Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Permitir o Amor
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A vida humana é frágil. Sujeito a muitas adversidades, sabemos que corpo humano está sujeito a dificuldades sobre as quais nem sempre o homem tem a capacidade de evitar. A doença pode surgir em qualquer momento, sem marcar hora de chegada, e nós quase nunca estamos preparados para acolher essa ‘visita’ que pode ser temporária, mais prolongada ou permanente. Diante da enfermidade, que muitas vezes cria grandes limitações, físicas e não só, o sujeito sente-se incapaz de reagir, e por vezes com a sensação de inutilidade. “Não sou capaz de fazer nada, não sirvo para nada, não estou cá a fazer nada”, ouço com alguma frequência. Contudo, a simples presença é tudo. A vida é dom, e com maior ou menor capacidade para reagir, é graça que devemos agradecer e pode tornar-se dom para o outro. Poderei ter a sensação de dar pouco pelo que não serei capaz de fazer, mas continuo a ter coração, e esse serve para amar. E se a minha missão já não passa pelo que podia fazer, realiza-se pelo que posso entregar, pelo que posso oferecer em cada dia, unido à cruz d’Aquele que entregou a vida por mim, fazendo do meu espaço um ‘mosteiro’ onde vivo em contemplação e oblação diária. E o mundo precisa tanto de quem reze por ele!

A Igreja celebra, esta segunda-feira, dia 11 de fevereiro, o XXVII Dia Mundial do Doente, um dia dedicado a todos aqueles que padecem de alguma enfermidade procurando, assim, lembrar que Jesus, o Salvador, veio para os que estão doentes e que, por isso, não são esquecidos.  No entanto, é curioso que o Papa Francisco quisesse, este ano, lembrar neste dia muitos daqueles que cuidam dos doentes, os voluntários, sob o mote “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt10,8). Refere o Santo Padre, na sua mensagem deste ano, que estas palavras são pronunciadas por Jesus “quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que o seu Reino se propagasse através de gestos de amor gratuito”, e aponta o gesto do Bom Samaritano como o caminho de evangelização “mais credível”. De facto, é pelo amor gratuito, pela atenção e o cuidado pelo outro, que posso testemunhar o amor verdadeiro. “O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e de ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é ‘querido’”, observa o Papa Francisco na Mensagem para o Dia Mundial do Doente. Quantos gestos podemos nós fazer para retribuir o que recebemos! “Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas»”, salienta o Santo Padre. Neste sentido, assim como é preciso estar disponível para amar, dando amor ao que precisa, é preciso, também, ser capaz de aceitar a condição, o limite, e de reconhecer que precisamos de quem nos ajude. Também aí, amamos, porque permitimos ao outro o Amor.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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