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“Um sinal claro e firme de que é possível encontrar, respeitar e dialogar”
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O Papa Francisco recordou a viagem apostólica aos Emirados Árabes Unidos. Na semana em que se mostrou disponível para mediar a crise na Venezuela, o Papa assinou um acordo histórico e celebrou a maior Missa na península arábica e lembrou que “a vida consagrada não é sobrevivência, é vida nova”.

 

1. O Papa destacou o sinal dado durante a sua visita aos Emirados Árabes Unidos. “Nestes dias, Deus concedeu-me a graça de visitar os Emirados Árabes Unidos, oitocentos anos depois da visita de São Francisco de Assis ao Sultão al-Malik al-Kamil. Num tempo como o nosso, em que é grande a tentação de ver em ato uma luta entre a civilização cristã e a islâmica e também de considerar as religiões como fonte de conflito, pudemos dar um sinal claro e firme de que é possível encontrar-se, respeitar-se e dialogar. De facto, o momento alto da visita foi o Encontro Inter-religioso, onde tomaram a palavra o Presidente, o Grande Imã da al-Azhar e eu, centrando a atenção no valor da fraternidade humana, baseada na origem comum de Deus. Mas, como podem os irmãos salvaguardar a família humana? Isto é possível através do diálogo, da oração e da coragem da alteridade. Só assim poderá verdadeiramente levantar voo a pomba da paz com as suas duas asas, que são a educação e a justiça. Confessando esta vocação comum de todos os homens e mulheres serem irmãos porque filhos e filhas de Deus, assinámos – o Grande Imã e eu – o Documento sobre a Fraternidade Humana, onde, para além do mais, se condenam todas as formas de violência sobretudo a que se reveste de motivações religiosas e comprometemo-nos a difundir os valores autênticos e a paz. Com efeito, o mundo islâmico e o mundo cristão, não obstante as diferenças entre as respetivas culturas e tradições, apreciamos e defendemos valores comuns: a vida, a família, o sentido religioso, a veneração dos idosos, a educação dos jovens, etc. Neste oásis multiétnico e multirreligioso que são os Emirados Árabes Unidos, existe um bom número de cristãos, trabalhadores originários de vários países, para quem celebrei a Santa Missa no Estádio da cidade, anunciando-lhes o Evangelho das Bem-aventuranças”, resumiu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 6 de fevereiro, na Sala Paulo VI, no Vaticano.

 

2. O Papa Francisco manifestou a disponibilidade do Vaticano para mediar a crise política na Venezuela, se as duas partes o solicitarem. O Papa confirmou que o presidente Nicolás Maduro, contestado pelo presidente interino, Juan Guaidó, lhe escreveu uma carta, que Francisco ainda não leu. “Vou ler a carta e ver o que pode ser feito, mas a condição inicial é que ambos os lados o peçam. Nós estamos à disposição”, revelou, no dia 5 de fevereiro, em declarações aos jornalistas durante a viagem de avião de regresso dos Emirados Árabes Unidos. O Papa sublinhou ainda que a mediação formal do Vaticano deve ser encarada como um último passo da diplomacia para tentar resolver o braço de ferro. Francisco defende que é preciso dar passos prévios, tanto pelo Vaticano como por outros membros da comunidade internacional.

Na viagem de regresso a Roma, o Papa também disse que encontrou “boa vontade”, durante as reuniões privadas com líderes dos Emirados, para o início de um processo de paz para acabar com a guerra no Iémen. “Eu falei sobre essa questão, mas apenas com algumas pessoas”, respondeu, questionado se abordou o tema com o príncipe herdeiro Sheikh Mohammed bin Zayed al-Nahyan e outros responsáveis. “Devo dizer que encontrei boa vontade para iniciar o processo de paz”, salientou.

 

3. O Papa Francisco lembrou aos líderes do mundo islâmico que as religiões têm de se unir para garantir um futuro de paz e liberdade para a humanidade. Depois de chegar aos Emirados Árabes Unidos na noite de Domingo, 3 de fevereiro, o Papa participou, no dia seguinte, num encontro inter-religioso e falou de união. “Não há alternativa: ou construiremos juntos o futuro ou não haverá futuro. De modo particular, as religiões não podem renunciar à tarefa impelente de construir pontes entre os povos e as culturas. Chegou o tempo de as religiões se gastarem mais ativamente, com coragem e ousadia e sem fingimento, por ajudar a família humana a amadurecer a capacidade de reconciliação, a visão de esperança e os itinerários concretos de paz”, disse o Papa. “Que o nosso estar juntos hoje seja uma mensagem de confiança, um encorajamento a todos os homens de boa vontade para que não se rendam aos dilúvios da violência nem à desertificação do altruísmo. Deus está com o homem que procura a paz. E, do céu, abençoa cada passo que se realiza, neste caminho, sobre a terra”, acrescentou.

No final do discurso, o Papa e o grande Imã da Universidade de Al-Azhar, no Egito assinaram a Declaração de Abu Dhabi, apresentada como “histórica”, pelo Vaticano, sobre a fraternidade humana, onde declaram que ninguém está autorizado a explorar o nome de Deus para justificar a guerra, o terrorismo ou qualquer outra forma de violência. Afirmam que a vida deve ser sempre salvaguardada, que os direitos das mulheres devem ser plenamente reconhecidos e toda prática discriminatória deve ser rejeitada.

Na 27ª viagem internacional do pontificado, o Papa celebrou Missa no maior estádio de Abu Dhabi, deixando às 135 mil pessoas presentes – quatro mil das quais muçulmanas – uma mensagem de alegria e de paz. “O cristão promove a paz, a começar pela comunidade onde vive”, sublinhou, desafiando os católicos a fazerem das suas comunidades um “oásis de paz” e elogiando a “melodia do Evangelho” que se vive nos Emirados, com várias línguas e ritos. Antes da celebração, Francisco visitou a Catedral de São José, uma das duas igrejas católicas de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos – um país que é uma exceção, na península arábica, pela sua abertura e tolerância ao culto cristão.

 

4. O Papa presidiu à Eucaristia no XXIII Dia da Vida Consagrada e pediu aos religiosos para não caírem na tentação de ver a vida consagrada como “sobrevivência”, porque “ela é vida nova”. “Quando a vida consagrada floresce, torna-se para todos um apelo contra a mediocridade: contra as quedas de altitude na vida espiritual, contra a tentação de jogar por baixo com Deus, contra a adaptação a uma vida cómoda e mundana, contra a reclamação, insatisfação e lamento da própria sorte, contra o habituar-se a «fazer aquilo que se pode» e ao «sempre se fez assim». A vida consagrada não é sobrevivência, é vida nova. É encontro vivo com o Senhor no seu povo. É chamada à obediência fiel de cada dia e às surpresas inéditas do Espírito”, referiu Francisco, no dia 2 de fevereiro, na celebração na Basílica de São Pedro.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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