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“Mandamentos são como uma radiografia que nos deixa ver a face de Cristo”
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O Papa Francisco terminou as catequeses sobre os Dez Mandamentos. Na semana em que alertou para o consumismo, o Papa assinalou a Solenidade de Cristo-Rei e encontrou-se com os coros. O Vaticano sublinhou que “a cimeira de fevereiro mostra que o combate aos abusos é prioridade para o Papa”.

 

1. O Papa Francisco considera que os Dez Mandamentos são “um caminho” para preencher o coração e ver a face de Cristo. “Ao concluir as catequeses sobre os 10 mandamentos, podemos ver como eles são um caminho para preencher o nosso coração de desejos de amor autêntico, vivido à luz de tudo o que Jesus nos ensinou. Os três primeiros mandamentos, que se referem à nossa relação direta com Deus, conduzem-nos à gratidão onde assenta a nossa fidelidade e obediência ao nosso Pai celestial: uma relação que nos liberta e onde encontramos o nosso verdadeiro repouso. E, a partir dessa experiência de uma vida libertada, vemos como os outros mandamentos nos levam a viver a nossa relação com o próximo a partir do amor de Deus, numa existência agradecida, livre, autêntica, abençoada, fiel, generosa e sincera. De facto, os mandamentos são como uma radiografia que nos deixam ver a face de Cristo e, por isso, compreendemos que Ele não veio abolir a Lei, mas levá-la ao pleno cumprimento, suscitando no nosso coração os desejos do Espírito, marcados pela fé, a esperança e o amor”, salientou o Papa, na catequese durante a audiência-geral de quarta-feira, 28 de novembro, que se realizou na Ala Paulo VI, no Vaticano. A presença de uma criança no final do encontro atraiu as atenções e arrancou sorrisos aos presentes, incluindo o Papa Francisco. O menino argentino foi até o Papa para saudá-lo, mas também se distraiu com os guardas-suíços que permaneciam estáticos. Falando em espanhol, Francisco disse: “Esta criança não consegue falar, é muda. Porém, sabe comunicar, sabe-se expressar. E tem uma coisa que me fez pensar: é livre, indisciplinadamente livre. Porém, livre. E leva-me a pensar: também eu sou livre diante de Deus? Quando Jesus diz que nos devemos comportar como crianças, diz-nos que devemos ter a liberdade que tem uma criança diante do seu Pai...esta criança...peçamos a graça de que possa falar”.

Ainda neste dia, o Papa Francisco enviou uma carta aos frades franciscanos na Síria, afirmando estar próximo dos frades e das comunidades cristãs sírias, “tão provadas pela dor vivida na fé em Jesus Cristo”. “Quanto sofrimento! Quanta pobreza! Quanta dor de Jesus que sofre, pobre e expulso de sua Pátria. É Jesus! Isso é um mistério. É o nosso mistério cristão. Em vocês e nos habitantes da Síria amada vemos Jesus que sofre. Nada além do martírio pode marcar a maneira própria do cristão de participar da história da salvação da humanidade. Os mártires levam adiante o Reino de Deus, semeiam cristãos para o futuro, são a verdadeira glória da Igreja e a nossa esperança”, escreveu o Papa, numa carta em resposta à missiva enviada pelos frades franciscanos a partilhar o seu testemunho nesta terra martirizada.

 

2. O Papa Francisco definiu o consumismo “como uma doença grande”, que impede as pessoas de serem generosas com quem precisa. “É uma doença grande, o consumismo, nos dias de hoje. Não digo que todos façamos isso, não, mas o consumismo, gastar mais do que o que precisamos, uma falta de austeridade de vida, tudo isto é inimigo da generosidade”, apontou o Papa, na homilia da Missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, na passada segunda-feira, dia 26 de novembro.

Francisco considerou que para se ser generoso para com os pobres e os necessitados “é necessário pensar nas pequenas coisas” e que todos podem contrariar essa tendência da sociedade com pequenos gestos. "Vamos fazer uma viagem aos nossos quartos, por exemplo, uma viagem ao nosso armário. Quantos pares de sapatos tenho? Um, dois, três, quatro, quinze, vinte ... cada um pode dizer”, realçou, incentivando os cristãos a compartilhar com os outros o que não precisam. “É um modo de ser generoso, de dar o que temos, de compartilhar”, afirmou o Papa Francisco, numa altura em que as famílias começam os preparativos para o Natal.

 

3. O Papa considerou que a Solenidade de Cristo-Rei “recorda que a vida da criação não avança ao acaso, mas dirige-se para uma meta final, a manifestação definitiva de Cristo, Senhor da história e de toda a criação”. Na oração do Angelus, no passado Domingo, 25 de novembro, numa reflexão sobre a realeza de Cristo e do seu “reino”, o Papa sublinhou que, em toda a sua vida, foi “evidente” que Jesus “não tem ambições políticas”. “Para Jesus, o reino é algo diferente e não se realiza, certamente, com a revolta, a violência e a força das armas”, referiu, realçando que Jesus Cristo ensina que, “acima do poder político”, há algo “muito maior”, que não se obtém com meios humanos. “Trata-se da verdade divina que, definitivamente, é a mensagem essencial do Evangelho: Deus é amor e quer estabelecer no mundo o seu reino de amor, de justiça e de paz”, precisou.

 

4. “Sejam animadores do canto de toda a assembleia e não a substituam, privando o povo de Deus de cantar com vocês e de dar testemunho de uma oração eclesial e comunitária”. Foi este o pedido do Papa Francisco aos mais de oito mil cantores, músicos e especialistas de música sacra e liturgia de todo o mundo, que estiveram reunidos no Vaticano, de 23 a 25 de novembro, no III Encontro Internacional de Corais, por ocasião da Festa de Santa Cecília.

Na Ala Paulo VI, ao final da manhã de sábado, 24 de novembro, Francisco salientou que a música é um instrumento de evangelização. “A música e o canto são um verdadeiro instrumento de evangelização, na medida em que vocês se tornam testemunhas da profundidade da Palavra de Deus que toca o coração das pessoas e permite uma celebração dos Sacramentos, em particular da Santa Eucaristia, que faz perceber a beleza do paraíso”, garantiu. “Nunca parem neste compromisso tão importante para a vida das nossas comunidades”, apelou o Papa.

 

5. A convocação de uma cimeira de Bispos para lidar com a questão dos abusos sexuais na Igreja “não tem precedentes” e “mostra que o Papa Francisco tornou a proteção de menores uma prioridade fundamental para a Igreja”, defendeu o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. Numa declaração enviada aos jornalistas, a 23 de novembro, Greg Burke referiu que o Papa “quer que os líderes da Igreja compreendam totalmente o impacto devastador que o abuso sexual por parte do clero tem sobre as vítimas”.

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