Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Feitos para a eternidade

Com o passar dos anos, com as dificuldades de concretizar os nossos planos e sonhos, vamos começando a perceber que tudo o que é natural no ser humano é pequeno, demasiado pequeno, angustiante mesmo.

E não se trata, apenas, de nos compararmos com a imensidão do universo ou com a incapacidade de prolongar indefinidamente a nossa vida, sem dor nem sofrimento, ou com a velocidade estonteante com que o tempo passa por nós (ou nós por ele). Trata-se de, em primeiro lugar, não nos contentarmos nunca com aquilo que conseguimos e com o que temos (queremos sempre mais); e, depois, de percebermos que tudo é pouco para o desejo de infinito e de eternidade que trazemos connosco.

Fomos feitos para a eternidade. E nada nem ninguém pode abafar esse desejo. Ele habita-nos desde o nascimento até à morte. Deus, o Criador, deixa em nós, ao criar-nos, uma marca indelével que está para além da natureza, e que vem à tona nos grandes empreendimentos de uma civilização e naquelas grandes pequenas conquistas que, dia após dia, cada um de nós realiza. É aquela inquietação de Santo Agostinho com que o Santo Bispo resume a sua procura de Deus: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não repousa em Ti”.

Sem o horizonte da eternidade, tudo fica sem sabor, pequeno, triste; tudo fica opressor, “angustiante” (é isso mesmo que a palavra quer significar na sua origem). Ao contrário, com o horizonte infinito da eternidade, mesmo as derrotas, as incapacidades, os sofrimentos ganham outro sentido. Somos sempre capazes de nos erguer e olhar mais longe. Ou, como diz S. Paulo, “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória” (2Cor 4,17).

Por um lado, o horizonte infinito mostra-nos que não somos os criadores, os donos e os senhores do universo – bem pelo contrário, tomamos consciência de ser mais pequenos e frágeis que uma minúscula gota do oceano; mas, por outro lado, convida-nos a partilhar, a viver, a ser do infinito de Deus. A acolher, com gratidão e como dom imerecido, o infinito que é o Amor de Deus.

Essa é a maravilha do Baptismo e da nossa condição de baptizados. Cristo ressuscitado torna-nos seus, faz-Se um connosco. Abre, diante de nós, um novo horizonte (o Seu horizonte divino). Sim, é possível viver com Deus. É possível viver para a eternidade. E quando isso acontece, mesmo a morte adquire uma serenidade que nos interroga e convida.

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