Entrevistas |
D. Nuno Brás, Bispo eleito do Funchal
“Incrementar a vida cristã na Madeira”
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O Bispo eleito do Funchal quer “conhecer a realidade” da sua nova diocese e “incrementar a vida cristã na Madeira”. Em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, D. Nuno Brás diz conhecer “boa parte do clero do Funchal” e garante que vai para a Madeira “sem ideias pré-concebidas”.

 

Como acolheu esta nomeação do Santo Padre para Bispo do Funchal?

Acolhi esta nomeação com um misto de temor, porque obviamente conheço as minhas limitações e, portanto, a tarefa é sempre demasiado grande para as minhas capacidades, e confiança, sabendo que Nosso Senhor não me abandona nunca e que isto é d’Ele. Acolho, também, sabendo que há um Povo de Deus na Madeira, com fé, com esperança, com caridade, com comunidades vivas, bonitas, com gente empenhada e também com padres.

 

Desde 1980 que os seminaristas do Funchal fazem a sua formação em Lisboa. O facto de conhecer boa parte do clero da sua nova diocese pode ser uma mais-valia para esta missão?

Sim, de facto conheço muitos dos padres da Madeira. Conheço-os praticamente todos desde 1980 – há somente dois ou três anos com os quais eu não convivi tanto, quando estive em Roma –, o que significa que conheço bastante bem mais de metade do clero do Funchal, como eles me conhecem bastante bem a mim. Claro que é uma mais-valia no sentido de que conto com eles, obviamente, para, em primeiro lugar, me ajudarem a conhecer as próprias comunidades; depois, para uma relação muito franca e aberta, com muita caridade, de um lado e do outro. Penso que sim, e espero que este conhecimento seja uma mais-valia.

 

D. Nuno Brás foi feito o Bispo em 2011, sendo Auxiliar de Lisboa desde então. De que forma isso o pode ajudar agora como Bispo residencial?

O Bispo Auxiliar, pelo menos em Lisboa, não tem propriamente as tarefas administrativas que agora vou ter. Mas tem tarefas pastorais. No fundo, são sete anos de tarefas pastorais, já como Bispo, junto das comunidades, junto dos sacerdotes, embora, obviamente, sejam dioceses muito diferentes: a Diocese de Lisboa tem problemas muito próprios e a Diocese do Funchal terá também problemas muito próprios. Depois, trata-se do mesmo ministério apostólico, seja em Lisboa, seja no Funchal. Nisso, tem-me ajudado muito pensar que São Paulo também não conhecia as cidades por onde passava e, no entanto, foi um grande apóstolo. Obviamente, não me comparo com ele, mas se foi assim no início da Igreja, há de continuar a ser assim.

Vou para o Funchal sem ideias pré-concebidas, procurando conhecer a realidade da diocese e depois procurando também que a vida cristã ali seja incrementada. Que continue como ela está e, mesmo, mais viva. Há uma realidade muito importante – que certamente está a ser cuidada –, que é a quantidade de estrangeiros, de visitantes, de turistas, que vão à ilha da Madeira. Há também muitos missionários que são originários da Madeira, de uma forma muito particular os padres dehonianos e também os franciscanos. A própria Madeira tem um dinamismo missionário muito grande, mas o facto de haver muita gente sem fé, muita gente que nunca ouviu falar de Jesus Cristo e que vem passar, nem que seja uma semana, à nossa terra, dá-nos sempre a oportunidade de sermos testemunhas de Jesus Cristo e de anunciarmos o Evangelho, com toda a ousadia.

 

Uma realidade que afeta, de uma forma muito particular, a ilha da Madeira é a questão dos emigrantes, sobretudo da Venezuela. De que modo isto o preocupa e o que a Igreja pode fazer para ajudar?

Em primeiro lugar, é importante acolher todos aqueles, concretamente da Venezuela, que vêm, vieram ou estão a vir. Muitos deles virão com poucas capacidades de sobrevivência, até. Depois, creio que a Cáritas Diocesana do Funchal tem tido, e continuará a ter, certamente, uma ação muito grande junto da Cáritas da Venezuela, no sentido de ajudar os cristãos, não apenas madeirenses, mas todos. Depois, obviamente, acompanhar não apenas em termos materiais, mas ter esta disponibilidade para acompanhar, para estar perto e para servir naquilo que for necessário.

 

Com esta nomeação para Bispo do Funchal, termina também uma participação de muitos anos com o nosso jornal diocesano, do qual foi diretor por duas vezes. Que significado teve esta colaboração?

O Jornal VOZ DA VERDADE faz parte da minha história. Desde 1987, com alguns interregnos muito pequenos, que o jornal faz parte da minha história. Não conseguiria apresentar-me sem falar da Voz a Verdade. Primeiro com muitas dificuldades, em que o jornal era praticamente uma ‘folha de couve’, e recordo a ajuda dos seminaristas do Seminário dos Olivais. Quando houve a tentativa de fazer um trabalho mais sério, com um pouco mais de meios, lembro a colaboração de tantos leigos e tive a oportunidade de perceber o quanto os leigos gostavam da Voz da Verdade, porque escreviam e escrevem, porque percebem que é uma realidade importante.

Nesta colaboração, procurei sempre ter esta atenção à realidade e a fazer uma leitura cristã da realidade. Procurar ver a realidade com os olhos de Deus. Isso ajuda-nos, até mesmo como Bispo. Depois, ajudou também quando ia a uma paróquia onde não me conheciam – o que era difícil, na nossa Diocese de Lisboa –, alguns me diziam ‘o senhor é aquele que escreve na última página da Voz da Verdade’. São muitas as pessoas que me agradecem pelo facto de escrever, mas faço-o com toda a simplicidade, às vezes com alguma polémica, mas isso faz parte do sal, senão os textos ficam muito insonsos. Por vezes, nas férias, dava comigo a pensar ‘aqui está um bom tema para escrever no jornal’ e depois lá me lembrava que estávamos de férias e que não era preciso escrever artigo porque não há jornal em agosto... Acho que vou ter saudades, porque foi um hábito, um vício quase, que fui ganhando e que agora vou ter que perder, ou não. Vamos ver…

entrevista por Diogo Paiva Brandão e Nuno Rosário Fernandes; foto do arquivo VV
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