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Isilda Pegado
“Missão País”. Uma Esperança! Uma Realidade!

1 – Organizam-se em grupos de cerca de 50 estudantes universitários, e vão para mais de 50 vilas e cidades deste País, em Missão. Levam a alegria, a força, o saber, o Amor e a Esperança a pessoas que até então desconheciam.

Apesar de serem da mesma Universidade, muitos não se conheciam, mas aqui, criam entre eles laços de amizade, companhia e cumplicidade que tornam esta semana mágica.

2 – As “Missão País” nasceram há cerca de 10 anos, mas mobilizam já, por ano, mais de 3.000 estudantes universitários que, aproveitam as férias entre o 1.º e o 2.º semestre para fazer algo de útil, bom e que lhes dá mais vida, mais universidade com os namoros, as piadas e até os copos próprios da idade ou ... a descoberta de vocação.

3 – As “Missão País” nasceram onde menos se esperava – no ambiente universitário – habitualmente contestatário, individualista e pouco dado às verdades da Igreja. Nasceu sem que haja um ideólogo na sua origem. Houve seguramente padres, rapazes e raparigas excepcionais com poder de liderança (ouvi a Verinha falar do impulso que tomou conta do seu coração) e comunidades que vivendo na aridez estavam, e estão, sequiosas deste Amor e desta entrega gratuita de jovens.

4 – É uma alegria vê-los em grupos a bater às portas para falar de Cristo, ou nos Lares e Infantários a conversar com quem estiver. Numa dádiva total.

É tão bonito vê-los nas missas ou na vigília de Oração a dar ânimo novo a Paróquias onde tudo parecia desgastado pelo tempo.

É uma Esperança que haja quem se entrega a Deus, à Igreja e se confronta, numa idade de grandes decisões (entre os 19 e 21 anos), com – o que quer para a vida.

É tão Bom ter a companhia de quem comunga o Amor a Cristo, um ideal de vida e um projecto de Futuro.

5 – Muitas vezes se fala de renovação dentro da Igreja.

As “Missão País” não são uma estratégia de renovação da Igreja. Mas são o caminho para uma vida mais plena, mais próxima da Verdade e melhor para milhares de jovens. Com estes milhares de jovens cria-se uma linguagem que todos entendemos.

O encontro destes rapazes e raparigas trará à Igreja uma nova forma de ser. Um novo embate com a realidade. E, por isso, uma Esperança.

6 – Cada um de nós, pode fazer memória da sua “Missão País” (que não se chamava assim – eram os encontros, retiros e peregrinações onde estávamos juntos a falar de Cristo) e que há 20, 30 ou 40 anos foi o encontro com Cristo, que moldou muitos trajectos de vida. Seguramente, recordamos com um sorriso nos lábios. O Bem que daí adveio é fruto de um Outro que nos abraça e muito nos quer.

Ao longo da vida somos confrontados com decisões difíceis, momentos de grande complexidade e, por vezes até de amargura com o trabalho, com a família, com a saúde. E, é nesses momentos que a companhia firmada na pertença a Cristo é ainda mais preciosa e salva vidas.

7 – Como este ano cantavam os rapazes e raparigas da “Missão País” - “Contigo cá dentro de mim, sou mais eu”. Descobrir que o Homem comunga de Deus e que tal facto o torna maior, e mais livre, é um caminho que no tempo dará frutos.

Ou, como cantam no Hino – “Pode ser só uma semana, ou o início de uma vida…”.

“Missão País” – que Esperança!

 

Post scriptum – No dia 5 de Outubro de 2018 estive no casamento de dois jovens médicos, que há 6 anos se conheceram na “Missão País”. É assim a vida.