Missão |
Sara Pereira, do Voluntariado Passionista
O coração repleto de amor
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Sara Pereira nasceu a 5 de outubro de 1989, na paróquia de São Miguel de Souto. Atualmente trabalha no ramo da hotelaria, é membro do Voluntariado Passionista e, em Julho de 2018, partiu em missão por um mês para Angola.


Todo o seu percurso religioso foi em São Miguel de Souto, Santa Maria da Feira. Foi membro do grupo coral jovem, do grupo de jovens ‘Os Samaritanos’ e catequista. Tinha o sonho de partir em missão e, em 2016, tomou a decisão: “Foi numa longa conversa comigo mesma que decidi dar este passo. Fui à sessão de apresentação do grupo do Voluntariado Passionista, que se realiza todos os anos para integrar novos membros. O Voluntariado Passionista é um grupo fundado pelos Missionários Passionistas e, com a ajuda da ONGD Rosto Solidário, criaram este grupo com o objetivo de fazer missão. Esta missão não é só fora do país, visto que ao longo do ano colaboramos com a casa dos pobres em Coimbra e ajudamos nas angariações para o Banco Alimentar e para as feirinhas da Rosto Solidário. Ao longo do ano também fazemos muitos trabalhos artesanais que nos ajudam a angariar fundos para todos os custos que a missão fora do país acarreta. E então foi apresentado o projeto do grupo. Para ir em missão ‘ad gentes’ era obrigatória uma formação de dois anos, com reuniões mensais e fins-de-semana de formação. A missão ‘ad gentes’ consistia no apoio à formação, essencialmente, mas acima de tudo era fazer aquilo que fosse preciso. Conhecido o projeto, meti mãos à obra e aí sim disse: é isto que quero fazer! Fiz dois anos de formação, onde o 1°ano foi essencialmente com a FEC-Fundação Fé e Cooperação, onde comecei a perceber que esse sonho se estava a tornar bem real”, partilha, afirmando que “a FEC teve especial importância” no seu crescimento pessoal e na sua “certeza de partir”. “A primeira formação da FEC foi em Sintra. Foi talvez a que mais tenha mexido comigo, visto que conviver com aquelas pessoas com algumas necessidades especiais faz nos sentir que Deus está mesmo presente em tudo o que fazemos. Prova disso é o amor que lá nos rodeia, os abraços, o carinho de todos…”

 

A alegria no rosto daqueles que pouco têm

Sobre a sua experiência em Angola, Sara partilha na primeira pessoa: “No dia 27 de Julho parti rumo a Angola onde permaneci um mês. Quando lá cheguei, deparei-me com muitos desafios e necessidades das quais eu já tinha consciência de que os iria encontrar. O que não esperava era que, apesar disso, ia encontrar tanta alegria e tanto amor naquelas pessoas. É inexplicável o quão bem-recebidas fomos, a festa de boas-vindas que faziam sempre que chegávamos a qualquer lado daquela terra laranja tão especial. O amor de Deus estava estampando naqueles rostos onde se via a verdadeira alegria de ser cristão. Depois das apresentações foi-me apresentado o trabalho que eu iria realizar durante esse mês: acima de tudo era apoiar o trabalho já feito pelas Irmãs Salesianas. As Irmãs fazem um trabalho incansável, onde têm um centro de formação profissional (CEZA) e desenvolvem formações para os integrar no mercado de trabalho. Eu e as duas raparigas que foram comigo integramos o trabalho no centro e foi-nos proposto dar cursos durante esse mês. No meu caso, dei formação de hotelaria e decoração de interiores e eventos, visto que era uma das formações mais pedidas. Aquilo que mais me agradava era saber que os nossos cursos eram gratuitos, o que significava que qualquer pessoa, independentemente da sua condição, poderia tirar uma formação. Às quartas-feiras à tarde era sempre o dia que um padre Passionista nos vinha buscar ao Zango (onde vivíamos), para o acompanharmos às comunidades mais pobres e distantes. Era o momento alto da semana para nós porque conhecíamos a realidade dura e crua daqueles povos que ficavam esquecidos naquelas comunidades. Mas o padre Querubim, missionário Passionista, era o responsável por este feito. Chegávamos à comunidade e éramos recebidas com cânticos e danças de boas-vindas. Enquanto o padre preparava a Eucaristia, nós reuníamos as crianças em roda e cantávamos músicas infantis e fazíamos coreografias. Depois, seguia-se a Eucaristia onde toda a Palavra proclamada era muito ‘terra-a-terra’. Aquelas pessoas conheciam Cristo da forma mais bonita através da palavra do Padre. Eram missas muito animadas, a maioria debaixo de umas chapas onde se sentia aquele calor humano tão bom de se sentir. No Zango (onde estávamos) para além das formações que dávamos também apoiávamos as Irmãs nos trabalhos para as catequeses e preparávamos o oratório ao Domingo à tarde. Chamavam oratório a algumas atividades que organizávamos. Todas as crianças do Zango sabiam que ao Domingo à tarde haviam jogos e atividades só para elas. Então, ainda nem tinha chegado a hora marcada e já tínhamos milhares de crianças preparadas para aquela tarde tão esperada por elas. Nós dividíamos as crianças por idades e, consoante a idade, faziam atividades mais apropriadas. As mais pequeninas faziam desenhos, as mais velhas jogos tradicionais e músicas com coreografias. Como é óbvio, durante essas tardes não podia faltar tempo para ouvir, para partilhar carinho e muitos miminhos que eles tanto precisam.” Sobre este mês de missão, diz-nos que “foi um mês repleto de aprendizagem mútua, onde consegui perceber que um voluntário, por mais que queira, não consegue mudar o mundo, mas o pouco que fizer já vale apena, porque ali tudo ganha dimensões enormes na vida daquele povo. No meio de todas as dificuldades que encontrei tais como o paludismo e a febre tifóide (com que fui ‘batizada’), tudo vale a pena quando uma menina de 15 anos, no último dia, chegou perto de mim e me disse: ‘Tu concretizaste o meu sonho. Agradeço-te por isso e espero um dia ser voluntária como tu’. Quando se ouve isto, o que podemos sentir? O coração a transbordar. E claro, na despedida não podiam faltar os abraços, os beijos, o simples obrigado das mamãs acompanhado com o voltem sempre, esperamos por vocês”.

Já de regresso a Portugal, Sara diz que regressou “muito mais rica, com o coração repleto de amor, mas ao mesmo tempo com uma saudade tão grande daquela terra, daquele povo, daqueles que a ensinaram que no pouco se ganha tanto”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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