deveriam representar para os seus constituintes um sinal de esperança, nascido da sabedoria e da busca do bem comum. Um bom desejo que não se vislumbra. Entre esses ocupa lugar de destaque o Presidente dos EUA, cujas decisões têm impacto na política, na economia e no equilíbrio do planeta. Mas está convencido de que ele é “muito bom”, “sabe bem o que quer”, “é o que mais sucesso tem conseguido nos poucos meses em que tem as rédeas da governação”. E, desde o começo, foi claro no seu projeto: “Uma América maior”, “A América primeiro”. A guerra comercial provocada por ele terá efeitos perversos a nível global, tornando ainda mais difícil a vida dos que já vivem mal. Podemos ver na internet o seu discurso aos participantes da Marcha pela Vida 1918; as palavras não teriam sido mais belas e profundas se proferidas por um notável líder religioso: “Vós acreditais que cada vida é sagrada, que cada criança é um dom precioso de Deus… Nós sabemos que a vida é o maior milagre de todos... Nós protegemos a santidade da vida e a família como o fundamento da nossa sociedade. Mas este movimento só pode ter sucesso com o coração e com a alma e com a oração do povo”.

Como gostaríamos de acreditar em tais palavras, não fosse ele ter mandando separar as crianças dos seus pais, o que provocou uma onda de contestação até entre os seus correligionários; ou as palavras proferidas em relação às pessoas que desejavam ultrapassar as fronteiras, enviando para lá o exército com a indicação de que o problema seria resolvido pelas espingardas. Ou a sua altivez manifestada ao jornalista quando interpelado sobre se, perante os incêndios da Califórnia nos últimos dias, tinha mudado de opinião em relação ao aquecimento global: “Tenho ideias firmes… vamos ter um muito bom clima”.

A História repete-se. As crises económicas e sociais conduzem à instabilidade e ao desejo de segurança, o terreno adequado para as ditaduras. E quando a vida é encarada como um negócio, a pessoa transforma-se em mero objeto descartável. A onda dos ditadores avança; a violência é instilada pelas palavras de altos responsáveis, como o recém-eleito Presidente do Brasil que, falando em “metralhar” cidadãos seus, na pena de morte ou em bloquear o normal funcionamento das instituições, não deixa dúvidas sobre o que pensa. Só esperamos que recupere algum bom senso e o povo, que está cansado da má governação, o ajude e se ajude a si mesmo.

 

Estar próximo dos pobres

No Dia dos Pobres, o Papa disse: “É importante, para todos nós, viver a fé em contacto com os necessitados. Não é uma opção sociológica, não é a moda de um pontificado, mas exigência teológica.” Aqui recordo o Arcebispo de Tânger, que há dias escrevia sobre uma ida à fronteira de Ceuta: “O que se via no bosque e na fronteira eram os carros do exército e os controles da polícia: Soldados e polícias colocados ali para que ali não estejam os pobres! Soldados e polícias pagos pela irracionalidade que delapida, agredindo os direitos humanos, aquilo que deveria ser gasto em fazê-los respeitar!” E colocava uma questão: “Que tem isto a ver com a nossa Eucaristia dominical? Nesse dinheiro gasto contra os pobres está também o daqueles que vão comungar”.

texto pelo P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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